A Suécia e o modo “lagom” de ser

Primeiro quero agradecer a Ann pelo convite e dizer que estou bastante entusiasmada em poder compartilhar as experiências que tenho vivenciado nessa terra de gigantes, ou melhor, de vikings que é a Suécia. Portanto, tack så mycket Ann! (Muito obrigada).

Acho importante dizer que esse texto não reflete o que é certo ou o que é errado e nem tampouco tem o objetivo de criar uma imagem de país perfeito. Mas sim de mostrar a Suécia sob a perspectiva de uma brasileira, que se apaixonou pelos encantos da terra dos vikings e que tem como base nada mais que suas impressões e experiências pessoais. Bom, mas chega de enrolação e vem comigo.

São diversos assuntos a serem divididos, que confesso que fiquei na dúvida por onde começar. Até que eu decidi parar para refletir, organizar as ideias e tomar aquele fôlego, afinal tudo precisa ser feito com moderação. Já explico onde quero chegar.

Existe um velho ditado que diz “Quer aparecer, então coloque uma melancia no pescoço”. Isso é sarcástico na cultura brasileira, mas essa história de querer aparecer não tem nada de bom. Nem no Brasil, nem na Suécia e em nenhum lugar. E não estou falando da questão de como se vestir. Nada disso! Estou me referindo simplesmente ao comportamento. Nas bandas de cá o importante é ser “lagom”. As crianças aprendem desde cedo a serem “lagom”. Os adultos são “lagom”. Os idosos são “lagom”. A sociedade é “lagom”. Até os cachorros são considerados “lagom”. E eu estou aprendendo a ser uma pessoa “lagom” também, mas nem tanto assim.

Mas afinal de contas o que é ser “lagom”? É uma palavra sueca um pouco difícil de ser explicada, já que não existe uma tradução direta nem para o inglês e nem para o português (mesmo o Google Translate insistindo em fazer o seu trabalho). Ser “lagom” na Suécia é ser moderado, apropriado, apenas o suficiente, ou seja, nem mais e nem menos, nem bom e nem mau. Não é “lagom” competir com as pessoas, não é “lagom” querer se mostrar, não é “lagom” querer saber mais que os outros. Você precisa ser na medida certa.

lagom

E por que é tão importante ser na medida certa? Porque a sociedade sueca foi formada nas bases do consenso e da igualdade, onde ninguém é melhor que ninguém e todos possuem os mesmos direitos e obrigações. Mas se tivesse que traduzir isso numa visão mais romântica e bonitinha eu diria que ser “lagom” é ser cool, é se encaixar na sociedade.

Um exemplo disso é que não importa se você é um PhD em astrofísica ou se é um atendente numa cafeteria. Na Suécia é comum você ver pessoas com backgrounds tão diferentes conversando sobre assuntos comuns. Sabe, coisas simples do cotidiano mesmo. Você ter um bom nível de educação, sem dúvida abre as portas para o mercado de trabalho, te traz reputação, mas isso não te faz melhor que ninguém. Não existe hierarquia. Não existe o jargão “Você sabe com quem está falando?”. Afinal, todos são iguais!

E como as emoções se encaixam nisso tudo? Da mesma maneira, com demonstrações de afeto na medida certa. Portanto, gritinhos, abraços de urso e gargalhadas exageradas, estão totalmente fora de cogitação (a menos é claro que você esteja entre amigos pessoais ou tenha tomado uns goles a mais… aí tudo bem).

No geral as emoções são mais tímidas e consequentemente contidas. Aqui tudo é baseado na interpretação dos sinais, mas esses sinais são tão sutis, que apenas suecos conseguem ler a linguagem corporal de outro sueco. Mesmo quando eles estão “p” da vida com alguma coisa, o sentimento não vem à tona. Eles ficam sérios e com cara de que está tudo sob controle. Silenciosos, contidos e indiferentes, mas saiba que por dentro é um grito de fúria que só. É um completo vulcão em erupção.

O problema é quando você chega numa cultura com valores tão diferentes, que realmente fica difícil saber qual é o limite de “lagom” aceitável. Essa questão da moderação ainda é um pouco engraçada para mim, pois por mais que eu tente ser 100% “lagom”, ainda sei que tenho um longo caminho a percorrer. E de verdade? Eu não quero ser assim o tempo todo. Às vezes, extravasar um pouquinho alivia não somente a tensão, mas como a alma também.

Gosto de ser eu mesma. Gosto de manter a essência daquela menina teimosa que saiu do Brasil atrás de seus sonhos. Gosto de dar minhas opiniões, mesmo quando elas não são as mais aceitas. Gosto de abraçar as pessoas e de esbanjar um sorriso estampado no rosto. Gosto de ter um gingado a mais. Gosto da naturalidade da dinâmica brasileira. E convenhamos isso não tem nada de “lagom”, não é mesmo.

Portanto, quando vir à Suécia, você já sabe, mantenha-se “lagom”, mas sem perder a espontaneidade. Afinal, suecos gostam de brasileiros!

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Esse texto foi publicado originalmente no site Brasileiras pelo Mundo.

Vi ses… hej då! 😉

30 pensamentos

      1. Ola Vania …meu nome é Fabio e trabalho em uma empresa sueca ha mais de 20 anos, a Scania, ja estive algumas vezes na Suecia, conheço bem a cultura, mais sempre me atentei as minhas demandas, ou seja me adaptei profissionalmente a cultura da empresa mais nunca pensei como seria minha vida na Suecia com familia…o fato é que devido a crise economica no Brasil estou buscando um trabalho na propria Scania e portanto terei que levar minha familia, esposa e 2 filhos, 11 e 4 anos….não me preocupo muito com o de 4 anos, imagino que ele vai ter menos dificuldade…mais o de 11 esse sim me preocupa muito…ele é timido e reage mal a mudanças seja ela qual for, uma mudança dessas será muito grande para ele e me preocupo muito com isso…minha esposa tbm pois ela não fala nem ingles…menos mal ai vai pra o sueco direto ..bom, voce teve alguma experiencia dessa com filhos? eu tenho amigos chilenos e cubanos que vivem na Suecia e relatam que há sim muito bullying na escola com estrangeiros….abraço e obrigado.

        1. Olá Fábio, tudo bem? Primeiramente obrigada pelo seu comentário. 🙂

          Não sei se consigo contribuir com muitas informações, pois como não possuo filhos meu conhecimento com relação à adaptação das crianças é superficial. Porém, irei compartilhar a experiência de uma amiga e que talvez o ajude a entender um pouco mais sobre como as coisas funcionam por aqui.

          Bom, essa minha amiga, o marido e o filho de 7 anos mudaram para a Suécia há mais ou menos uns quatro anos. Assim que eles chegaram o filho foi matriculado em uma escola sueca. Porém, depois de uns 10 dias ela foi chamada na escola para conversar com a professora. A professora informou que o filho teria de ser transferido para uma escola preparatória para aprender o idioma local, já que a escola não poderia fazer isso. O problema que surgiu é que ele não estava aprendendo a nova língua, não estava acompanhando as aulas e não conseguia se comunicar com os demais colegas de classe. Além disso, a professora não teria como dar atenção exclusivamente para ele, já que ele teria de aprender o idioma do zero e a turma estava em outro nível de aprendizado.

          No entanto, a própria escola se envolveu na transferência dele para essa escola preparatória e garantiu que assim que ele tivesse conhecimento da língua local (o sueco) ele voltaria para a mesma escola para continuar os estudos. Ele ficou nessa escola aprendendo o sueco por cerca de oito meses. E realmente isso aconteceu! Depois desse período ele voltou para a escola que inicialmente havia sido matriculado. Toda a educação dele está sendo realizada em sueco e por essa razão os pais não tem nenhuma despesa financeira com material, mensalidade etc., já que o governo está financiando. Em casa, tanto ela quanto o marido, conversam apenas em português com ele para que ele não esqueça o idioma materno.

          No caso da adaptação ela disse que os dois primeiros meses foram frustrantes para o filho, justamente por não conseguir interagir com crianças da idade dele. Porém, como nessa escola preparatória havia crianças nas mesmas condições que ele, aos poucos ele começou a se enturmar e depois que começou a ter conhecimento da língua as coisas ficaram mais fáceis.

          Hoje, ela e o marido consideram que ele está totalmente adaptado à escola e à cultura sueca. Tanto, que ele fala em não voltar mais para o Brasil, pois ele gosta daqui. Quer aprender outros idiomas, viajar e tem vontade de morar em outros países. E isso porque agora ele só tem 11 anos. Acredito que nesse caso o incentivo dos pais também foi primordial, já que eles também gostam da Suécia. No início ela não trabalhava, então, ela procurava dar toda a atenção ao filho para que ele não se sentisse excluído por causa dessa mudança.

          Agora, você tem a opção de matricular seu filho em uma escola onde as aulas sejam ministradas em inglês, as chamadas escolas internacionais. Conheço alguns brasileiros que vieram com seus filhos pequenos/adolescentes e os matricularam na escola internacional, justamente pelo idioma ser o inglês, porém, quem arcava com toda a despesa educacional eram as empresas contratantes (isso irá variar de empresa para empresa, dependendo do tipo de contrato assinado entre as partes). Muitas dessas crianças nem conhecimento do inglês possuíam e também aprenderam na escola.

          Bom, espero que eu tenha conseguido te ajudar um pouco.

          Abraços.

  1. UAU! Você é um sucesso! Que postagem mais interessante! Achei o máximo essa coisa de lagom, mas como você disse bem no finalzinho, acho que eu nunca serei 100%. Eu adoro dar risada alta e devo confessar que sou apenas um pouco moderada. Mas é muito interessante saber do comportamento em outros países, acho até que os alemães também são muito lagom!
    Parabéns teimosa! Você é uma menina de ouro!
    Super beijo procê!
    Ana

    1. Haha… nem tanto Ana! Mas fiquei bastante surpresa com o convite e muito feliz é claro por essa oportunidade. No início não sabia ao certo o que postar. Fiz uma lista imensa de assuntos e no fim das contas falei sobre algo que não estava nela rs. Achei que seria interessante compartilhar um pouco o jeito sueco de ser e fazer um link sobre como eu me sentia frente a tudo isso (com culturas tão diferentes). E o resultado saiu do jeito que eu queria! 😀
      Só morando em outro país pra gente aprender determinadas coisas. E o melhor de tudo é que além de aprender sobre a cultura da Suécia, ainda aprendo sobre a cultura de outros países através de vocês. Isso é fantástico!
      Aninha, muito obrigada pelo carinho e saiba que a menina de outro aqui é você viu? (tô emocionada até agora com o seu texto sobre o ex-aluno).
      Puss!

  2. Vânia, acho que no fundo, no fundo eu sou meia “Lagom”, hahahahahahahahaha. Nunca fui afeita a manifestações exageradas de afeto em público, nada de espalhafato, hahahahaha. Sempre achei breguíssimo aquelas pessoas que iam em público declarar o amor a fulano ou a sicrano e, se acontecesse isso comigo, acho que eu morreria de vergonha. Ainda hoje, por exemplo, pelo FB, as vezes vejo tanta exposição, que fico até com a tal da vergonha alheia por achar constrangedor para tal pessoa se expor tanto :D. Mas essa sou eu! Cada um sabe a melhor maneira de ser feliz né?! Quem sou eu para julgar??? 😛
    Eu tb vejo na sociedade suíça uma certa dose de “Lagom”. As vezes a gente até espera mais espontaniedade, mais euforia, mas tudo permanece assim, como você citou: equilibrado, moderado, rs… A gente aprende que menos é mais. Mesmo!! :-). Bjs.

    1. Quer dizer que você sempre teve esse espírito sueco escondido dentro de você? Hahaha!
      Eu já fui espalhafatosa assim, que vergonha haha… daquelas de fazer os outros quererem se esconder. É claro, que isso foi há muito e muito tempo atrás, acho que quando eu tinha uns 20 anos. Posso dizer que isso é compreensível, né? 😀

      Mas nada como a experiência para fazer a gente melhorar de atitude e ser mais discreto nas relações. Porém, com os meus amigos mais chegados eu continuo a mesma, principalmente quando estou no Brasil. Abraço, beijo e dou muitas gargalhadas, mas só com quem é íntimo mesmo.

      Agora com relação ao FB eu concordo contigo em grau, número e gênero. Fico chocada como muita gente perdeu a noção de como se comportar nas redes sociais. Só resta olhar e dar risada. Mas foi como você disse, cada um sabe de si. Só acho que o problema é quando as pessoas começam a tirar suas próprias por “coisas” da vida pessoal que caem na rede. Isso é realmente um problema sério.

      Ultimamente tenho lido bastante a respeito da sociedade suíça e vejo que há muitas similaridades com a Suécia, principalmente no quesito comportamental. Talvez, esse seja mais um motivo para tanta gente confundir Suíça com Suécia.

      É sempre tão bom quando a gente pode aprender sobre as culturas, né?

      Puss!

  3. Adorei o post!! Parabéns!!!
    Acho que a gente tem também um lado “Lagom” de ser…às vezes um pouco escondido, e quando moramos em terras diferentes, creio que ele aparece!! 🙂
    Beijos

    1. Ana!
      É verdade, a gente tem esse “lagom” dentro de nós. Se bem que a gente pratica também, mas talvez não dá forma como quando moramos fora. Acho que isso e muitas outras coisas vêm à tona quando mudamos de país. Aprendemos mais e consequentemente abrimos nossa mente. Será que poderíamos considerar isso também como uma evolução da espécie? 😀
      Muito obrigada pelo carinho.
      Puss!

  4. Oie Vanoca ,
    Adorei o seu texto e a mensagem que passou para nós brasileiros a respeito do modo de vida e de convivência dos suecos , deve ser um pouquinho complicado conviver com pessoas que não expressa muito o que está sentindo . A adaptação ao “lagom” é meio difícil , mesmo até por que o brasileiro tem o jeito espontâneo de ser pra quase tudo, mas comparar o tal do jeitinho brasileiro com o de ser com “lagom” é tentar ser totalmente diferente , mas afinal brasileiro é brasileiro kk . E confesso tem horas que sou a favor do lagom , detesto pessoas que querem ser melhor que os outros.

    E que orgulho da #Teimosa , agorinha vai ficar famosa hein !! rsrs

    Puss och kram :*

    1. Livia lindinha do meu coração!
      Que bom que você gostou. Eu queria mostrar um pouco esse lado dos suecos mesmo. Muita gente acha que eles são frios, mas há razões para isso. E a gente percebe que não somente os pais, mas a sociedade com um todo tem influência na formação do cidadão de amanhã. Tudo é uma questão cultural! Pra gente que vem de uma cultura diferente, isso nem sempre agrada e às vezes é visto com maus olhos. Porém, eu acho que a gente deve ter a mente e o coração abertos para o novo e procurar ver sempre as coisas com olhos positivos.

      É claro que eu não consigo ser assim “lagom” o tempo todo e nem quero me converter completamente. Mas aprender sobre a sociedade sueca tem me ajudado e muito a entender o comportamento deles e eu tenho tirado muitas lições para a minha vida. Principalmente, quando a gente fala das relações interpessoais.

      Saiba que eu gosto muito dos seus comentários e pode ter certeza de que sinto falta quando você não visita o diário. Você já faz parte dele, tá? E nem venha me dizer que não, porque não aceitarei “NÃO” como resposta (deixando todo o meu lado “lagom” de lado agora rs).

      Puss!

      1. Fico muito feliz em saber que faço parte do Diário *——-*
        E eu também sinto a sua falta , quando não vejo post novo no instagram e nos demais , enfim … Sempre que eu posso passo por aqui mesmo sem comentar os meus quase textos .. adoro o Diário .. Ha , você achou que eu iria ficar sem bater o meu cartão por aqui ?? De jeito nenhum .. =)

        Puss och kram ;
        Och tack för omsorg #Vanoca 🙂 –> Eu tentando escrever o que aprendi em sueco haha

        1. Ai que linda! Ganhei o dia! 🙂
          Não estou conseguindo postar tanto como fazia antigamente. Vou ver se consigo colocar pelo menos 3 posts por semana, mas com a correria do dia a dia acaba não dando certo. Vamos ver!
          E obrigada novamente por suas visitinhas! 😉
          Puss!

    1. Renata!
      Confesso que não foi fácil escrever o texto, porque mesmo com um termo tão simples é difícil traduzir em palavras. Mas fiquei feliz com o resultado final, pois estou tendo um retorno bastante positivo, tanto das pessoas que conhecem a cultura como daqueles que tem algum interesse pelo país.
      Muito obrigada pelo carinho e que Deus te ilumine muito. Hoje e sempre!
      Puss!

    1. Maria Caipira!
      Eu sei que você não gosta que diga isso, mas FOI VOCÊ QUEM DISSE! haha (piadinha interna).
      Muito obrigada por todo o carinho que você sempre teve comigo. Por me incentivar e me colocar lá pra cima quando eu tinha minhas dúvidas em que rumo tomar com o blog. Hoje posso dizer que me encontrei com ele. Finalmente! 😉
      Puss!

  5. Antes de mais nada parabéns pelo convite. É sempre prazeroso saber que os outros encontram em nós qualidades com as quais pretendem partilhar algo. Depois, o post. Eu sou portuguesa, não temos, talvez, tanta alegria e espontaneidade como a vossa, mas os suecos com esse frio todo… está muito bem escrito. Um beijinho

    1. Mia!
      Sem dúvida receber esse convite e expor um pouco mais sobre a cultura dos suecos realmente foi bastante prazeroso para mim. Só posso me sentir lisonjeada. Eu como neta de portugueses, acho que tenho uma mistura de ambas as culturas. Às vezes sou espontânea demais como uma legítima brasileira e às vezes um pouco mais contida como os portugueses. E agora preciso achar o meu lago “lagom” de ser como os suecos, mas confesso que não está sendo fácil. No fundo, eu acho que a gente precisa agradar uma única pessoa… nós mesmos, não é verdade!

      Muito obrigada pelo carinho. Puss!

  6. Vânia, adorei o post! (Li lá, mas vou comentar aqui, pode?! rsrsrs)

    Muito interessante entender mais sobre esse “tipo” sueco… Acho que para brasileiros realmente não deve ser fácil ser “lagom”, por termos essa característica mais espontânea!
    Deve ser um pouco difícil lidar com pessoas assim, pois não demonstram facilmente o que estão sentindo… exigindo uma percepção mais aguçada da nossa parte.
    Mas, pelo que acompanho das suas experiências, creio que o bacana mesmo é a diferença, a experiência de conhecer coisas novas, os limites entre se adaptar e ser você mesmo… Enfim, tudo é um aprendizado pra vida!

    Parabéns pelo post!
    Beijo

    1. Olívia!
      E como é difícil, viu? Ainda mais para quem mora há poucos anos no país. Mas eu acredito que para quem está aqui há um longo tempo, convivendo apenas com suecos e sem contato com suas raízes, há uma grande tendência de se tornarem completamente “lagom”. Como diria uma amiga, as pessoas se tornam SUEQUIZADAS rs.

      Essa questão da leitura dos sinais tem muito a ver com a cultura mesmo. Acho que deve ser a mesma coisa com os brasileiros. A gente olha para o outro e já entendemos o que quer dizer e acredite os suecos não entendem os nossos sinais. Fala a verdade, essas questões de comportamento em diferentes culturas são fascinantes. Pelo menos eu adoro! rs

      Tudo o que está acontecendo comigo realmente está sendo de uma experiência fantástica. De vez em quando eu quebro a cara também e fico chateada. Mas não dá para ficar remoendo as coisas para o resto da vida, caso contrário deixarei de viver. O jeito é sacudir a poeira e dar a volta por cima, porque só assim é que realmente crescemos.

      E uma coisa é certa… bota aprendizado nisso, viu? 😀

      Puss!

  7. Vânia, excelente a sua postagem. Você deu um passeio com a gente e foi mostrando o que é ser lagom e também mostrou (sem querer) que o brasileiro, por ser bastante expansivo, tem uma certa dificuldade em ser totalmente lagom, mas os suecos adoram brasileiros. E adoram mesmo. Trabalhei com eles em Juiz de Fora e tinham um entrosamento fabuloso com todos os funcionários. Fora da fábrica (Siemens) éramos todos iguais mesmo.
    Adorei seu post, Vânia e adoro você também. É muito atenciosa e quase lagom (prefiro que não se torne completamente).
    Um beijo,
    Manoel

    1. Manoel,
      Eu queria muito mostrar o jeito sueco de ser e acho que consegui. Os suecos raramente demonstram os sentimentos, mas não significa dizer que eles não sentem as coisas. Claro que sim. Mas essa fama de serem frios, na verdade tem muito a ver com a questão do “lagom” e para quem vem de uma cultura como a nossa, não entende muito bem essa questão. Fora isso, os suecos são bastante reservados e os sentimentos só são demonstrados para pessoas mais íntimas mesmo. Bem diferentes da nossa cultura, né? Somos abertos até demais :D. Acho que essa questão de que os opostos se atraem é super válida entre suecos e brasileiros.

      Poxa, muito legal saber que você teve essa experiência com suecos. Você constatou com seus próprios olhos o que eu escrevi ;-).

      Quero agradecer muito pelo seu carinho. Suas visitas e seus comentários sempre tão cheios de vida. Saiba que eu adoro. E pode deixar que eu não me tornarei 100% “lagom”, até porque eu sou brasileira e não desisto nunca! rs.

      Puss!

  8. Texto incrível, Vânia! Descreveu bem o jeito lagom de ser! haha
    Logo que cheguei aqui, observei esse jeitinho “lagom” dos suecos e nem mesmo sabia que esse termo existia. Aprendi muito sobre isso e ainda estou aprendendo. Mas ainda preciso perder esse meu jeito afobado-brasileiro de ser! hahah Difícil, né?
    Beijo e adoro adoro adoro teus textos! :*

    1. Didi, sua linda!
      Quando cheguei na Suécia, eu acho que ainda vivia em outra galáxia haha. Sabe, que de início eu não percebi muita coisa. Acho que o lance da adaptação pegou para o lado. A questão da língua local somado ao meu pouco conhecimento do idioma inglês pesaram e muito na minha cabeça. Mas o tempo foi passando e eu resolvi parar de ficar com mi-mi-mi. Foi somente quando me joguei na cultura de vez é que pude observar e aprender mais. Confesso a você que eu gosto e admiro bastante esse jeito “lagom” de ser e tenho procurado incorporar no meu dia a dia. Agora, o negócio só vai por água abaixo mesmo quando estou com outros brasileiros… não consigo evitar :D.

      Quero te contar uma coisa? Você tem sido uma pessoa incrível comigo e eu a agradeço bastante por isso. Saiba que a minha adaptação em Stock City tem sido melhor por sua causa. Juro que não estou exagerando e que isso é a mais pura verdade. Mesmo morando no país há algum tempo, eu senti a mudança de cidade, até porque as pessoas são tão diferentes. E você tem me feito um bem danado. 😉

      Te admiro muito, muito, muito!

      Puss!

  9. Ui, ui, ui, essa teimosa tá ficando é famosa. Que orgulho de vc, Vânia.
    Amodorei o texto, vc escreve muito bem. Eu vejo vantagens em ser lagom. Detesto pessoas que o ego não cabe nas roupas e olha, por aqui é o que bem tem. Mas sim, um certo nível de espontaneidade cai bem.

    Olha, me deu uma curiosidade aqui. Há quanto tempo vc mora por essas bandas e como foi parar aí? Existe algum post sobre o assunto??

    Beijoooo

    1. Paulete Bolete! Não fica brava com o nome, porque é brincadeirinha, tá!
      Foi um convite bastante especial pra mim, porque eu realmente não esperava. Até há bem pouco tempo atrás eu duvidava um pouco de mim com relação ao blog. Tinha mil dúvidas de como conduzi-lo e, obviamente, a bendita da comparação com outros espaços surgia. Achava a minha escrita horrível!!! Fora isso, eu sabia (e sei) que a grande maioria das pessoas gosta de blogs pessoais. Bom, eu também sou uma delas. E de verdade? Não é todo mundo que gosta de saber da cultura de outro país ou dos passeios que fulano faz. Porém, os comentários carinhosos que tenho recebido, o retorno positivo das postagens e as amizades virtuais que tenho feito, sem dúvida, contribuíram para me dar aquele gás. E finalmente hoje vejo que “me encontrei” com o blog, com o meu diário :D. É uma sensação tão boa e tão gratificante, que acho que nem consigo me expressar direito. Falei demais e nem respondi seu comentário ainda… haha.

      É verdade, essa coisa de querer ser mais que o outro é bem feio. Já conheci e trabalhei com muita gente assim. Pessoas que acham que tem o rei na barriga. Eu me pergunto “pra que isso?”. Ser assim não irá levar a nada.

      Mas a cada dia que passo desse outro lado do mundo, tenho aprendido cada vez mais sobre os costumes e a cultura do país. Hoje posso te dizer que eu sou uma pessoa diferente e de mente mais aberta, porém, ainda guardo as raízes do país em que nasci. É bom isso, né?

      Agora é que me dei conta de que eu não tenho um post falando do motivo de ter vindo para a Suécia rs. Tenho vários fragmentos pelos posts, mas nada sobre isso. Tem um pouquinho escrito de mim no post http://diariodeumateimosa.com/2013/07/08/de-ipaussu-para-o-mundo/, mas mesmo assim não cita o motivo. Sabe que você me deu uma ideia. Vou fazer um post sobre isso!

      Agradeço muito, mas muito mesmo por todo o carinho que você tem comigo. Saiba que você também é uma das grandes responsáveis por eu continuar na blogosfera e uma LINDA que conquistou meu coração.

      Um “puss” enorme para você! 😉

      PS. Só o tamanho desse comentário já dá outro post huahua!

      1. HAHHAAHAHAHA eu gargalhei super alto com vc me chamando de Paulete AHAHAAAHAHAH. Uma amiga minha que me chama assim foi falar com meu namorado e no dia seguinte vem ele me chamar de Paulete, morri de rir. Mas enfim, vou adorar ler sobre sua ida para a Suécia. Escreva mesmo =D

        Fico feliz que de alguma forma eu tenha contribuido para sua relação com o blog porque eu sei o quanto isso é importante. Ontem eu estava escrevendo um post (que ainda vou publicar) sobre o um ano do meu blog e acabei refletindo sobre o quanto ele me transformou e o quão feliz eu sou de poder compartilhar com vcs um pouquinho de mim.

        Não sei se já falei isso, mas vc tem o nome da minha tia que é uma pessoa que eu super admiro, daí foi meio que de graça o meu carinho inicial por vc, coisa que não sei explicar. Mas vc com seu jeitinho carinhoso só fez e faz aumentar. Quero um dia poder te dar um abração apertado.

        Beijoooo

        1. Acho que a partir de agora vou te chamar de Paulete (olha a intimidade rs).

          Pode ter certeza de que vou escrever sim sobre a minha vinda para cá. Não tinha me tocado que até agora eu não tenho um post específico sobre isso. Acho que será bem bacana poder compartilhar e assim poder me conhecer um pouquinho melhor.

          Fala a verdade, toda Vânia é gente boa, hein hahaha. Outro dia uma pessoa comentou comigo que conhecia uma pessoa chamada Vânia… só que essa era chata pra dedel. Fiz aquela cara de paisagem, mas entendi que recebi um elogio. Espero que eu tenha entendido certo! 😀

          Agora eu quero muito esse abraçado apertado, bem ao estilo de abraço de urso!!! Tomara que a gente um dia tenha essa oportunidade. TO-MA-RA!

          Bjs.

          PS. Já tô aqui ansiosa para ver o seu post também! 😉

Faça a teimosa feliz. Comente!