Sempre que visito o Brasil durante as férias, algumas pessoas me perguntam se eu passo frio em Gotis City. Se eu falar que não sinto nenhum tiquinho de nada de frio é claro que estarei mentindo, mas isso só acontece na rua, porque nos lugares fechados há sempre calefação. Parênteses: eu passo mais frio em São Paulo, dentro de casa durante o inverno, do que aqui na Suécia.
E o que fazer quando se está na rua? Aí é importante que as roupas e sapatos sejam adequados a esta estação. Eu acho que vale a pena pagar um pouco mais caro por um bom casaco, que você terá por um longo tempo (desde que você não vire um balofinho), do que ter dez casacos que não valem por um.
Por isso, quando saio na rua em temperaturas congelantes, costumo me proteger em camadas. Atualmente uma segunda pele, uma blusa de lã e um casaco mais parrudo já são suficientes pra mim. É claro que tudo isso também vem acompanhado de cachecol, luvas, gorro e bota… mas isso não me assusta mais.

Além disso, eu planejo bem o que eu farei na rua para não ficar como uma barata tonta congelando. Mas e se de repente eu começo a sentir frio, eu e o maridão adotamos a tática de pegar o transporte público, mesmo que seja para percorrer apenas um ponto. O que nós fazemos com frequência também é dar um break em uma das cafeterias da cidade para se esquentar.

Nessa época as cores quentes e vibrantes caem no esquecimento e o que se vê basicamente são casacos pretos, afinal a cor emagrece, combina com tudo e eventualmente ainda esconde a sujeira… #nojinho. Mas de vez quando é possível avistar alguém usando um casaco vermelho ou até mesmo algum que lembre uma chinchila.

E justamente por causa dos inúmeros casacos pretos e da escuridão do inverno, algumas pessoas usam uma espécie de sinalizador nas jaquetas para evitar que algum motorista mais braço duro as atropele. Isso é ser coxinha ao cubo!


Enquanto os adultos se contentam com o pretinho básico, as crianças esbanjam cores em todas as roupas e acessórios. Mas o que eu acho mais fofo de tudo são esses macacões impermeáveis, que as deixam lindas e prontas para deitar e rolar tranquilamente na neve.

E os sapatos onde ficam nessa história? Para resistir ao frio o ideal é usar botas forradas, impermeabilizadas e que principalmente tenham um bom solado, tanto para proteger do frio quanto para evitar os famosos escorregões. Porém, para mim o mais difícil é achar um sapato com esses requisitos e que ainda por cima seja bonito. Os suecos recomendam uma bota que atende essas exigências e que é super quentinha, mas nem tão bonitinha assim. Aí eu me pergunto cadê a coragem de comprar uma?

Felizmente existem outras que até chegam a ser bonitinhas, mas não tão eficientes quanto à botinha recomendada acima.


Ah, e tem também a bota que eu chamo carinhosamente de bota chinelo, porque se você tirar a proteção da perna vai parecer um chinelo. Essa não dá para andar na neve, porque com certeza o pé ficará molhado, mas ela é um sucesso entre as teens por aqui.

Sabe aquela história que comentei no post Cenas de Inverno que neva, chove, derrete a neve e forma gelo? Pois é, nem todos os sapatos são bons para andar quando se tem essa camada de gelo. Porém, em algumas lojas e farmácias espalhadas pela cidade é possível encontrar acessórios antiderrapantes como esses aqui.

Eu até pensei em levar um desses para casa comigo, já que cai na rua uma vez e levei inúmeros “escorregas”, mas acabei desistindo da ideia, porque até agora só vi idosos utilizando.
Outra coisa que eu acho bem legal são as luvinhas próprias para telefones touch screen, já que dá para proteger os dedinhos do frio e ao mesmo mexer no celular. Simples e fácil!

Os apetrechos da molecadinha ficam por conta do “esquibunda” e dos pequenos trenós, pois com certeza a diversão é garantida.


E para aqueles que podem gastar um pouquinho mais, o trenó abaixo é ideal para os pais acompanharem seus pimpolhos em grandes emoções pela neve.

Casas, bares e restaurantes ganham um ar mais charmoso e aconchegante, porque além da temperatura agradável, essa também é a época em que mais se usa velas e luminárias, dando um toque todo especial ao ambiente.

Mas nada impede de se utilizar muitas velas coloridas e por incrível que pareçam, elas também dão um toque todo especial.


E como nem tudo são flores, uma das coisas chatas que se precisa fazer é tirar a neve da entrada de casa. Eu e o maridão não tínhamos qualquer experiência nisso, mas aprendemos rapidinho os ossos do ofício neste último inverno. A pá agora é nossa melhor amiga ou pelo menos enquanto durar a neve.

E aí toda aquela neve branca, bonita e clarinha não dura muito tempo. Ela vai se misturando à sujeira, ao sal e aos pedriscos.


E o que parecia ser limpo agora é uma lambança só.

Outra coisa chata é que nem todas as paradas de ônibus/tram têm cobertura de proteção, o que significa que muitas vezes você fica exposto enquanto está nevando. Mas aqui em Gotis City percebi que muita gente não liga para isso e em alguns casos nem utilizam gorros/tocas. A neve vai caindo no cabelo e fica parecendo fritopan. Aí todo mundo entra nos transportes, o fritopan derrete e os cabelos ficam naquele estado de calamidade. Eu, particularmente, acho isso nojento e procuro ter a minha cachola sempre protegida.
E para a alegria de muitos brasileiros que aqui estão o inverno está chegando ao fim e logo mais a cidade estará novamente coberta de flores.
Vi ses… hej då! ![]()
































































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