Docinho sueco: Prinsesstårta

A primeira vez que experimentei esse docinho sueco foi em 2006 e me lembro de que cai de amores logo na primeira mordida. Mesmo com aquela camada exagerada de chantilly, que não me atrai muito, a mistura de ingredientes representava para mim uma explosão de texturas e sabores. Tão diferente, tão gostoso e tão docinho. E como era a primeira viagem internacional tudo que eu via eu queria experimentar, mesmo não sabendo ao certo o que me aguardava.

Retornei ao Brasil e levei na bagagem aquele gostinho de quero mais. Gostinho esse que ficou guardado comigo, mas que com o passar dos anos acabou caindo no esquecimento.

E aí que voltei em 2011, não mais em férias, mas para morar, e a minha curiosidade em descobrir e reviver certas coisas no país me interessou cada vez mais. E nessa última semana parei para me questionar sobre o que eu sabia do bendito docinho sueco, sua origem e o motivo pelo qual havia recebido o tal nome.

Mas afinal de contas o que é Prinsesstårta?

Prinsesstårta é um bolo bastante tradicional da culinária sueca, montado em camadas e que significa Bolo da Princesa. A massa do bolo é tipo pão de ló, tem geleia de morango ou framboesa, creme de baunilha e uma camada bem espessa de chantilly. Acha que acabou? Que nada! Tudo isso ainda é envolto numa massa de marzipã para dar um formato mais arredondado e que geralmente é na cor verde (tipo a do Shrek). Por cima é polvilhado açúcar de confeiteiro e decorado com uma rosa de marzipã vermelha ou similar para dar aquele tchan na decoração.

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Mas não é só na cor verde que os suecos piram o cabeção.

As variações

O bolo ainda pode ser encontrado nas versões rosa, azul, amarelo (mais comum na Páscoa), laranja (para o Halloween) e vermelho (para o Natal).

Apesar de o formato redondo ser o mais tradicional, o Prinsesstårta também pode ser substituído para uma versão mais romântica, como esse de coração, que uma amiga ganhou no Dia dos Namorados na Suécia.

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Para aqueles que não gostam da versão grande do bolo, alguns estabelecimentos o vendem já cortado em pedaços e assim garantem aos seus clientes uma boa dose da guloseima.

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Mas há também a versão congelada, a qual não tenho ideia se é gostosa. Acredito que deva ser um quebra galho daqueles quando se está com preguiça de encostar a barriga no fogão. Ou talvez para quem não tenha habilidade alguma na cozinha e queira se fartar de tamanha gostosura.

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Senta que lá vem história!

A primeira vez que esse bolo foi visto data da década de 1930, no livro Prinsessornas Kokbok (Livro de Receitas das Princesas), publicado por Jenny Åkerström. Além de ser o criador da receita e um guru sueco de economia doméstica no início do século 20, ele foi também um instrutor para as três princesas suecas: Margaretha, Marta e Astrid, filhas do príncipe Carl (irmão do rei Gustaf V). Muito prazer!

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Logo no início o bolo foi chamado de Grön tårta (Bolo Verde), mas que no final acabou tendo seu nome alterado para Prinsesstårta. E sabe qual o motivo? Tudo isso porque as princesas disseram que gostavam muito desse bolo e como num passe de mágica o nome foi alterado para homenageá-las. Simples assim! E tem outra, parece ser bem mais atraente chamá-lo de Bolo da Princesa ao invés de bolo verde, não é mesmo?

O bolo rapidamente se tornou popular, não somente na Suécia como na Finlândia também. Atualmente cerca de 500.000 unidades são vendidas em toda a Suécia.

Mas não para por aí. Descobri que a terceira semana de setembro é oficialmente a semana do Prinsesstårta. Ou seja, para cada Prinsesstårta comprada na Suécia durante este período, 10 coroas (mais ou menos R$ 3,50) são doadas ao Fundo da Coroa da Princesa Victoria, que beneficia crianças e adolescentes com doenças crônicas e deficiência na Suécia. Bacana, não?

Relembrar é preciso

E para reviver aquela experiência de 2006 e trazer de volta o gostinho de quero mais, decidi me render novamente aos encantos desse docinho sueco. Em minha última visita ao Östermalms Saluhall: um dos melhores salões de alimentos do mundo não resisti à tamanha sedução. Me deparei com aquela imagem verde reluzindo na vitrine do Tysta Mari me convidando para saboreá-lo. E não deu outra. Com as papilas gustativas “mode on” tratei de arrematar não apenas um, mas dois mini Prinsesstårta. Afinal, não queria dividir o meu pedaço com ninguém.

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Cheguei em casa toda serelepe com uma guerra de lombrigas dentro de mim para saborear essa delícia o quanto antes. Maridão se pôs a fazer um café fresquinho, enquanto eu tratava de arrumar a mesa. Claro que rolou uma sessão de fotos antes, pois caso contrário esse post não estaria sendo feito.

Café passado e mesa colocada era chegada a hora de se lambuzar. E logo no primeiro pedaço tive uma emoção diferente. O que antes para mim era um dos doces mais deliciosos que eu havia experimentado na vida, agora já não tinha mais o mesmo sabor. Essa versão pequena não continha geleia e pra mim foi ok, pois acabei improvisando com algumas framboesas frescas. O chantilly estava na medida certa, em pouca quantidade e praticamente zero de açúcar. A massa de pão de ló estava pra lá de boa e me fez lembrar os bolos que minha mãe fazia aos domingos quando a família se reunia em casa. Mas então, o que havia de errado? A massa de marzipã estava “doce pra raio”. Maridão, que não é lá muito fã desse bolo, foi mais espertinho e tirou toda a massa verde. Jogou fora o que não interessava e mandou o resto goela abaixo. Eu fiquei com dó de tirá-la e teimei em comer mesmo assim. Porém, o bolo foi sumindo em prestações e ficou na geladeira por mais um dia, o que acabou me rendendo mais um cafezinho.

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E não é porque a massa foi feita de uma forma diferente. A verdade é que ela sempre foi assim e eu não havia me dado conta disso. Acho que no fundo meu paladar mudou e já não consigo comer tantas coisas açucaradas como antes. Então, posso dizer que tenho uma relação de amor e ódio com qualquer tipo de sobremesa que contenha muito chantilly ou muito açúcar. Mas para quem curte um docinho daqueles bem doce mesmo o Prinsesstårta é uma boa pedida.

Vi ses… hej då! 😉

28 pensamentos

    1. Olá Mariel!
      Só queria deixar você salivando um “cadinho”. Pelo visto eu consegui! hehe
      Estou bem e pra variar na maior correria. Espero que esteja tudo bem contigo também. 😉
      Puss!

  1. Se eu não me engano vc já postou esse docinho aqui (desculpe, mas os nomes eu acho muito difícil de lembrar rs). Mas parece que eu já vi eles por aqui… tem uma cara linda e por dentro me parece muito apetitoso, parece suave.

    Kisu!

  2. Vânia, eu adoro marzipã….E por aqui, em Sampa, tenho os lugares certos para comprar, já que não é tão fácil de achar. Portanto eu iria me esbaldar nesse bolinho. Beijos!

    1. Célia se você gosta de marzipão realente essa é a sobremesa perfeita pra ti. Essa massa eles chegam a vender prontinha no supermercado daqui e tem várias cores. Apesar de gostar, acho que em excesso fica bem enjoativo rs. 😀
      Puss!

  3. Eu acho tao bacana como cada docinho tem uma história de fundo, né?
    Você fica postando esses doces volta e meia, já tá se torando quase a minha categoria favorita aqui dos seus posts! hahahahahaha
    Um beijo de uma formiguinha que te adora! <3

    1. É verdade Pam! Cada coisa tem uma história por trás e esse bolo por ser tão tradicional não poderia ser diferente.
      Tô cheia de ideias para compartilhar e essa categoria dos doces é uma delas. 😉
      Obrigada minha morena linda do coração e saiba que a branquelona aqui também te amodora!
      Puss!

  4. Engraçado, Vanoca, eu sempre vejo esse bolo nas suas fotos aqui no blog e jurava que ele era do tamanho de um brigadeirão. Mas é um bolo mesmo, né?
    Já devo ter dito isso várias vezes, mas morro de vontade de provar esse treco verdinho rs. Culpa sua isso. Hum…

    1. Ô Essa Menina é observadora, hein?!
      Ele apareceu na foto do post do Saluhall e é um bolo mesmo. Pequeno, mas continua sendo bolo! 😀
      Já te falei. Você vindo para cá, vou te levar para todos os cantos e ainda te encher de comida. O que eu não contei é que vou te encher de doces, assim como a bruxa do “Hansel and Gretel” e depois te colocar num caldeirão haha. Brincadeirinha! Mas posso dizer que irei cuidar muito bem de ti. 😉
      Puss!

  5. Fiquei com água na boca aqui, não gosto muito de marzipã, mas adoro experimentar doces/comidinhas diferentes! haha
    Achei muito legal o porquê do nome e me sentiria importante como comendo esse doce (coisas de Ana hahaha).

    Beijos,
    Ana.
    Nk Cherry

    1. Olá Ana! É verdade não é todo mundo que é fã de marzipã, mas tirando essa capinha verde o bolo fica bem gostoso. E vamos combinar, nada melhor do que se aventurar na culinária de outros países, não é mesmo?
      Assim como você eu também me sentiria importante. Pensou, Bolo da Vânia? Hum… pensando bem o nome não combina, mas Bolo da Teimosa já é outra coisa hehe :D.
      Puss!

  6. hmm.. que delícia Vanoca, isso deve ser ‘bão por demais sô’ gosto de doces, mas ultimamente não consigo digerir/ degustar essas guloseimas como antes, ler este post pra mim foi meio que “comer com os olhos e lamber com a testa.”
    Parabéns pelo post flor !

    Puss och kram! 😉

    1. Eu acho que ele fica mais gostoso tirando a massa de marzipã. Fica menos doce e mais equilibrado. E que bom que gostou do post. Pelo jeito você irá se aventurar no mundo dos blogs também, né? Uma dica! Tenha conteúdo próprio e não copie nada de ninguém, pois assim você ganha credibilidade. Sucesso! 😉
      Puss!

      1. Sim , vou seguir seus conselhos, quero escrever sobre coisas aleatórias, curiosidades e coisas que aprendi com a Teimosa hehe .. quero ver que proporções e caminhos que o blog vai tomar .
        E com certeza plágio não é uma coisa legal, do mesmo modo que eu não gostaria que alguém copiasse meu, não posso praticar o mesmo. 😉
        Obrigada pela diga flor, sugestões sempre serão bem vindas!
        Puss !

    1. Não sei se em São Paulo existe esse bolo. Talvez em restaurantes suecos? Quem sabe!
      Tenho a receita em inglês e irei te enviar por e-mail, tá?
      Obrigada pelo carinho. 😉
      Puss!

  7. Vânia, o paladar da gente muda mesmo! Eu tb já não me acostumo mais com doces muito açucarados. Até chocolate prefiro o meio amargo, com mais cacau do que o ao leite. O seu relato me fez lembrar da minha primeira experiência com chocolates na Suíça, rs… no início comia quase um tablete por dia, principalmente o de um chocolate recheado com um tipo de creme. Hoje não posso nem ver mais esse chocolate, rs… E não sei se gostaria desse bolinho, porque nâo sou muito fã de marzipã, já meu marido adora! Bjs

    1. E como muda Sandrinha! A quantidade de doces que como hoje em dia nem se compara com a que eu ingeria no Brasil. Mudou radicalmente! Bom, se bem que no período da TPM eu exagero um pouquinho, mas também é por poucos dias rs.
      Agora, chocolate meio amargo eu amo de paixão. O sabor é bem atrativo pra mim!
      Você comentou do chocolate que viciou quando chegou. No meu caso eu viciei no que eles chamam por essas bandas de “godis”, que são doces como jujubas, caramelos, marshmallow etc. Comi tanto o de caramelo, que hoje também não posso nem ver ele na frente que eu saio correndo rs.
      Mas vou te falar uma coisa. Tirando essa massa de marzipã o resto é super gostoso. 😉
      Puss!

  8. Oi Vania não conhecia este bolo não, vou experimentar, mas como ultimamente meu paladar não esta muito para acucar também, vou dividir com o marido 😉 :). Obrigada pelo post! Bjs

    1. Paula, esse bolo é super tradicional. Algumas cafeterias o vendem, mas é mais fácil encontra-lo em supermercados. Se você puder vá ao Saluhall e compre, porque o de lá tem a melhor massa de pão de ló que eu já comi e uma unidade dá para dividir tranquilamente para duas pessoas. Acredito que desse jeito a massa verde não fique tão enjoativa. Depois me diga o que achou. 😉
      Puss!

  9. Oi Vânia!
    Conheci esse doce fofinho na sua versão Ikea. Imagino q não seja a versão perfeita, mas era ainda assim saboroso e calórico o suficiente. 🙂
    Gostei, mas não amei. :))
    Bjs

    1. Sil, nunca experimentei a versão Ikea, mas acredito que deva ser bem parecido. Até porque tudo é padronizado nesse país :-). E agora pelo menos você já tem uma ideia do sabor ;-).
      Puss!

    1. Haha… é bem por aí Olivia.
      Os doces daqui são mesmo, quer dizer, pelo menos eu acho isso. 🙂
      Há muitos doces deliciosos, mas por enquanto estou postando os mais tradicionais, ainda mais porque fazem parte da cultura do país. 😉
      Puss!

  10. Vânia esse seu post está fazendo muita gente salivar! Sempre consumi muito pouco açúcar mas de uns tempos pra cá, talvez por conta dos hormônios, comecei a degustar mais doces. Isso está me custando alguns quilos a mais num corpo que sempre foi magro. Sou movida pelo visual de uma comida e esse doce, sem dúvida tem uma carinha boa demais. Colorida que salta aos olhos e faz a gente ficar com vontade de experimentar bebericando um café. Adorei saber do histórico dele.Valeu a dica! Bjs

    1. Quer dizer que te agucei também? rs 🙂
      Pois é, comigo aconteceu o contrário. Sempre comi muito açúcar, mas desde que cheguei à Suécia minha alimentação mudou. Como menos doces e procuro por produtos mais saudáveis. Tanto que agora quando visito o Brasil acho tudo demasiado açucarado e não consigo mais comer a quantidade de antes. Se bem que ainda não abro mão de pastel, cozinha, churrasco kkkk.
      Mas tenho certeza de que você continua linda mesmo com uns quilinhos a mais. A sua foto indica isso! 😀 O importante é ter uma vida saudável e ser feliz. 😉
      Puss!

      1. Obrigada Vânia. O principal é que ando me cuidando. Faço pilates, procuro na medida do possível fazer uma alimentação saudável, caminho bastante. Os quilinhos fazem parte do novo momento que vivo que é a entrada na menopausa. Faz parte da vida né? Bjs

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