Caminhada: Änggårdsbergen

Finalmente hoje vou começar a postar, mas ainda aos poucos, os lugares por onde tenho caminhado ou pedalado aqui em Gotis City. Alguns já são velhos conhecidos do blog e outros ainda estão em fase de descobrimento.

E de onde surgiu essa vontade de conhecer novos lugares? Na verdade, tudo começou nesse último inverno, quando comprei um guia de caminhadas, destinado às pessoas que moram em Gotemburgo. O título do pequeno guia é Göteborgarnas Lilla Promenadguide e foi editado somente na versão em sueco.

Assim que a neve se foi decidi que era o momento perfeito para dar início a essa jornada. O primeiro lugar escolhido foi Änggårdsbergen. Como as fotos foram tiradas em meados de março a paisagem não estava tão bonita, porque não havia flores e nem aquele verde vibrante.

Änggårdsbergen é considerada uma reserva natural, bastante arborizada e que está localizada entre as cidades de Mölndal e Gotemburgo. A área tem cerca de 220 hectares e é conhecida por ser bem popular para atividades ao ar livre. É possível pedalar, correr, caminhar, fazer uma pausa para o fika (não lembra o que é? tem post sobre isso no Coisas de Sueco: Fika) e até piqueniques regados de churrasco à sueca. Fora isso, a reserva natural ainda conta com lagos meio escondidos ao longo do percurso.

Mesmo o guia explicando bonitinho como se faz para chegar, eu fiz uma bananada na minha cabeça, que programei a ida toda errada. Andamos mais do que devia, acho que de 2 a 3 km, nos perdemos, meu celular acabou a bateria e o celular do maridão não estava funcionando direito. Tudo isso somado a um vento gelado que surgiu do nada e roupas e sapatos errados para a estação. Olha, foi um sufoco e eu tenho plena consciência de que fui muuuuuito marmota.

Para se chegar a essa reserva natural bastava cortar o caminho por um lugar chamado Botaniska. Só que o que a gente não sabia é que esse parque estava em reforma e ainda por cima fechado. Decidi ir por um caminho alternativo, que obviamente era o caminho errado. O lado positivo é que pude passear por um bairro bem sueco e me divertir tirando fotos.

Até uma escolinha me chamou a atenção com seus brinquedos simples dispostos no muro, onde nenhum deles estava colado ou pregado. Ainda bem que ninguém bancou a “mão leve” por ali.

Caminhamos mais um bocado e nem sinal da tal reserva natural. Estávamos cercados apenas por uma paisagem meio triste e apagada da cidade.

Até que achamos uma passagem entre algumas casas e resolvemos nos arriscar. O que nos deu um sinal positivo foi encontrar a plaquinha do Botaniska, indicando que estávamos no caminho certo.

É esquisito você andar num parque em que não há ninguém por perto. Fiquei com um baita medo e comecei a me aterrorizar sozinha, lembrando de todos os filmes de terror que eu assisti na vida. Sabe aqueles em que a pessoa corre para uma floresta sozinha toda desesperada e acontecem as coisas mais absurdas e terríveis? Foi assim que me senti!

Só porque estávamos sozinhos no meio do nada e um senhor de olhar estranho, caminhar lento, carregando um objeto não identificado nas mãos, parou e nos analisou. Pensei, pronto é agora! Mas tudo fruto da minha imaginação, porque o tiozinho já tinha idade avançada e estava com dificuldade para caminhar. Pecado isso, não?! Eu sei, eu sei, sou dramática e exagerada mesmo!

Passado o susto, continuamos a nos infiltrar cada vez mais floresta adentro e mesmo com árvores completamente secas para todos os lados, senti uma tremenda paz em caminhar por ali. Afinal, eu adoro árvores, independente de como elas são!

Fiquei imaginando como a paisagem deve ser linda nas outras estações do ano, principalmente no outono, quando está tudo em tons alaranjados e com muitas folhas pelo chão.

  

Depois que o pânico já havia sumido por completo é que me dei conta dos detalhes que estavam a minha volta, principalmente com essa árvore.

E até mesmo com a plaquinha que ainda carregava resquícios do inverno com um gorro todo estropiado.

E pelo caminho havia muita madeira cortada. Algumas estavam dispostas de tal forma que te convidavam para fazer uma fogueira, porque até acendedor tinha.

O caminho não é todo glamour, pois havia trechos com muitas pedras e outros com muito gelo, daqueles bem escorregadios.

 

E aí que finalmente começamos a encontrar algumas pessoas: ciclistas, pessoas caminhando e outras correndo.

 

Até gente bem arrumadinha começou a aparecer. Ufa, fiquei aliviada por encontrar o movimento novamente!

Chegamos a um lago ainda completamente congelado, mas dessa vez não quis me arriscar a pisar, porque fiquei com medinho… vai que eu afundasse ali no meio do nada!

Foi uma pena que fizemos esse percurso bem rapidinho, pois estava um frio danado. E como já estávamos a mais de 1 km do Botaniska resolvemos encerrar as atividades nessa reserva natural e voltar correndo para casa para nos aquecer.

E tem mais, aprendi na marra que com frio não se brinca, sair de casa com pouca bateria no celular é arriscado porque nunca se sabe o que pode acontecer e que planejamento é TUDO na vida, independente se é para uma viagem, uma compra ou uma simples caminhada.

Vi ses… hej då! ;-)

Coisas de sueco: no fika

A primeira vez que ouvi a palavra Fika eu achei que tivesse alguma relação com o fato de você “ficar” com alguém, porque era um tal de fika pra lá, fika pra cá e fika a qualquer hora, que acabei tendendo para o lado malicioso, portanto, shame on me!

Na verdade, Fika significa fazer uma pausa para se tomar um cafezinho ou outra bebida se preferir, com amigos, familiares ou conhecidos.

Normalmente esse break é acompanhando com qualquer tipo de doce, que pode ser um bolo, uma torta, um cookie, um pãozinho doce, uma massa folhada recheada com cremes, geleias ou castanhas, muffins, cheesecake, kanelbulle e por aí.

O Fika é considerado como um ritual na cultura sueca, pois além de poder beber e comer uma guloseima, ainda é o momento ideal para uma boa conversa. O café é servido em canecas, xícaras ou copos bem generosos e daí você consegue perceber o quanto os suecos gostam disso.

Eu acho o café daqui bem forte se comparado ao brasileiro e mesmo assim consegui aderir totalmente à forma como os suecos o tomam: sem açúcar. Porém, o momento do Fika não é somente para os amantes de café, pois um delicioso chá também é bem vindo. Em geral os estabelecimentos disponibilizam aos clientes o chá a granel para infusão, que eu considero muito mais gostoso, mas há aqueles que oferecem apenas os tradicionais de saquinho.

O mais legal é que esse hábito tão sueco pode acontecer em casa, numa cafeteria, durante o piquenique, no ambiente de trabalho ou em qualquer lugar que se queira, independente do horário. Ah, mas pode rolar um fika às 3h da madrugada? Sim, pode!

Esse ritual é tão forte por aqui que em muitos locais de trabalho se instituiu o intervalo para café, não apenas como uma pausa no trabalho, mas também como uma reunião informal. E por quê? Porque as companhias suecas acreditam que o fikarasterna (as pausas de café) ajuda o sucesso da empresa, já que é o momento ideal para “limpar o cérebro” (como eles chamam), trocar ideias e experiências.

Mas não para por aí, pois as empresas suecas acreditam que essa simples pausa durante o expediente, ainda contribui para o aumento da satisfação do funcionário e ajuda a criar aquele sentimento de grupo. Sabe, isso é cultura!

Não existe uma regra escrita para que todos os funcionários participem desse momento de socialização, mas aqueles que evitam o Fika podem ser vistos com desconfiança pelos suecos. Acho que é bom ter a mente aberta e uma pausa não faz mal à ninguém, até porque terá muita coisa gostosa para comer, não é?!

É claro que esse assunto de Fika me despertou certa curiosidade em relação ao consumo de café. Então, dei uma sapeada no site da Abic (Associação Brasileira da Indústria de Café) para descobrir quanto que os brasileiros tomam de café por ano e ver se o Brasil estava perto do percentual da Suécia. E sabe o resultado? Passou longe! Os brasileiros bebem em torno de 83 litros de café por ano, enquanto que os suecos chegam a consumir 156 litros. Fala a verdade, é muito café para uma pessoa só!

E apesar de não ser sueca resolvi cair de cabeça na cultura do país. Hoje me considero uma das mais adeptas ao Fika, pois além de me render ao sabor do café e ao charme das inúmeras cafeterias de Gotis City, ainda estou tendo a oportunidade de viver os hábitos locais e isso ninguém pode tirar de mim.

Vi ses… hej då! ;-)

Eva’s Paley: não é charmoso, mas é gostoso

Eva’s Paley é uma cafeteria localizada na Kungsportsavenyn e que eu batia o cartão semanalmente quando cheguei a Gotis City. Primeiro, porque é de fácil acesso e segundo porque eu viciei no café deles.

As guloseimas disponibilizadas são preparadas pela própria cafeteria, tais como bolos, muffins, pasta e até opções vegetarianas. Outra coisa é que é possível ainda experimentar cafés e vinhos ecologicamente corretos. Num cantinho da cafeteria encontram-se também outras comidinhas como panini, batatas assadas e saladas.

O lugar nem é tão bonito e aconchegante assim, mas eu gosto do atendimento deles, mesmo já tendo lido críticas negativas no Trip Advisor. Além disso, eu vi que à noite rola meio que uma baladinha onde a galera gosta de “ficar” mais alegre, mas nada assim de tão de especial.

    

Não frequento a cafeteria pelo ambiente, mas sim pelas coisas gostosas que há de se comer. As minhas opções preferidas são Äpplekaka, que é um bolo de maçã servido com creme de vanilla altamente calórico e sai por SEK 34,00 (por volta de R$ 11,00) e Chokladtryffeltårta, um bolo de chocolate trufado servido com calda de framboesa e que é vendido a SEK 45,00 (mais ou menos R$ 15,00). Simplesmente adoro!

Já me aventurei em experimentar outras coisas, mas nada se compara ao gostinho bem caseiro desses daí.

 

Há duas semanas eu dei um pulo até lá e bati com a cara na porta, porque o local está fechado para reforma. A previsão é de que abra ainda nesta Primavera e estou meio ansiosa por isso, pois além de matar a vontade de comer as gordices novamente, vou poder verificar de pertinho se o ambiente finalmente estará mais charmoso.

Ah, espero que eles tomem vergonha na cara também e finalmente criem um website, porque até o momento não tem.

Então, o jeito é esperar!

Eva’s Paley
Kungsportsavenyen 39
411 36 – Göteborg

Vi ses… hej då! ;-)

Steinbrenner & Nyberg

Steinbrenner & Nyberg é considerado, segundo o guia turístico da cidade, como um dos lugares que realmente sabe fazer um delicioso cake e ainda indica o “Alldeles Cocco cake” como favorito para aqueles que têm intolerância alimentar.

Só que não pense que para por aí, pois o cardápio ainda oferece diariamente opções para um suculento almoço, acompanhado de sopa especial e um saboroso buffet de cakes. Mas se não quiser nada disso, sem problemas, pois ainda é possível optar pelas saladas, tortas ou sanduíches.

Além de o ambiente ser ideal para um almoço, um lanchinho ou uma pausa para o café, ainda há possibilidade de se esbaldar nos produtos de panificação e nos chocolates disponíveis na lojinha interna.

Eu frequentei esse lugar apenas duas vezes e posso afirmar que o ambiente é bem agradável e a comida gostosa, mas dependendo do prato que se escolhe o preço não é tão amigável assim.

  

Na primeira vez a degustação foi a salada de frango, acompanhada de alface americana, milho, tomate, pepino, abacaxi e molho rosé. Paguei por volta 92,00 coroas suecas (mais ou menos R$ 31,00).

E na segunda vez a degustação foi uma sopa de peixe bem suculenta, mas não lembro o preço. Acabei escolhendo a sopa para me aquecer, já que eu estava tirando fotos num fim de tarde durante o inverno e achei que essa era a melhor opção. O sabor era bastante intenso e por baixo do caldo cremoso, havia muito camarão e peixe branco (acho que era bacalhau) e que eu quase não dei conta de comer tudo.

Além disso, ainda havia disponível uma mesa com pães e três opções de patês.

O Steinbrenner & Nyberg possui nove unidades em Gotis City e arredores, mas em uma pesquisa rápida pela internet vi que os preços variam entre as unidades, mesmo oferecendo o mesmo prato. É bom ficar atento!

Vale a pena conferir:

Steinbrenner & Nyberg Horário de Funcionamento:
“Unidade apreciada por mim” 2a. a 4a. feira: 07.00 – 20.00
Östra Larmgatan 6 5a. feira: 07.00 – 22.00
411 07 – Göteborg Sábado: 09.00 – 22.00

Vi ses… hej då! ;-)

Final de semana agitado – Domingo

Depois de um sábado bastante intenso, domingo eu havia me planejado para ficar em casa relaxando e estudar um pouco de sueco. Só que assim que vi que o dia estava tão lindo, mudei totalmente os planos e botei a cachola para planejar coisas muuuuuuito mais legais.

No momento em que eu planejava os lugares que eu gostaria de ir, a Maria Caipira me ligou e combinamos de irmos juntas nessa jornada de bater pernas.

Momentos antes de chegar ao ponto de encontro eu tive de fazer uma parada para um look do dia. Esse não é um blog de moda e nem pretende se tornar um, mas quis registrar o estilo mais comum de se ver as suecas se vestirem, principalmente as que estão na flor da idade: calça skinny, jaqueta de couro e bota de salto baixo ou All Star. E mesmo eu que já passei dos 30, ainda me considero na flor da idade, então nada mais justo que aderir ao estilo também.

Bom, eu e o maridão encontramos a Maria no mesmo bate canal de sempre e partimos para um parque chamado Annedal / Utsikten.

Demos uma voltinha, olhamos a vista e como não houve grandes surpresas e nem ficamos sem fôlego, de lá decidimos seguir para outro parque chamado Färjenäsparken. Parênteses: vou deixar para contar os detalhes dos parques em outro post, assim que eu conseguir separar todas as fotos, ok.

Antes de fazermos a travessia de barco para o parque, decidimos que era o momento ideal para um fika (pausa para o café) e acabamos ficando pelo porto jogando conversa fora.

E o que era para ser um passeio no parque acabou virando um passeio de barco. Esse barco que nós pegamos funciona como um ônibus, ele vai parando em diversos pontos e tem o mesmo preço do bilhete comum para tram e ônibus.

 

Eu já falei no post Reservado para cachorros que os animais são bem-vindos em todos os transportes públicos e aqui dá pra ver que tanto o dono como o cãozinho gostam e aproveitam muito essa facilidade.

Depois de um longo passeio decidimos ir almoçar, porque né, já eram 4 horas da tarde e a gente já estava quase desmaiando de fome. A Maria sugeriu o Restaurante Tim Tim, que funciona 24 horas e tem preços bem convidativos.

Ultimamente tenho amado ao cubo comer Ceaser Salad, mas não é em todo lugar que ela é gostosa. Mas dessa vez fui surpreendida, porque além de custar menos da metade do preço se comparada à do Hard Rock ainda é muito mais saborosa. Molho caprichado e frango bem macio.

Ao sairmos do restaurante nos despedimos da Maria e seguimos para casa, pois finalmente ficaríamos de pernas para o ar, acompanhados de uma deliciosa torta de marzipã com amêndoas e um café quentinho.

E assim foi nosso final de semana agitado!

Vi ses… hej då! ;-)