MDNA 2012 e “Like a Virgin” juntinhas

Me lembro como se fosse hoje quando minha mãe me perguntou: “O que você quer ganhar de Dia das Crianças?” E eu respondi na lata: “Uma fita cassete da Madonna”. Na minha época quem não tinha dinheiro para comprar um LP de vinil, se contentava com a fita cassete mesmo. No meu caso era a única opção já quem nem “vitrola” havia em casa.

E o que eu ganhei adiantado de Dia das Crianças? A tal fita cassete da Madonna do álbum True Blue. Com certeza poucas gerações irão se lembrar disso, mas esse álbum foi lançado em 1986 quando eu ainda tinha 10 anos (#prontoconfesseiaidade).

Era tanta alegria que não cabia dentro de mim! Eu ouvi tanto, mas tanto aquela fitinha que ela quase estragou. E quando finalmente eu ganhei o primeiro mini system, aprendi a artimanha de gravar todas as músicas diretamente do rádio. Mas que ódio que dava quando o locutor falava bem em cima dela quando estava gravando… eu queria morrer de catapora ou enforcada num pé de couve.

Os anos se passaram, a tecnologia evoluiu e a minha paixão pela Madonna permaneceu. Claro que não sou fanática ao ponto de ter a discografia completa ou incorporar o espírito Like a Virgin, mas a verdade é que eu “pago o maior pau” pra essa mulher de 56 anos que continua super na ativa.

Quando eu morava em São Paulo, nunca tive a oportunidade e porque não dizer certa coragem de ir a algum show dela, porque alguns fatores sempre me desanimavam: filas gigantes, site congestionado para compra dos ingressos e preços bem salgadinhos. Ah, sem dizer o povo que fica acampado na frente do estádio 3 dias antes para conseguir um bom lugar. De verdade? Nem a Madonna e nem o Papa me tirariam do conforto da minha casa.

E aí que acompanhando as notícias pela internet, a minha querida salve-salve Madonna anuncia que The MDNA Tour começaria pela Europa a partir de maio desse ano. É claro que na hora vi a oportunidade de finalmente poder assistir ao show da musa aqui em Gotemburgo.

Apesar da venda de ingressos ter começado em fevereiro, eu fui enrolando pra comprar, maridão não curte o estilo musical, enrolei mais um pouco e desencanei total. E eu estava realmente desencanada até a semana passada quando recebi a mensagem da Rogeria (lembram da feijuca dela?), perguntando quem ia ao show da diva. Roge, Lu, Fer, Si e Meg já estavam com os ingressos em mãos e estavam agitando o resto da galera. E eu inocentemente respondo: “Hahaha… caramba todo mundo junto e misturado!!! Putz eu queria muito apavorar com vcs, mas não vou poder ir. Tirem muuuuuuuitas fotos e divirtam-se bastante. “Like a Virgin” pra vcs!!! Beijos”.

Só que foi me dando uma comichão incontrolável, não me aguentei e acabei comprando o ingresso. A Maria, nossa amiga espanhola não se controlou e comprou também.

Huhuhu… disse pra mim: “Madonna aí vamos nós… “Like a Virgin”!!!”

Estávamos super animadas e a agitação começou cedo. Combinamos de nos encontrar antes do show para o Esquenta Madonna. Brazucas e Castanhola reunidas só poderiam ser sinônimo de muita diversão. E apesar do grupo ainda estar desfalcado nesse momento a animação tava que tava.

Já a caminho do Ullevi Stadium o que eu vejo? Ambulantes vendendo camisetas e protetores auriculares. Vender camisetas eu entendo, agora protetor auricular é outra história. Sueco é meio “coxinha” para essas coisas, porque qualquer barulhinho já coloca um OB no ouvido.

E apesar do estádio estar bem movimentado do lado de fora, não pegamos absolutamente fila alguma para entrar. Já antecipo que não estávamos na área vip, que não éramos convidadas especiais da Madonna e que não subornamos ninguém. A gente estava no meio do povão mesmo, ou seja, na pista.

A abertura dos portões ocorreu às 18h e sabe que horas entramos? Às 19h15. Repito: 19h15. Aqui é terminantemente proibido acampar na frente do estádio. O que é mais maravilhoso ainda é que as pessoas chegam tranquilamente, sem empurra-empurra, sem jeitinho brasileiro e sem aquele caos dos shows no estádio do Morumbi em São Paulo.

Conseguimos até nos acomodar pertinho da grade. Só que depois disso, o povo foi chegando, se ajeitando e os espaços foram acabando.

E acredita que teve gente querendo assistir ao show sem pagar nada. Só não sei quanto tempo ele conseguiu ficar voando por ali, mas que atraiu a atenção de todos, ah isso atraiu.

É claro que antes de qualquer show há sempre uma atração extra para agitar a galera. E o agito da noite foi o DJ Martin Solveig. Sinceramente eu nunca ouvi falar dele, mas música eletrônica é igual em qualquer lugar, a não ser quando a música vem acompanhada de um temperinho de empolgação a La Brasil.

Novamente o pessoal da segurança fazendo um papel super importante. E registro aqui que eles trabalharam muito nessa noite. Nossa… como teve gente passando mal nesse show, talvez fosse pela bebedeira, pela falta de comer ou simplesmente por alguém mais nervosinho que estava causando. Mas o “pessu” era bem simpático e interagiu com a galera, viu?!

O DJ saiu de cena e os rodinhos entraram em ação. Achei que essa coisa de ficar esfregando o chão era só no voleibol ou aqui em casa. Mas que nada, para a diva precisa estar tudo nos trinques, afinal ela ia deitar muito nesse chão ainda.

Depois do DJ e dos rodinhos tomamos um chá de cadeira, ou melhor, chá de chão por 1h30. Quem disse que o show começava? A dor na lombar estava de matar e tudo doía… até o meu mindinho começou a reclamar. Os boatos que ocorreram era de que ela estava esperando escurecer um pouco, já que o show é todo hollywoodiano, montado em mega telões e luzes para dar e vender. Será que alguém avisou pra ela que é verão na Suécia e agora só escurece depois das 23h? Ops! Acho que alguém não fez o dever de casa!

Até que finalmente o show começou por volta das 22h30 e o que dizer da abertura? Ultra-mega-blaster-master divina, lindamente coreografada e impecavelmente excitante. Apesar de estar escrito no convite que não podia tirar foto ou filmar, você acha que alguém conseguiu seguir a regra? Se nem os suecos que são todos certinhos fizeram isso… imagina eu! Tirando a minha total falta de coordenação motora e o mal de Parkinson que apareceu durante a gravação, só o fato de estar ali e presenciando tudo aquilo teve um gostinho muito especial pra mim.

MDNA 2012 em Gotemburgo – Suécia

As fotos também não ficaram boas, porque eram muitos efeitos de luzes e movimentos rápidos, incapazes de serem capturados com uma máquina digital simples. Mas como sou brasileira e não desisto nunca, deixo registrado aqui alguns momentos que merecem ser compartilhados.

          

Saldo do MDNA 2012 em Gotemburgo na versão sueca:

  • 40.000 ingressos vendidos;
  • Suecos insatisfeitos devido ao atraso;
  • Os suecos não gostaram da adaptação das músicas antigas para uma versão mais atual (como, por exemplo, Like a Virgin e que no show está bem mais lenta);
  • Pouca interatividade com o público.

Saldo do MDNA 2012 em Gotemburgo na minha versão:

  • Não importa quantos ingressos foram vendidos, porque eu queria era me divertir;
  • Também fiquei insatisfeita com o atraso, mas que desapareceu em segundos quando o show começou;
  • No início também não gostei da nova versão de Like a Virgin… mas no fim já estava curtindo e cantando;
  • Ela desafinou numa música e eu tenho a prova comigo, porque filmei… Ha!
  • Pouca interação com o público sim, mas nem precisava, porque o show falava por si só;
  • Produção, coreografias e time perfeitos.

Sinceramente? Ela sempre foi e será nossa eterna Rainha do Pop.

O que mais posso dizer? Foi EMOCIONANTE, porque pude ver mesmo que à distância, alguém que eu admiro desde quando tinha 10 anos. Além disso, a companhia foi pra lá de agradável, pois tanto eu quanto as meninas (Meg, Lu, Fer, Roge e Si) nos divertimos a beça. Rimos, gargalhamos, dançamos, causamos e apavoramos no MDNA 2012.

Vi ses… hej då! ;-)

14 pensamentos

  1. Olá Vânia! Sou amigo da Fer aqui no Brasil, verei esse show em dezembro! Legal seu texto, as fotos, a coxinhice rs Só um dado, Martin Solveig foi quem produziu boa parte das músicas deste último disco, MDNA. Abraço!

  2. Vc acredita qeu no show do Metallica lá na Finlândia 90% do povo estava usando o “OB” tb!?!? Dá pra acreditar? Quando eu vi não acreditei! Pelo visto todos os escandinavos são coxinhas hehehe

    Hahaha ri mto quando vc falou morrer de catapora ou enforcada num pé de couve rs

    Ahhh mas fiquei feliz com seu relato, mas não vou contar o show de quem que eu gostaria de assistir desde pequena pq é mto mico hehehe

  3. Ficou otimo Van! Super documentario… divertido e interessante como todos seus posts! Morri de rir com ” se enforcar num pe de couve” :). Foi otimo voce nao ter resistido e ter topado ir com a gente! bjoka

  4. Hahahahahaha!!!!
    Morri de rir com seu “Sueco é meio “coxinha” para essas coisas, porque qualquer barulhinho já coloca um OB no ouvido.” Eu já falei para o Joel que protetor auricular parecia um OB; foi quando a gente mudou e ele furou as paredes de casa me deu esses “tampões de ouvido” porque “a furadeira faz um barulho muito alto, machuca os ouvidos”. What?
    Pensa só: meu pai é pedreiro e eu nunca vi ele (em toda a minha vida) usar um protetor auricular enquanto usava a furadeira!!!
    E essa agora, em um show??
    Esses amarelos (como diz a Débora!)…

    1. Pois é, essas coisas ainda me surpreendem. Todos os shows que já assisti aqui a maioria das pessoas usavam esses protetores. Criança eu até entendo, mas adulto? Quer dizer sueco? Só espero que daqui algum tempo eu não esteja fazendo a mesma coisa 😀

  5. Muito legal, Va. Tbem tenho vontade de ir ao show dela, mas como vc, não tenho coragem, e tbém acho mto caro. Por falar nisso, fiquei curiosa para saber se o show aí foi bem mais barato que aqui? bjs

    1. Ma, eu adorei!!! Se tivesse mais shows dela aqui esse ano, com certeza eu iria. Sim, o preço é mais em conta do que no Brasil e chega a ter uma diferença de R$ 500,00 ou mais.

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