Suecos são reservados. Mito ou verdade?

Verdade! Pelo menos em minha opinião até agora.

Já faz algum tempo que assisti a um programa chamado Allt för Sverige (em português Tudo pela Suécia), em que o apresentador, além de orientar os participantes nas competições, ainda falava um pouco sobre a cultura sueca. Sem dúvida, essa última parte era a que mais interessava a mim.

Em um dos programas ele abordou a questão dos suecos serem reservados. Ele comentou que morou em um prédio, aqui em Estocolmo, durante 20 anos e que conheceu apenas um vizinho. Mas o que me chamou a atenção não foi isso, mas sim o fato dele ter comentado que antes de abrir a porta, os suecos olham primeiro pelo olho mágico e verificam se há alguém no corredor/escadaria. Caso tenha, eles esperam dentro do apartamento até que a pessoa tome o seu rumo, ou seja, que a “passagem” esteja livre. E por que essa atitude? Simplesmente, para evitar ter de falar com os vizinhos.

Suecos são reservados

Medo, timidez ou cultura? Talvez seja cultural mesmo. O próprio apresentador ainda comentou que a muitos anos atrás os suecos viviam basicamente no campo. Como a distância entre uma casa e outra era bem longe, o contato com os vizinhos era mínimo. Portanto, essa história de ficar entre fricotes e tricôs não existia.

E mesmo atualmente esse hábito não mudou muito. Um amigo sueco me disse certa vez, que suecos são as pessoas mais conectadas do mundo, mas quando se fala em ter contato “face to face”, o cenário muda um pouco. São mais introvertidos e vivem dentro de seus próprios casulos.

Não sei se chega a ser esse extremo, mas eu acredito que essa questão de ser mais reservado se aplica às pessoas que não tem intimidade e que não as conheça direito. Por exemplo, aqui não existe essa tal coisa de sair beijando todo mundo no rosto. Isso é bastante pessoal e basicamente restrito ao marido/esposa, “sambo” ou namorado(a). E o abraço então? Bom, isso é somente para os amigos. Mas se você é apenas um conhecido, acredite, um simples aperto de mão é o suficiente para demonstrar cordialidade e satisfação desse encontro.

Há também pessoas que dizem que essa questão de se relacionar tem algo a ver com o clima: “se está frio e molhado é menos provável de ter tempo para parar e conversar com as pessoas na rua”. De verdade? Eu acho isso conversa para boi dormir, pois nada como alguns goles de qualquer bebida alcoólica para resolver isso num vapt e vupt e fazer com que todos soltem a franga numa só felicidade.

O fato é que na cultura sueca querer saber mais sobre a vida pessoal do outro pode demonstrar grosseria. O que os suecos estão fazendo é apenas respeitando o espaço de cada um. É claro que com o tempo e o florescimento da amizade essas questões vão sendo deixadas de lado. Com certeza qualquer um poderá se surpreender como eles podem ser simpáticos e acolhedores.

Portanto, não se espante se ninguém te “interrogar” num primeiro contato, afinal a comunicação sueca basicamente é “falar é prata, calar é ouro”. Bom, acho que esse ditado pode ser aplicado em qualquer cultura, não é mesmo?

Com a nova geração de suecos chegando e mudando alguns costumes, vamos aguardar e ver se esse hábito será mantido.

Vi ses… hej då! 😉

11 thoughts

  1. Olá Vania. ótimo esse seu blog. MInha origens são suecas, inclusive no RS, temos uma placa com homenagem aos imigrantes suecos da época. O mais impressionante é que meu perfil é exatamente esse, reservado e discreto. Não estou errado quando digo que tenho mais de sueco do que brasileiro!
    E acho muito estranho ter nascido aqui no Brasil e não aí… e constantemente digo> EU DEVIA TER NASCIDO NA SUECIA hehehehe mas bem… essas coisas da vida não pra saber não é, então vamos se virando.
    Sucesso!

    1. Olá Adonis!
      Uau, que chique essa história de plaquinha de homenagem, hein? Gostei de saber que você tem um pezinho nas terras nórdicas. Depois de alguns anos morando na Suécia eu já começo a pensar do mesmo jeito, viu? Ser reservado e discreto é o que há. Se bem que eu já era assim no Brasil e acho que aqui isso apenas foi potencializado. Entretanto, gosto muito de manter a alegria quando estou com as pessoas que amo e acho que nisso, nós brasileiros, somos imbatíveis.
      Valeu pelo carinho! Puss! 😉

  2. Na verdade eu não estranho os suecos. Sou de Santa Cruz do Sul no RS e nós somos conhecidos justamente por sermos fechados. Sempre ouvi de pessoas que se mudavam pra cá que era difícil se entrosar. Isso já mudou nos últimos anos desde que temos uma universidade grande. Mas as primeiras vezes na vida que eu fui a outros lugares do Brasil, estranhava que as pessoas eram tão expansiva, parecia que todos queriam se meter na minha vida! Engraçado né? Então acho que Santa Cruz me fez entender bem os Suecos e acho o jeito deles natural. E ainda, o Tobias, meu marido sueco, não é dos mais tímidos, ao menos não quando está aqui no Brasil.

    1. Não posso reclamar de absolutamente nada sobre isso dos suecos. Acho que eles são muito discretos em não se intrometer na vida alheia (mesmo sabendo que muitos deles podem falar de você pelas costas). Acho ótimo cada um ficar no seu quadrado e gostei de saber que você pensa da mesma maneira. Ah, eu não sabia da existência dessa cidade. O nosso Brasil é enorme, né? 🙂

      1. Pois é, Santa Cruz é uma cidadezinha alemã no Rio Grande do Sul, muito bonita por sinal 🙂 Não moro lá agora, já que passo a maior parte do tempo em Santa Maria, ondem tem a Universidade Federal. Também não reclamo desse jeitos dos Suecos… e também, depois que a gente faz amizade, eles se soltam né? Até piadas eles fazem 😀

  3. Se os suecos são reservados, os japoneses então são estátuas de gelo rs. Por ter passado 4 anos no Japão acostumei com a “frieza” e acho que herdei um pouco disso. Sou mais assim vira e mexe encontro ingleses que são mais “dados” do que eu auahauahua

    Kisu!

    1. Eu trabalhei muitos anos numa empresa japonesa e sei exatamente o que você quer dizer com “estátuas de gelo”. Por outro lado, quando eles gostam de alguém, os japas gostam mesmo!!!
      É engraçado como o ser humano é versátil, a gente vai se habituando a cultura local e quando alguém é um pontinho fora da curva a gente já acha estranho rs.

      Puss!

  4. Bom não se intrometer é uma coisa que concordo, falar menos da vida alheia é excelente… Agora não abraçar, beijar… não sei se consigo… Antes de sair pelo mundo vou precisar ler uma manual de boas maneiras europeias kkkk…..

    1. É engraçado como a gente realmente se acostuma com o local. Me lembro de que quando cheguei na Suécia eu beijava as pessoas e todo mundo me olhava como se eu fosse um ET. Hoje em dia eu acho estranho quem me beija. Acredita que quando estou de férias no Brasil eu levo um tempo para começar a beijar as pessoas rsrs.
      Não precisa de manual, basta observar as pessoas. Linguagem corporal é tudo!

  5. Acho que isso vale pro pessoal aqui na Holanda também. Nas poucas vezes que conseguimos uma aproximação com vizinhos ou colegas foi porque alguém na casa não era holandês, então quebrava um pouco o gelo. Existe uma barreira bem grande entre os universos pessoais de cada um, mas não quer dizer que não exista uma curiosidade grande com relação a culturas e hábitos diferentes como os nossos. Quando damos uma abertura eles perguntam mesmo!!! 🙂
    Beijos!

    1. Eu concordo com você Fabricio e é exatamente assim que acontece por aqui. Também notei que quando falo que sou brasileira, parece que essa barreira cai completamente e eles ficam bem mais leves e soltos para perguntar tudo que tem direito em relação à nossa cultura e até mesmo compartilhar as próprias aventuras em terras brasilis.
      Beijos.

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