Pepparkaka: o biscoito sueco de Natal

Já que o Natal está chegando, nada mais justo que contar um pouco de como as coisas acontecem do lado de cá, não é mesmo. E outra, mesmo morando na Suécia há algum tempo, percebi que nunca mencionei nada no diário sobre essa data tão festiva. Sendo assim, hoje vou começar por um biscoito.

Pepparkaka é um biscoito de gengibre bastante apreciado no país, principalmente agora no mês de dezembro. A espessura é fina, sua consistência é crocante e de sabor levemente picante. Além do gengibre que vai na preparação, ainda leva ingredientes como cravo, canela e cardamomo. Os formatos são os mais variados: coração, boneco, árvore, porquinho, estrela e etc..

Pepparkaka - biscoito de gengibre

Mas a criatividade rola solta, pois para quem curte algo diferente, ainda é possível encontrar uma versão mais avantajada, como essas aqui no formato de casinha.

E nessa semana eu descobri ao acaso que o famoso biscoito tem um dia reservado no calendário sueco para se comemorar: dia 09 de dezembro. Data essa não apenas do biscoito, como também é o dia do nome Anna. Olha que bonito! Duvido que alguma das amigas sabiam disso.

Enfim, e por causa desse calendário é que acabei me dando conta da associação do nome Anna com os biscoitos de gengibre, afinal Anna também é uma marca dessas bolachinhas suecas e que são vendidas no formato de coração e florzinha.

Como sou uma pessoinha muito da curiosa, obviamente fui me inteirar de algumas informações que giram em torno da pepparkaka.

Esse biscoito está enraizado na cultura do país nada mais e nada menos que desde o século XIII e chegou até a fazer parte de importantes eventos históricos, tais como o casamento do Rei Magnus Eriksson (nunca vi mais gordo) e o naufrágio do navio Vasa. Sabe aquele que mostrei no post Museu do Vasa: o resgate de um naufrágio? Pois é, esse mesmo.

O biscoito chegou a ser vendido em farmácias como medicamento para doenças e no tratamento de problemas estomacais. E sabe por quê? Porque eram preparados pelas bondosas e castas freiras. Tudo no mais puro e estilo angelical de ser. Chegou até mesmo a ser usado para acalmar o mau humor do Rei Hans. Dá para acreditar nisso?

E não para por aí. Diz a lenda que comer esse biscoito adoça não somente a boca, mas também o coração. Tá! E como eu sei disso? Quando eu fazia curso de sueco, minha professora distribuiu para a turma os biscoitos na forma de coração e nos ensinou o seguinte: coloque o biscoito na palma da mão, dê uma batida rápida, mas não com muito força, no centro do biscoito com o dedo indicador dobrado. Se o coração se partir em apenas três partes “quase” que iguais significa que seu amor é correspondido. E assim eu fiz. Adivinha o que aconteceu? Quebrou exatamente como ela havia descrito. Own! Lindo e romântico, né? Me senti como a última pepparkaka do pote na Suécia!

Essa história de biscoito é tão levada a sério nesse país, que em Estocolmo existe uma exibição nessa época do ano de casinhas de gengibre chamada Pepparkakshus. Essas casas de biscoito são feitas por pré-adolescentes de 12 anos com base num tema sugerido. O tema para 2013 foi Formas Futuras e contou com 76 participantes.

Pepparkaka: o biscoito sueco de Natal

A exposição fica numa sala separada dentro Moderna Museet e a entrada é franca. Melhor que isso, só dois disso, né?

Pepparkaka: o biscoito sueco de Natal

Pepparkaka: o biscoito sueco de Natal

O interessante dessa exposição não é a quantidade, nem o tamanho e nem se as casinhas estão bem montadas, mas sim todo o contexto de criação que esses pré-adolescentes se inspiraram.

Pepparkaka: o biscoito sueco de Natal

Pepparkaka: o biscoito sueco de Natal

Pepparkaka: o biscoito sueco de Natal

Pepparkaka: o biscoito sueco de Natal

Pepparkaka: o biscoito sueco de Natal

Pepparkaka: o biscoito sueco de Natal

Pepparkaka: o biscoito sueco de Natal

Pepparkaka: o biscoito sueco de Natal

Pepparkaka: o biscoito sueco de Natal

Pepparkaka: o biscoito sueco de Natal

Ao lado de cada uma delas tem uma plaquinha em sueco explicando do que se trata a “história”. Algumas são bem engraçadinhas, mas outras têm todo um lado mais “papo cabeça”, como essa aqui, por exemplo, que diz mais ou menos assim:

“Todos que assam (no sentido de utilizar o forno).
O que acontece se nós continuarmos a viver
no mesmo padrão como fazemos hoje,
e o que acontece se mudarmos o padrão
em que vivemos hoje? Você vê duas alternativas de futuros,
qual você escolhe?”

Pepparkaka: o biscoito sueco de Natal

Essa placa corresponde a foto abaixo: de um lado uma casinha bonitinha, cercada pela natureza, frutas, etc. e a outra cercada pela poluição. Fala a verdade, é ou não é para refletir.

Pepparkaka: o biscoito sueco de Natal

E o público é convidado a participar votando na casa de gengibre que mais gostou.

Pepparkaka: o biscoito sueco de Natal

Não apenas no museu, mas online também. Ah, essa modernidade! No site Pepparkakshustavling.se as fotos estão disponíveis com suas devidas descrições, inclusive em inglês.

Interessante como um simples biscoitinho pode render tanta história, né? Coisas de sueco!

Vi ses… hej då! 😉

25 pensamentos

    1. É gostosinho mesmo e com certeza a combinação com o chá é perfeita.
      Assim que eu terminar de testar as receitas (que até agora nenhuma deu certo), vou ver se publico por aqui. 😉
      Puss!

  1. Oiii Vânia,
    Aqui em Portugal compramos destes biscoitos nos supermercados( da Annas), tb há no Ikea. Compramos nos sabores gengibre, canela e cappucino. São todos deliciosossssss 😛 São de espessura fina, ótima combinação com café ou chá.
    Gosto tb mto do vinho quente de especiarias à venda no Ikea.
    Abraços.

    1. Oi Silvana!
      Pelo jeito todo mundo se delicia com as guloseimas suecas nas lojas IKEA. Eu nunca experimentei o sabor cappucino e sabe que fiquei curiosa! 🙂 Vou comprar da próxima vez que for à loja.
      Obrigada por sua visita.
      Puss!

  2. E eu me achando A esperta comprando pepparkaka na Ikea (menos um item na lista de presentes pro Brasil)…rs
    E essa exposição…que tuuuudo!! Tão obra de arte que deve dar dó de comer 😉

    1. Hahaha só você mesma!
      O legal da exposição é saber que foram pré-adolescentes (quase crianças ainda) a fazer isso. Achei bem interessante e só não fiquei com vontade de comer, porque né, a gente tem aqui vários lugares para comprar 😀
      Puss!

  3. Que legal a historia por tras do biscoito! Eu sou Ana com um n e nao sabia sobre o dia! Hehehe Adoro gengibre, sempre uso na cozinha. Certeza que comeria muuuuitos desses biscoitinhos!!! Solta a receita! 🙂 beijooooo

    1. Aninha, mesmo sendo com um n você tem o seu dia… olha que chique! E o meu que nem aparece na lista haha. Também né, é russo e ainda é usado para o diminutivo de Ivan (oi?).

      Eu também adoro gengibre, mas nem sempre posso usar na cozinha de casa, porque maridão não gosta muito. Estou testando algumas receitas e uma delas não deu certo. Vou fazer mais umas duas e assim que eu tiver um resultado bom eu solto a receita pra galera.

      Puss!

  4. seja bem aparecida Vãnia, já estranhei a ausência. de resto, este post está ma-ra-vi-lho-so.! vou fazer uma casinhas dessas para ver até onde me encosto na habilidade para tal. mentira, não tenho jeito para a cozinha assim com tanta performance. boa noite. beijinho.

    1. Mia, reapareci!
      Estava dando um tempo do blog para colocar alguns pensamentos em dia, mas agora estou voltando com tudo hehe. Para fazer a casinha eu acho que não teria tanta habilidade e criatividade assim, agora os biscoitos mais simples eu arrisco. Já fiz uma receita e o pior é que não deu certo. Tentarei fazer outra e quem sabe da próxima vez dê certo. Acho que irei me juntar a você no quesito “não tenho jeito para a cozinha assim com tanta performance”. 😀
      Puss!

  5. Vanoca, eu adorei essa história de quebrar o biscoito com o dedo. Coisa mais fofa. E o maridão tá bem na fita, hein? Rs
    Amei a exposição. Acho interessantíssimo como vc consegue contar a história desse país através de detalhes aparentemente pequenos. Fora que vc conta super bem. Mas isso já deixou de ser novidade há tempos rs. As fotos são lindas, deu vontade de comer todas as casinhas. Me chame de gordinha tensa. Mas até a reflexão sobre o que fazemos com nossa vida, muito legal.

    Beijos e é muito bom te ter de volta.

    1. Paulete, e não é que é interessante essa espécie de “simpatia” sueca rs. Imagina se não fiquei me achando a tal quando quebrei o biscoito pela primeira vez e aconteceu isso. Mas olha só, mesmo se isso não tivesse acontecido, pode ter certeza de que eu compartilharia isso aqui no diário também.

      Se você ficou com vontade de comer os biscoitinhos, pensa só nas pessoas que estavam lá se embriagando com o cheiro de canela e gengibre espalhado pelo ar. Todo mundo ali se deliciando. Agora, imagina se eu ia te chamar de “porpetinha”? Nem pensar! Porque você é muito da linda isso sim! 😀

      Ah, Paulinha, tô emocionada com o seu depoimento, sabia? Você não imagina como é gostoso saber que você gosta de ler essas histórias que escrevo aqui. Eu procuro fazer tudo com muito carinho, não apenas para os leitores, mas como para mim também, pois além de poder registrar a cultura do país e compartilhar com outras pessoas eu também aprendo bastante.

      Muito, mas muito obrigada por tudo. Você é uma linda de morrer!!!

      Puss!

    1. Manô… posso chamá-lo assim?
      Confesso que nem eu mesma sabia que havia tantas histórias para contar sobre esse biscoitinho e que até exposição existe sobre esse. Se bem que seu começar a fuçar na cultura brasileira acho que devo encontrar muitas e muitas histórias também.
      Muito obrigada meu querido por todo o carinho que você tem comigo.
      Um big “puss” especial pra você.

  6. Que interessante a tradição dos biscoitinhos de gengibre. Ele tem sabor acentuado? Eu gosto de gengibre, mas como vc comentou lá no meu blog, acho que demais acaba enjoando mesmo né?!?
    Amei essas casinhas. Que criativas!!!
    Vânia vou te seguir no instagram tá?! 😉 Bjssss

    1. Esse post sobre esses biscoitos eu já queria ter feito no ano passado, mas aí me enrolei e acabei deixando pra lá. E agora eis que finalmente deu certo.

      O sabor é um pouquinho acentuado sim. Então comer uma ou duas eu acho o suficiente (pelo menos para mim). Mas ela é super gostosa de ser devorada junto com uma bebida típica chamada glögg (estou preparando post disso também).

      Essa exposição foi dica de uma amiga minha e achei o maior barato ter tido a oportunidade de visitá-la e ver como a imaginação dessa molecada voa longe rs.

      Pode me add no instagram sim. Meu nickname lá é @varomao. Assim eu também vejo a sua galeria também 😉

      Puss!

  7. Vânia,
    Cade o botão do curtir do wordpress?
    Eu sou diferente e quero curtir com o WordPress (leitora chata é dose… acho que preciso de uns pepparkakor! 😉
    Adorei a exposição, tem uns artistas bem a Niemeyer aí no meio não é? Eu já vi no mercado massa pronta de pepparkaka para comprar. Aí você só precisa de um rolo para abrir e forminhas para obter as diferentes formas! Mas talvez você poderia compartilhar com a gente na página do Diário no Facebook uma receita?
    Beijos amiga!

    1. Maria!
      Pronto, problema resolvido. O botão voltou para sua felicidade! 😀
      Olha, a molecadinha aí é bem criativa viu e fiquei mais surpresa com as explicações.
      Agora, não lembro de ter visto essa massa pronta no supermercado. Vou procurar… se bem que eu prefiro fazer a receita, até porque fresquinho é mais gostoso hehe.
      Eu ainda não divulguei a receita porque estou testando. Uma delas deu totalmente errada e tive de jogar tudo no lixo. Vou tentar a segunda e se der certo eu divulgo! 😉
      Puss!

    1. Oi Flávia!
      Eu tenho 03 receitas do biscoitinho e estou em fase de testes rs. Isso porque a primeira não deu certo e joguei tudo no lixo. Então para não correr o risco de divulgar uma receita lixo, vou me certificar que passarei algo decente! 😉
      Puss!

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