Nya Älvsborgs Fästning: a fortaleza que protegeu a Suécia na Grande Guerra do Norte

Desde que cheguei a Gotis City eu sempre tive vontade de ir até uma das fortalezas mais famosas da cidade. Porém, como o maridão nunca se empolgou muito, eu acabei desistindo da ideia. Até que no verão passado, quando uma amiga estava me visitando, finalmente surgiu à oportunidade de fazer o tão sonhado tour. Foi aí que eu vi a chance de arrastá-la até lá para conhecer e aprender um pouco mais sobre a história local. E juro que foi fácil convencê-la a me acompanhar.

Só para entender um pouquinho, existiu uma fortaleza chamada Gamla Älvsborgs Fästning (Velha Fortaleza de Älvsborgs), que com o passar dos anos foi transferida para outra ilha, dando origem ao que temos hoje como Nya Älvsborgs Fästning (Nova Fortaleza de Älvsborgs). A história conta que ela foi construída em 1653 e serviu para proteger a Suécia de uma das batalhas mais famosas da história, que foi contra a Dinamarca, durante o último período da Grande Guerra do Norte. Os dinamarqueses trouxeram sua frota de navios para tomar Gotemburgo, só o que eles não contavam é que encontrariam a Holanda como aliada para defender a cidade. E obviamente a invasão saiu pela culatra.

Histórias de 1600 e trá-lá-lá, hoje a fortaleza é considerada um dos pontos turísticos mais visitados durante o verão. Eu já tinha escutado alguns depoimentos sobre a visita e confesso que até fiquei com uma pulga atrás da orelha se realmente valeria à pena. Ouvi argumentos positivos e outros que não recomendavam de jeito nenhum a visita. Só que eu precisava verificar com os meus próprios olhos para tirar as devidas conclusões. E lá fui eu!

Para se chegar até o forte à única opção é ir de barco, não tem jeito. O navio sai de Lilla Bommen, localizado no centro de Gotis City e seu percurso leva em torno de 30 minutos. É uma linha direta até lá e você desembolsa aí 160 coroas (mais ou menos R$ 53,00).

O trajeto pelo mar é bem tranquilo e se o tempo estiver bom dá para sentar do lado de fora do barco e apreciar a paisagem. Agora, mesmo que seja verão e o dia esteja lindo, é necessário levar um casaquinho mais leve e colocar lenço no pescoço, pois venta muito durante o percurso. Quando eu fui, o dia estava deslumbrante, mas com uma temperatura de 10 graus e eu tive de usar uma blusa mais parruda.

E tem mais, se você tem cabelo comprido, use um elástico, prendedor de cabelos ou outra coisa, porque eles ficarão muito embaraçados. É claro que dá para ficar sentadinho do lado de dentro, longe do frio e do vento, mas sabe como é, turista que é turista precisa aproveitar todos os momentos. E mesmo eu sendo moradora da cidade, ainda tenho esse espírito de aproveitar e conhecer cada cantinho.

Chegando lá é possível ter uma visão geral do que a visita nos reserva.

Uma das coisas que eu não sabia, mas que fizeram toda a diferença foi o tour guiado. Duas gurias, trajadas tipicamente da época, levou o grupo de turistas a fazer o percurso por toda a fortaleza. Elas fazem uma espécie de teatro e contam toda a história do local, vez ou outra também inserem piadinhas em relação aos dinamarqueses e tentam entreter o público como podem. O tour é todo feito em inglês, o que facilita bastante a compreensão da história. Além disso, elas mudam os acessórios e interpretam vários personagens.

Uma das coisas que eu gostei foi desse pequeno altar construído durante a guerra. O tecido utilizado é o mesmo das fardas dos soldados na época, um azul-marinho bem escuro.

Nesse mesmo espaço onde está o altar há uma placa na parede que ainda carrega uma das balas de canhão dinamarquês. Há quem duvide, mas segundo a encenação das gurias isso é a mais pura verdade. Eu só sei que eu acreditei. Será?

Assim que saímos de lá, foi possível ver nas paredes externas outras balas dos canhões. Ouvi gente dizendo que elas foram colocadas ali propositadamente e até deu essa impressão mesmo. Talvez seja porque as paredes haviam sido pintadas recentemente. Mas vai saber, né?

Visitamos o cômodo dos prisioneiros que ajudaram a construir a fortaleza. Detalhes de como eles viviam nesse pequeno espaço e de como eram tratados também foram encenados pelas gurias.

No dia que eu e minha amiga visitamos o local, o grupo de turistas era basicamente de adultos. Havia apenas três crianças e um bebê. Os pais que estavam com o bebê, tiveram de carregá-lo no colo, pois era impossível se movimentar com o carrinho por determinados lugares, devido a algumas escadas, rochas e passagens meio impróprias realizadas durante o tour.

Além disso, uma mãe sueca reclamou que a encenação estava em inglês e que ela queria ouvir a história na língua dela, ou seja, em sueco, pois as crianças não compreendiam o que estava sendo dito. Porém, uma das gurias explicou para a mãe que o tour era somente em inglês e que não tinha como alterá-lo. Só que no fim, acho que ela ficou com peso na consciência e acabou cedendo, explicando apenas pequenas coisas em sueco para que essa mãe e seus filhos não boiassem tanto assim.

Outra coisa que notei é que havia algumas pessoas de idade e essas tiveram dificuldade para se locomover, justamente por causa de passagens entre algumas rochas. Talvez essas questões possam comprometer um pouco a diversão e desconheço que tenha sido feita qualquer mudança para a temporada desse ano, mas acredito que tudo esteja da mesma forma que o ano passado.

Há uma cafeteria também, onde é possível tomar um café e comer uns sanduíches. E se por acaso alguém quiser levar seu próprio kit de comilança não há problema alguma, pois há mesas disponíveis pelo local. Aqui estão algumas fotografias que tirei de lá.

A fortaleza é pequena e sem um guia turístico por perto, realmente você pode acabar se decepcionando. Eu falo isso porque quinze minutos são mais do que suficientes para conhecer a fortaleza toda e tirar as devidas fotos.

Para mim o passeio foi incrível! Não apenas por conhecer um pouco da história do país, mas também porque as gurias atrizes fizeram toda a diferença para tornar a visita mais emocionante e agradável. Se eu tivesse ido sem saber absolutamente nada sobre o local ou se elas não estivessem lá para me salvar, com certeza eu ficaria muuuuuito decepcionada. Portanto, se você pensa em visitar Gotemburgo e estiver nos seus planos dar um pulo até o Nya Älvsborgs Fästning, verifique no momento da compra do ticket quais são os horários que o tour das gurias estará disponível, pois assim você terá realmente uma visita que valerá a pena.

Vi ses… hej då! ;-)

6 thoughts

    1. Eu até entendi um pouco do sueco, já que estou estudando, mas eu tenho de concordar com você que o inglês foi muito melhor! rs

      Tem outros passeios que eu fiz e que são parecidos com esse. Assim que eu conseguir quero colocar aqui no blog também. Afinal, é sempre bom relembrá-los.

      Puss!

  1. Oie Van 🙂
    #vixe cada dia eu venho com um apelido diferente. I’m sorry kk. Se te incomodar pode falar rs. Ficaram lindas as fotos das paisagens. Adoro esse tom meio antigo que o Nya Älvsborgs Fästning deixa para o público e os turistas. A história do lugar (que eu não conheço) deve ser fantástica e importante para os nativos #euacho, mas muitos não devem nem gostar desse tipo de tour por não gostarem de história e acham tudo isso muita falação e lorota. Mas eu gosto bastante de descobrir as coisas (principalmente coisas antigas). Desde pequena acho que tenho o espírito aventureiro. Ah e antes que eu me esqueça continue postando sobre suas andanças por Gotis City, como eu já disse adoro ler o diário.
    Puss och kram :*

    1. Oi Livia!
      Você sabe que pode me chamar como quiser, né? Cada um dos meus amigos também me chamam por um nome diferente e já estou bastante acostumada a isso, portanto, não se preocupe ;-).
      Quando eu era mais nova eu não curtia muito esse tipo de passeio, porque achava meio chato, cansativo, assim como você disse. Só que tô achando que o passar dos anos me fez tão bem. Acho que agora eu sou uma das frequentadores mais assíduas desse tipo de turismo. Acho legal conhecer o lugar e a história, principalmente quando envolve a forma como as pessoas viviam e até se defendiam.
      Mais uma vez obrigada pela visita e pelo carinho. Gracinha!!!
      Puss, puss, puss!

  2. Eu me surpreendo com a paisagem… parece casinhas de “LEGO”… e um pouco de história sempre cai bem. Bjks 🙂

    1. Oi Alice!
      Eu também curto muito a paisagem dos lugares que costumo ir, agora casinha de “LEGO”? Nem tinha pensado nisso e olha que eu adorei a ideia haha.
      Beijos

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