Meu vizinho é um Horácio

Nessa longa estrada da vida, provavelmente você já deve ter encontrado algum Horácio. Pode ter sido na escola, na faculdade, no ambiente de trabalho, no condomínio do prédio, no supermercado, no cinema e por aí vai, porque a lista é imensa.

E quem é o Horácio? Olha que aqui não estou falando do seu pai, tio, irmão ou primo. O Horácio é aquele típico sujeito de braço curto, que não faz absolutamente nada e de mansinho ele vai montando nas costas dos outros, ou pior ainda, na sua.

O desenho do Horácio da Turma da Monica pode parecer meigo, mas o Horácio na vida real é bem diferente. O cara já tem as frases padrão incorporadas no seu cotidiano, tipo assim:

  • Ah, isso não é comigo!
  • Ah, isso eu não faço!
  • Ah, isso é trabalhoso!
  • Ah, isso eu deixo para outra pessoa fazer!
  • Ah, eu só quero sombra e água fresca!
  • Ah, eu quero que os outros se danem!
  • Ah, eu quero que o mundo acabe num barranco pra eu morrer encostado nele!

É aquele tipo que acha que esticar o braço para fazer alguma coisa ou ajudar o próximo dá muito trabalho. Ele não tem a capacidade de mexer uma palha sequer para fazer o bem não importa a quem.

Já esbarrei com muitos Horácios por aí. O endereço, o país e a nacionalidade podem mudar, mas as características são as mesmas.

Imagina agora um cara folgado e que se julga o esperto? O Horácio da vez é o meu vizinho. Que sujeitinho mais sem noção! Às vezes eu tenho vontade dar uns petelecos nele pra ver se o dito cujo pega no tranco e começa a esticar os braços para fazer algo produtivo ou pelo menos ter a consciência de que é cada um no seu quadrado.

Eu fiquei muito “p” da vida com ele, por causa de algumas coisas que aconteceram. Tentei manter a classe, mas não consigui ter sangue de barata. Olha só o que meu vizinho Horácio Forever já aprontou e anda aprontando comigo:

Na lavanderia: eu tinha por hábito deixar os produtos de limpeza na lavanderia de onde moro, porque até então eu era a única a usufruir de tal exclusividade, mesmo com outras pessoas morando no mesmo local.

Só que como boa capricorniana que sou eu me ligo muito em detalhes e sei exatamente quando alguém mexe nas minhas coisas. Por mais que a pessoa fale pra mim “eu não mexo em nada”, eu sei que algo está errado, porque sei exatamente como deixo as coisas.

Enfim, comecei a reparar que os produtos de limpeza estavam acabando rapidamente, principalmente o sabão em pó. E isso estava me incomodando profundamente, mas até então eu não tinha prova alguma de quem era o responsável. Até o dia que peguei no flagra o meu vizinho usando escondido os meus produtos de limpeza. O menino ficou roxo de vergonha, se atrapalhou, tentou desligar a máquina de lavar roupas e não conseguiu, quase quebrou a porta da mesma e ainda tentou se justificar pra mim. E é claro que não colou.

Poxa, ele poderia ter conversado comigo antes. Poderia ter pedido emprestado e eu teria o maior prazer em ajudá-lo. Mas não! Preferiu dar uma de espertão e acabou caindo do cavalo. A situação ficou totalmente constrangedora para o lado dele e como isso já vinha acontecendo há um bom tempo, aproveitei a oportunidade para dar uma bela invertida no garoto. E só fiz isso, justamente para que o meu espaço fosse respeitado, assim como respeito o dele e de outras pessoas por aqui.

Acho que a bronca que dei funcionou, porque nunca mais ele mexeu nos meus produtos de limpeza. E outra, sustentar um marmanjo de 25 anos definitivamente não está nos meus planos.

Na escada: o gato de outro vizinho acabou fazendo cocô na escada do menininho braço curto há alguns meses. A mesma escada que eu uso para usar a lavanderia. Acredita que o cara passava todos os dias pelo projétil e não teve a coragem de recolher? A exposição de tal objeto ficou lá por quase 1 semana.

Eu quase recolhi, mas achei muito desaforo. Sabe por quê? Porque apesar de não ser minha obrigação eu sempre limpo a escada, afinal vivemos numa comunidade e eu acho que as pessoas devem se ajudar, mas achei muita folga do indivíduo. Não é porque eu limpo a escada de livre e espontânea vontade, que preciso dar a manutenção diária. Custava esticar o bracinho curto para recolher? Bom,  depois de 1 semana o treco sumiu, agora se foi o Horácio ou outra pessoa que o fez eu não tenho ideia.

No hall: o gatinho sujismundo voltou a atacar e recentemente ele resolveu batizar o hall do andar onde moro, mas é claro que não foi em qualquer lugar, mas sim bem frente à minha porta. Enquanto eu me dirigia à lavanderia para pegar os apetrechos para limpar e desinfetar o local, acredita que o Horácio Forever saiu de seu apartamento, desceu as escadas e ainda por cima pisou no cocô. O que era pra ser algo simples e rápido de limpar acabou levando mais tempo, porque o cocô se desintegrou e aquela “areiazinha” se espalhou por todos os lados. Um pequeno desvio teria me ajudado bastante, mas tive a impressão que foi de propósito mesmo.

E hoje descobri que ele usou a minha vassoura. Ok, não há problema algum, não fosse o fato que ele a deixou cheio de cabelos e pelos loiros que não são meus. Ai, que nojo tenho disso!

Acho que no fundo ele está tentando me atingir, só porque dei uma prensa nele por usar os meus produtos de limpeza. Tenho certeza de que se fosse o contrário ele não iria gostar nadinha disso e ainda por cima eu levaria a fama de “tinha de ser brasileiro mesmo”, mas como é sueco, é meio que dois pesos e duas medidas.

Eu devo ter jogado pedra na cruz quando era criança ou devo ter sido também um Horácio em outra encarnação para acontecer essas coisas comigo… eu mereço!

Por acaso, você teria alguma atitude diferente da minha?

Vi ses… hej då! 😉

11 thoughts

    1. Hahaha como esquecer disso? Impossível!
      O pior eram as deliveries agendadas que foram deletadas do sistema e ainda tínhamos de ouvir… “não fui eu”, mesmo o sistema mostrando o usuário. Fala a verdade, eu mereço!

  1. Nossa Vania que situação mais irritante!! Tudo bem que os meus vizinhos suecos são bem folgados tbm mas não chegaram a esse ponto ainda, aqui tbm tem um gato que vive na escadaria mas ainda bem que ele ainda não fez cocô, pois se fizer eu vou na porta do dono na hora.
    Retire as suas coisas da lavanderia e não limpe se o gato sujar em qualquer lugar além da sua porta, pois enquanto vc estiver fazendo vai continuar esse abuso, apenas ignore.
    Bjos e muitaaa boa sorte com esse Horácio pentelho hahaha.

    1. Imagina uma pessoa virada no Jiraya? Foi exatamente assim que fiquei diante dessas situações… bastante enfurecida. Já recolhei tudo que era meu que estava na lavanderia. Eu gosto de ajudar as pessoas e não me incomodo de verdade. O que não suporto mesmo é que abusem da minha generosidade e que me façam de boba. Mas de agora diante as coisas serão diferentes por aqui… pelo menos assim espero.

    1. Oi Tales!
      Eu aprendi essa expressão com uma pessoa que trabalhei há muitos anos. Sempre que alguém ficava reclamando que não podia fazer algo, ela soltava o comentário “mas é um Horácio mesmo”. Depois que aprendi isso, também passei a carregar a metáfora comigo.

  2. Hahahaha! Eu morri de curiosidade para saber do tal Horácio! Nunca havia ouvido essa expressão!! Agora, cá entre nós, seu Horácio é sueco? Eu tenho uma solução fantástica para você: deixe um bilhete! Você nunca ouviu falar dos famosos bilhetinhos suecos? Pois é assim que os vikings se entendem… escreva um bilhete furioso (se quiser inspiração de uma olhada no site “Arga Lappar”) dizendo tudo que você não gosta nesse Horácio. E nem fique com medo de escrever errado não, ao contrário, escreva um ps dizendo que se sua gramática não é boa, ao menos você sabe o seu papel como boa vizinha e desempenha ele com zelo!
    Ai nossa, acho que sou muito vingativa…
    Beijos!

    1. Maria Helena!
      Essa expressão eu aprendi com uma colega no ambiente de trabalho. Sempre que alguém colocava muito obstáculo para fazer algo, ela costumava dizer “mas é um Horácio mesmo”. A equipe toda morria de rir! Eu gostei da solução proposta por você e caso eu tenha uma próxima situação desagradável com certeza vou colocar o tal do bilhete. Só espero que funcione, porque se não funcionar… vou ficar é muito brava isso sim!

      Yvonne!
      I didn’t know this form to leave a message and this is new for me. Definitely I will try the next time… if it happens again.

  3. Uff Vânia, que situação mais chata! Eu acho que ficava sem saber o que fazer, sou péssima na hora de fazer confrontos. E é como você diz mesmo, se nós damos um passo em falso ficamos marcadas com o “tinha que ser brasileiro/português/etc etc” por isso até na hora de fazer valer os meus direitos eu tenho um pouco de receio. Passo a vida com medo de incomodar alguém.

    Eu acho que passaria a guardar a vassoura e os produtos em casa, assim “mataria o mal pela raíz”. No que respeita ao cocô, eu acho que não iria retirar não, é assim que esse tipo de gente se habitua a que os outros façam as coisas por eles.

    Força Vânia, you can do it!

    Beijos!

    1. Ai nem me fale Joana. Juro que nunca pensei que enfrentaria uma situação desagradável como essa, ainda mais aqui na Suécia. Mas para evitar futuras complicações, já recolhi todos os produtos e espero que agora tudo entre nos eixos, pelo menos eu preciso acreditar nisso.

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