1 ano da Teimosa na Suécia

Hoje faz exatamente um ano que cheguei à Suécia e vejo como passou rápido. Estranho isso, pois parece que foi ontem que estava empacotando as coisas, fazendo as malas, deixando emprego, casa, família e amigos no Brasil.

Um turbilhão emocional pré-viagem fazia parte da minha rotina, isso porque eram tantas coisas a serem resolvidas, num curto espaço de tempo, que eu achei que não conseguiria. Mas no fim tudo deu certo, afinal eu não estaria hoje aqui contando um pouco da minha vivência em Gotemburgo.

Cheguei e logo adoeci. Uma completa indisposição e febre que pareciam não ter fim. Logo depois veio a dor de garganta e gripe, que me deixaram de cama por longos 10 dias. Não eram os novos ares que estavam me fazendo mal, mas sim todo o estresse vivido antes da mudança. E quando relaxei, a resistência caiu e meu corpo não resistiu.

De lá para cá muitas coisas aconteceram. O processo de adaptação, a inserção local, o desafio do idioma sueco, o funcionamento da sociedade, o aprendizado e respeito às regras, a evolução do inglês, a magia de fazer novos amigos, a valorização da simplicidade e a convivência com outras nacionalidades, que me conquistaram ou me chocaram.

O que falar da Suécia? A corrupção política é mínima, porém, punida. A saúde e educação são grátis. O saneamento é excelente, pois tomo água da torneira sem peso na consciência e sem aquele gosto de encanamento enferrujado. O transporte público é bom e funciona mesmo e a segurança é incrível.

Passei pelas quatro estações e tive a impressão de estar em uma cidade diferente a cada uma delas. Apreciei a beleza da Primavera, desfrutei do calor do Verão, observei o cair das folhas do Outono e sobrevivi ao gelo do Inverno.

Rosa vermelha Primavera Rosa vermelha

Sol Verão Sol

Rosa murcha Outono Rosa murcha

Frio Inverno Frio 

Ri de mim, dos outros e com os outros. Chorei de emoção, de felicidade e de saudade. Desmoronei, desabafei e me reergui. Compartilhei experiências, anseios e alegrias. Tive um ombro e fui um ombro amigo. Fui covarde para me decidir e corajosa de seguir em frente. Preguiçosa para acordar e rápida para aproveitar. Emagreci, comi e engordei. Fiquei com raiva disso, mas superei. Me achei linda, deslumbrante, sai e arrasei.

Vivi e continuo vivendo uma experiência incrível. Sonhei com isso a minha vida toda e às vezes me belisco para ter certeza se tudo isso é real. Nesse 1 ano conheci pessoas interessantes, cidades lindas, vivi situações engraçadas e enfrentei os desafios como gente grande numa terra desconhecida.

Aprendi e continuo aprendendo todos os dias. Assim como eu, outros brasileiros espalhados por aí têm suas histórias, experiências e desafios, os quais são únicos e insubstituíveis. E eu sou apenas mais uma nesse mundão afora.

Mas e a saudade onde fica? Sim… a saudade. Ela aperta e dói no peito. Deixa o coração pequenininho e solitário. E só consegue ser amenizada, graças aos avanços da tecnologia. Mesmo a milhas de distância, parece que tudo é tão perto!

E a felicidade? Ela faz parte da minha rotina e está presente em tudo que vejo, toco, ouço e sinto. Agradeço todos os dias ao cara lá de cima por ter me dado essa oportunidade e por fazer desse momento, único em minha vida. E ela só é completa porque estou ao lado da pessoa que amo.

Me descobri e ainda continuo me descobrindo. Será que após esse 1 ano eu sou uma pessoa melhor? Afinal, o que é ser uma pessoa melhor? Eu ainda não sei a resposta, mas de uma coisa eu tenho certeza, alguma coisa mudou em mim.

Afinal, como diz a música: “Se chorei ou se sorri, o importante é que emoções eu vivi”.

Vi ses… hej då! ;-)