Cavalo de Dalarna: o símbolo que eu achei que dava sorte

Quando estive na Suécia pela primeira vez em 2006 fiquei encantada com tudo que vi, não apenas pelo país, mas também por ser a minha primeira viagem internacional. Tudo era novidade para mim e a cada lugar que visitava eu me encantava cada vez mais. Me encantei até mesmo com um dos símbolos do país, que eu julgava ser da sorte: o Cavalo de Dalarna.

Fiquei tão ouriçada, ao ponto de fazer o maridão me ajudar a subir no cavalo para eternizar esse momento, porque até então nem desconfiávamos que um dia moraríamos aqui. Eu ainda era novinha e a aquela cara de trakinas ainda estava longe de existir.

Cavalo de Dalarna-6

Não sei por que cargas d’água eu achei que o cavalo dava sorte, mas só sei que carreguei essa ideia comigo durante anos. Alguém em determinado momento comentou essa besteira, talvez algum vendedor de souvenir, e por pura falta de conhecimento e experiência acreditei que isso era verdade.

Só que agora morando na terra dos vikings minha curiosidade pela cultura sueca está aflorando e finalmente descobri que o Cavalo de Dalarna, ou melhor, Dalahästen como os suecos o chamam, não tem nenhuma conexão com a sorte.

Cavalo de Dalarna-3

Esse cavalo é um dos símbolos mais apreciados e populares do artesanato sueco, pois são esculpidos em madeira e pintados à mão, principalmente numa vila chamada Nusnäs, pertinho de Mora e que fica lá na região de Dalarna. Por coincidência, essa é a mesma área em que se originou o famoso pigmento vermelho para as casas de madeira. Parênteses: se você ainda não sabe disso e quer aprender um pouco mais sobre a cultura, eu recomendo dar uma espiada no post A tradicional casa vermelha na Suécia, tá?!

Há diversas fontes relatando sobre a história desse símbolo e algumas até meio estranhas. Alguns dizem que o cavalo era considerado um amigo fiel e trabalhador, por puxar grandes cargas de madeira das florestas durante os meses de inverno. Outros alegam que um soldado mais desastrado deixou um cavalo de madeira cair num frasco de tinta vermelha ou aqueles que juram de pé junto que o rei Gustav Vasa veio cavalgando sobre um cavalo imponente da Noruega com um adorno de rosas ao redor do pescoço. Há ainda quem diga que a dificuldade econômica do século 19 inspirou uma maior produção dos pequenos cavalos, pois serviam como um importante item de troca.

Pelo que vi há mais histórias da carochinha, isso porque antes de 1930 os relatos que giram em torno do cavalinho foram mal documentados. Mas a mais provável é que os cavalos de madeira eram entalhados usando-se uma simples faca, apenas como brinquedos para divertir os pequenos vikings.

Tradicionalmente o Cavalo de Dalarna é pintado de vermelho, num tom mais puxado para o coral, contendo desenhos em branco, verde, azul e amarelo. Mas atualmente há outras opções de cores, desenhos e materiais.

Cavalo de Dalarna-2

E não para por aí. Copos, travessas e descanso de panelas também caíram no gosto popular.

Cavalo de Dalarna-1

As lojas de souvenir oferecem chaveiros, imãs e diversos tamanhos do famoso cavalo por um precinho bem camarada.

Cavalo de Dalarna-4

Ah, mas se olhar a etiqueta com certeza estará escrito Made in China (os asiáticos estão realmente dominando o mundo).

Cavalo de Dalarna-5

Mas nem sempre o cavalinho foi famoso. O reconhecimento internacional só veio mesmo em 1939, quando o Cavalo de Dalarna representou a Suécia na Feira Mundial de Nova Iorque.

Bom, dando sorte ou não, eu tenho um imã na geladeira para garantir, porque vai que um dia a história mude e isso vá parar no Wikipedia também como o Cavalo da Sorte. Pelo menos até lá eu já estarei preparada!

Vi ses… hej då! 😉

17 thoughts

  1. Prezada D. Vania, bom dia,
    “Um amigo real que virou virtual” (no meu caso)
    Foi com muita satisfação e saudades que leio este seu artigo:
    Há muitos anos (já nem me lembro quantos, aproximadamente nos idos de 1960), conheci um sueco de Gotëborg que trabalhava na SKF e eu também na filial brasileira e que se tornou meu amigão; ele me presenteou com o referido cavalo.
    Em 1967, a firma (SKF) me enviou a Gotëborg para um estágio em suas fábricas.
    Atualmente esse amigo mora em Gotëborg com sua esposa, porém impossibilitados de viajar em virtude da idade, assim só nos comunicamos via e-mail.
    Foi providencial encontrar seu site e parabéns por divulgar a nós coisas da Suécia, um país com uma cultura espetacular.
    Abraços e felicidades

    1. Olá Sr. Ciro!

      Às vezes eu ainda me surpreendo do que a internet é capaz. Conheci pessoas de boa índole e criei laços de amizade que jamais pensei que um dia eu o faria através dessa ferramenta. Na minha opinião, o melhor de tudo isso, é essa troca de experiências.

      Sempre que eu recebo um feedback como o seu, me sinto com as energias recarregadas para compartilhar mais coisas da cultura sueca, principalmente para as pessoas que estão no Brasil. É aquele incentivo que faz com que eu continue minhas pesquisas em assuntos que ainda desconheço.

      Eu gostei muito que o senhor tenha compartilhado comigo a sua história de amizade e a experiência que teve em Göteborg na década de 60. Com certeza, são boas lembranças e que jamais devem ser esquecidas.

      Muito obrigada pelas lindas palavras e pelo carinho.

      Desejo muitas felicidades ao senhor também.

      Um grande abraço.

  2. E não é que vc subiu no cavalo?! Hahah
    Ganhei um cavalinho sueco de presente do meu pai há mais de 10 anos – de cristal, lindo! Vai que ele me dá um pouquinho de sorte também, né?!
    beijos

    1. Subi sim, mas tive de fazer isso à noite, porque durante o dia só havia crianças e aí que fiquei morrendo de vergonha 😀

      Nossa, de cristal? Deve ser a coisa mais linda!!! Então aproveita, por que de repente a sorte pode ser dobrada, hein?!

      Beijos

    1. Oi Matheus!
      Claro, se você tem alguma dúvida sobre Gotemburgo ou se eu puder te ajudar de alguma forma, é só enviar uma mensagem através da página “Contato” que eu responderei assim que possível. Beijos

  3. Em Estocolmo tem uma loja em Gamla Stan que o dono auto intitula museu do cavalinho. Lá ele tem alguns cavalos de mais de cem anos de idade, de diversas cores e tamanhos. De acordo com o folder e explicação dele (fiquei mais de uma hora conversando com ele) os primeiros cavalinhos foram feitos em homenagem ao amigo fiel que dormia nos estábulos, já que sem ele, não havia muitas chances de vida no inverno congelado…

    1. Mais uma historinha para entrar no post! Eu estive nessa loja há muitos anos, mas não me recordo muito bem. Espero em breve poder visita-la novamente. Valeu pela dica e pela história também :D. Beijos

    1. Nada como o nosso amigo Wikipedia para tentar nos salvar e olha que ele já me salvou e muito. Mas dessa vez descobri que nem sempre ele ajuda, viu… são tantas histórias que da para ficar meio perdida no meio delas :D. Beijos

  4. Eu adoro esses cavalinhos da sorte 🙂 São tão bonitos!!
    E me explica como é que você estava tão morena nessa foto? Qual o truque?
    Beijos querida! *

    1. Eu também gosto viu, apesar de só ter mesmo o imã de geladeira. Mas sempre que posso eu faço propaganda dele e ainda digo que dá sorte kkk. 😀

      Nessa época eu estava bronzeada porque tinha feito “bronzeamento artificial” no Brasil. Eu era meio maluquinha e nem ligava para os efeitos, mas não recomendo para ninguém. A última vez que fiz foi em 2006 antes de passar as férias na Suécia. Agora ando tão branca, que ando parecendo a prima do Gasparzinho!

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