Lussekatt: o pãozinho de Santa Lucia

Tá aí mais uma das comilanças no mês de dezembro na Suécia. Lussekatt nada mais é que um pãozinho de trigo e açafrão, não muito doce e que leva passas na decoração. Tanto o formato como o tamanho pode variar, mas o mais tradicional é o que tem o jeitão de “S”.

Além de ser conhecido por Lussekatt esse pãozinho ainda recebe mais alguns nomes daqueles bem estrambólicos como: lussebulle, lussekuse, saffranskuse, julkuse, dövelskatt ou dyvelkatt. Os nomes podem até variar, mas o sabor continua sendo o mesmo.

Mas saiba que esse pão não foi originado na terra dos vikings. Nada disso! Apesar de estar fortemente associado com a celebração de Santa Lucia na Suécia, ele surgiu na verdade na Alemanha por volta de 1600. E o mais surpreendente é que esse pão estava relacionado com uma história não tão bonitinha assim.

Segundo a lenda do século XVI, Lúcifer, disfarçado de gato, aparecia para castigar as crianças malcriadas, enquanto que Jesus, vinha para a terra na forma de moçoilo e distribuía pães às crianças que se comportavam bem. Então, para que Lúcifer ficasse bem longe das crianças, os pães eram iluminados com açafrão.

Não se assuste, mas a palavra Lussekatt significa Gato de Lúcifer e só chegou à Suécia no século XIX. Ok, mas você pode perguntar “Por que um pão dos quintos dos infernos está relacionado com a angelical Santa Lucia?”. Porque como o açafrão é “iluminado”, na cultura sueca ele pode significar Gato de Luz e assim não possuir nenhuma relação com o chifrudo.

Confesso que por esse tipo de lenda eu não esperava. Quando escrevi o post sobre Santa Lucia, achei tão bonito o gesto das meninas levarem esses pães de café da manhã na cama para os pais e olha aí agora a lenda que está por trás disso.

O Lussekatt não é de todo ruim. Já experimentei e até achei razoável se acompanhado de um café ou chá, mas definitivamente não é um dos meus preferidos. Apesar de gostar de açafrão, acho que combina melhor num risoto do que em pães e tortas. Mas esse é o meu gosto, tá?

E durante todo o mês de dezembro muitas cafeterias colocam à venda o danado do pãozinho, bem como os supermercados o disponibilizam em promoções atraentes.

As versões industrializadas também estão disponíveis para quem gosta de participar da tradição e não quer ter tanto trabalho assim.

Uma curiosidade é que o açafrão se tornou tão caro nos últimos anos, que tem gente pagando por 0,5 grama o equivalente a 40 coroas suecas (mais ou menos R$ 15,00). Rola até piadinha por aqui dizendo que o preço do ouro está mais barato que do açafrão.

Ufa! Ainda bem que consigo sobreviver sem esse tempero, porque caso contrário haja dinheirinhos.

E outra, vou pensar duas vezes se comerei o Lussekatt novamente, ainda mais agora sabendo dessa lenda. Eu, hein!

Vi ses… hej då! 😉

36 pensamentos

    1. Então, podemos nos dar às mãos, porque eu também sou meio “fresca”. 😀
      O pão não é ruim e algumas pessoas me disseram que com manteiga fica gostoso. Mas sei lá, o cheiro e o sabor começam a me enjoar um pouco e seu tiver de comer com certeza será como última opção.

      Puss!

    1. E eu Lolita? E eu?
      Sou toda impressionada com as coisas e tá aí mais uma que eu nunca mais irei esquecer.
      Agora, se é pra afastar a coisa ruim, acho melhor a gente pegar só com o que tem energia positiva, né? 😉
      Puss!

  1. Ah Vânia, vai! tudo tem dedo do capitoco, até as coisas que a gente nem imagina. Eu não consigo ligar para essas coisas, ainda mais se envolverem comida… sou gulosa mesmo! Não tem o ditado:”comi o pão que o diabo amassou”? Taí, é o Lussekatt! hahahahahha

    Um beijo,
    Re

    1. Não estou acreditando que você está aqui! Amora, você não imagina como te admiro. Quando abri o blog hoje e vi seu comentário quase cai da cadeira de surpresa e felicidade haha.
      Vitrolinha, eu sou pessoinha muito da supersticiosa isso sim. Às vezes eu prefiro não saber certas coisas para não ficar tão impressionada. Mas você faz muito bem de não ligar para essas bobagens, até porque isso atrasa a vida! 😀
      E sabe de uma coisa, nem tinha pensado nesse ditado… morri de rir! hahaha
      Puss!

  2. Wow Vanoca ,
    Que lenda mais arrepiante , mas não muito assustadora =)
    como disse a Ana no post acima , eu também já tinha associado a palavra katt com gato , mas quem iria imaginar que esse pãozinho tão bonitinho tinha haver com o ”chifrudinho” #medo , mas ainda bem que o pãozinho perdeu a fama de associá-lo com o dito cujo kk

    Puss och kram :*

  3. Tô adorando acompanhar os costumes natalinos daí, Vânia!
    E você explica tudo tao direitinho, que parece até que eu tô vivenciando o que estou lendo!
    Quando a história do pãozinho, é no mínimo inusitada, né?
    Pãozinho do Capiroto!
    Adorei a neve aqui no blog, que coisa mais delicada e linda, como tudo que você faz!
    Espero que os preparativos pro Natal estejam correndo bem por aí, porque aqui tá um caos!
    hahahahaha
    Um superbeijo, teimosa mais linda!

    1. Pam!
      Ai fico tão, tão, mas tão feliz quando vocês gostam do que eu posto no diário. Eeeeeee \o/. Depois de um tempo morando por essas terras, achei que já estava na hora de compartilhar as coisas que envolvem essa data tão especial, até porque será a primeira vez que passarei as festas por aqui.

      Menina, eu quase cai da cadeira quando vi que o pãozinho não era nada daquilo que eu esperava… haha. Eu estava esperando uma história toda meiguinha e de repente… pá…. a surpresa veio! Mas gostei de saber que nem tudo são flores rs.

      Eu acho que você consegue colocar essa neve no seu também (se quiser, é claro), até porque o wordpress disponibilizou esse mimo para nós. Iupi! 😀

      Até que os preparativos estão indo bem e espero que continuem assim até a minha viagem ao Brasil. Oremos! E tô torcendo aqui para o caos dar bye bye de vez haha.

      Você que é uma linda e sempre tão carinhosa comigo. Obrigada por tudo!

      Puss!

    1. É meio que aquele ditado “as aparências enganam” hehe. E se você não gosta de açafrão, só posso dizer que não está perdendo nada. Apesar de comê-lo, definitivamente ele não está na lista de coisas mais gostosas para experimentar por aqui.
      Puss!

        1. Confesso que já senti mais, mas em Estocolmo a gente encontra de tudo (restaurantes e produtos nos supermercados) e quando não encontra a gente adapta a receita. O que eu sinto falta é dos lugares que eu comia determinadas coisas, como: a feijoada de domingo na casa de mamis, o pastel na feira de sábado e o misto quente na padoca. 🙂
          Puss!

  4. Eu nem tinha lido a explicação sobre o nome e já tinha pensado rápido comigo que teria alguma coisa a ver com gato,pela palavra katt. hehe menina esperta! 🙂
    Muito legal a história por trás do pãozinho e como a Sandrinha falou, ainda bem que ele perdeu a fama de coisa do chifrudo! Eu olhando bem pra ele, penso que deve ser uma delícia, dá nem pra imaginar que o gosto não seja bom!
    beijinhos
    Ana

    1. Hehe essa é a minha garota! Se todas as palavras em sueco fossem assim eu estaria feliz da vida. 😀
      Pois é, ainda bem mesmo que essa fama está bem enterrada, mas eu como sou supersticiosa que só, agora não quero mais comer o pãozinho. Pode me chamar de tonta, eu deixo, porque no fundo eu sou mesmo haha!
      Agora o pão não é ruim, tanto que eu como, mas se tiver outras opções disponíveis eu prefiro. É questão de paladar mesmo, porque sou uma eterna chata também. Acho que identifico o açafrão bem mais com arroz do que com trigo. Mas teve gente que comentou aqui que é uma delícia com manteiga… talvez eu experimente, vamos ver. 😉
      Puss!

  5. Vânia, kkk! Você é muito fofa. Estou rindo até agora com essa sua observação:

    “Por que um pão dos quintos dos infernos está relacionado com a angelical Santa Lucia?”

    Depois vem sua explicação, kkk! Adorei isso aí. Gosto de você alegrinha e também trazendo alegria para a gente.
    É melhor deixar o chifrudo sossegado mesmo, não é?
    Adorei sua explanação na postagem. Você é ótima!
    Um beijo com carinho,
    Manoel

    1. Manô, eu gosto tanto, mas tanto quando os posts são bem recebidos por vocês. Há dias que estou mais inspirada, outros menos, mas gosto de estar por aqui no diário compartilhando um pouco da cultura do país e tendo esse contato com vocês. Fico tão feliz que só não saio gritando pra todo mundo ouvir, porque irão me achar louca e eu fico com vergonha disso rs.

      E pode deixar que irei deixar o chifrudo bem sossegado e bem longe de mim! 😉

      Puss!

  6. Oi Vânia,
    Estamos querendo fazer este pãozinho em casa (Portugal), mas ainda não conseguimos encontrar no supermercado o ingrediente principal (o açafrão). Pois, o q encontramos até agora é o comum “açafrão em pó”, mas o pão não é feito com este baratinho. 😉
    Bjs

    1. Sil! Segundo os especialistas suecos o açafrão em pó realmente não é recomendável, pois você perderá o sabor original e o aroma ficará comprometido. Porém, se você quiser tentar, acho que não custa tentar. Talvez em lojas especializadas você encontre, mas acho que os preços devem ser altos também.
      Puss!

  7. Ainda bem que o pãozinho, ao longo dos anos, perdeu a fama de “encapetado”, rs… 😮
    Eu amo pães!! Eu acho que ia gostar desse ai, acho que não tem pão que eu não goste!
    Açafrâo é caro mesmo. Por ai ele é até vendido em uma caixinha transparente especial e em quantidade mínima, afinal dizem que só um toquinho de açafrâo faz toda a diferença em um prato. Tb acho que em um risto ele seria melhor aproveitado, rs… Bjs

    1. Ainda bem mesmo Sandra, mas essa lenda aí me deixou com um pé atrás, viu! Acho que a gente (eu pelo menos) espera ouvir uma história bonitinha e cheia de fru-frus. E olha eu aí me surpreendendo. Essa época do ano o que mais se encontra são pães com açafrão ou com cravo e canela, mas ainda prefiro os mais simples!

      Eu não tinha ideia de que o açafrão era caro assim até fazer esse post. Por aqui eu nunca vi a venda em caixinhas, mas sim em saquinhos plásticos. Não sei se altera o sabor, mas talvez seja uma forma dos comerciantes lucrarem um pouco mais.

      Você é das minhas então que adora um arroz e eu adoro risoto 😉

      Puss!

    1. Oi Natália, primeira vez que te vejo aqui, seja bem vinda!
      Concordo contigo que conhecer as histórias é sempre bom.
      Tenho descoberto um novo mundo e tenho me interessado bastante, não apenas pela cultura da Suécia como de outros países também. E ainda mais quando são brasileiros que relatam isso e dão uma pitada das experiências pessoais. É sempre prazeroso!

      Puss!

      PS. Gostei muito do seu comentário aqui no meu diário e saiba que sempre que posso leio os seus “pensamentos” também, apesar de nunca ter deixado um recado. Acho incrível como você consegue transformar sentimentos em palavras. Você é uma verdadeira poetisa!

  8. Gente, agora que percebi que a neve do blog acompanha o cursor do mouse. Chique.
    E meio sinistra a história, hein? Rs E fiquei com a impressão que o suéco pode ser parecido com o inglês as vezes, confere? Tipo 5 för 40 e Lussekat (kat como cat). Vc já fala a o suéco sem problemas? E outra coisa, vcs não usam o euro por aí? Estou meio atrasada nos esquemas aí, mas antes tarde que nunca, né?
    Aaah e ontem falei com o sweety de vc e que a gente vai ter que ir na Suécia um dia desses. Ele disse que o bem Scotland ou Suécia e que eu quero tudo que tem S. Rs. Pode deixar, eu faço ele mudar de ideia rs.

    Beeeeijo

    1. Paulinha!
      Essa tal neve por aqui são os mimos que o wordpress faz! Adoro essa plataforma e não abro mão dela por nada rs.

      Sinistra a história? Bota sinistra nisso! Apesar da surpresa da lenda, sabe que eu gostei de saber mais sobre isso. Sei lá, a gente nunca espera ler coisas desse tipo, né? Agora, a palavra “katt” significa gato (o “cat” em inglês) e até aí tudo bem, mas eu nunca havia associado a palavra Lusse como Lúcifer e depois que li a respeito fiquei com os cabelos em pé. Deus é Pai! 🙂

      O idioma é uma mistura de várias línguas, inclusive do inglês e por essa razão algumas palavras são fáceis de ser aprendidas. Porém, como nem tudo é uma maravilha há palavras que não se parecem com nada e não fazem o menor sentido pra mim haha.

      A moeda no país é a Coroa Sueca (para chegar no valor em R$ a gente divide por mais ou menos 3,00 para facilitar a conta). A minha leitura é boa no sueco, mas a minha pronúncia ainda precisa ser melhorada. Consigo me comunicar, mas também preciso melhorar as discussões e longas conversas, porque as conversas sempre cansam o meu cérebro, principalmente quando não sei as palavras.

      Hahaha, tudo que tem “S” é ótimo. De coração espero que você e seu sweety venham para a Suécia mesmo, mas né, lembra do “planejar e se ajeitar” rs.

      Se tiver mais perguntas é só mandar! 😉

      Puss!

  9. Comi esse bolinho no domingo pela primeira vez e tenho que dizer que bateu muito bem com meu paladar estragado. Acho que eu sempre curti pães com gosto de nada, pois já fiquei imaginando que seria uma delícia acompanhado de doce de banana…
    Mas essa do preço do açafrão me assustou! Ouvi um amigo comentar, mas não imaginava que fosse esse absurdo.
    Beijos

    1. É claro que você não tem paladar estragado, eu é que sou chata mesmo! O maridão gosta, mas se eu puder escolher outra coisa eu prefiro. Agora, doce de banana com pão me deu saudades. Tô lembrando aqui que eu comia isso e muuuuuito, mas só às sextas-feiras (sei lá a razão)! haha.
      O preço do açafrão é salgado mesmo e para quem gosta (principalmente a galera do Irã) deve pesquisar bastante antes de comprar. Vai ver, já deve até existir um mercado negro do tal. 😀
      Puss!

    1. Dani, meu marido adora esses pãezinhos e eu até gosto de comer um de vez em quando, mas só se realmente não tiver outra opção disponível. Olha essa lenda aí dá pano pra manga, viu? 😀
      Puss!

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