Coisas de sueco: no choro

Sueco não é de chorar em público, pelo menos até agora vi apenas duas cenas. A primeira cena foi de um casal andando pelas ruas de Gotemburgo e pelo que entendi ele estava terminando com ela. E a segunda cena foi da nadadora sueca Sarah Sjöström que não conseguiu se classificar em uma das competições das Olimpíadas de Londres. A atleta durante entrevista para a TV sueca despencou a chorar e saiu de cena, deixando a repórter falando sozinha e entrevistando o ar.

Fiquei bastante surpresa quando vi a atleta chorar em rede nacional, isso porque não é comum ver os suecos chorando em público e demonstrando seus sentimentos abertamente a pessoas desconhecidas. Mas, o mais legal de tudo é que depois que ela se recompôs, voltou a dar entrevista e sua energia já estava em outra vibe. Nada mais de mi mi mi whiskas sachê, muito pelo contrário, estava bastante confiante, feliz por representar a Suécia e centrada em responder as perguntas da repórter como uma legítima atleta profissional.

Acredito que no ambiente mais íntimo e familiar  as coisas sejam diferentes e todos os sentimentos são demonstrados realmente as pessoas mais íntimas, importantes e que realmente interessam. Caso eu esteja escrevendo alguma bobagem, por favor, alguém me dê um puxão de orelha, porque não tenho propriedade para falar disso, já que meu marido é brasileiro. Estou me baseando apenas em observações feitas por mim em ambientes mais abertos, como ruas, shoppings, restaurantes, cafés etc.

E escrevendo esse post até lembrei de um fato que aconteceu comigo no ano passado. Fui assistir ao filme Harry Potter e as Relíquias da Morte Parte 2 aqui na Suécia. Como eu sou meio emotiva, em muitos momentos do filme chorei. E mesmo depois quando o filme havia terminado eu continuei chorando… acho que sou meio besta, né?!

Chorei simplesmente porque não iria ter mais as aventuras do bruxinho. O fato é que a única pessoa a chorar fui eu e não vi sequer uma lágrima escorrer pelos rostos suecos. Concordo que também não era para tanto, mas tenho certeza absoluta que alguém pelo menos no Brasil deve ter chorado assistindo ao último filme. E quando o filme acabou? Nossa, que vergonha! Muitos deles ficaram olhando pra mim com cara de “O que aconteceu garota?” ou “Tá chorando por causa do Harry?”. Só posso dizer que fui a última a sair da sala, porque o mico já estava grande demais.

Mas e qual é a relação da Sarah Sjöström e Harry Potter com a teimosa aqui? A relação é que assim como os suecos, estou deixando de lado o mi mi mi whiskas sachê, aprendendo a controlar as emoções, dando a volta por cima e me reerguendo. E assim como o bruxinho, faço isso sem perder a magia de viver, o encantamento às descobertas e a perseverança de me tornar uma pessoa melhor.

Vi ses… hej då! ;-)

4 pensamentos

  1. Este aprendizado com culturas diferentes é que nos fortalece. Nós, Brasileiros, são emoção a flor da pele, mas nem sempre isto nos ajuda muito, não é mesmo? Viva a diversidade!

  2. Oi Vânia! Eu bem tento controlar as emoções mas de vez em quando também choro em público, à frente de quem tiver que ser. O último episódio foi bem recente, quando estava a dar um passeio com o Tomas (meu “sambo”) e vi um sem-abrigo na rua. Já vi muitas vezes sem chorar mas nesse dia chorei, desconcertando o meu viking. Mas ele já se habituou a estas cenas… Beijo

    1. Oi Joana!
      Eu sei bem o que é isso de chorar em público e quando temos essas reações acho que acabamos surpreendendo e muito os suecos. Ainda bem que o seu “sambo” já se acostumou a sua sensibilidade :D. Beijos!!!

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