Caminhada pelo campo de canola em Rosersberg Station

Durante as férias de verão eu e o maridão batemos perna por aí como nunca. E entre um deslocamento e outro acabamos descobrindo, sem querer, um campo de canola próximo a Estocolmo.

Estávamos voltando de trem da cidade de Sigtuna, quando de dentro do vagão eis que vimos um campo todo amarelinho. Ah, e não deu outra. Fiquei com aquele comichão e quis descer do trem de qualquer jeito para fotografar. Mas sabe como é, o maridão não ficou empolgado e arrumou mil desculpas. Disse que estava cansado, com fome, sede, dor ali e acolá, que o desodorante já tinha vencido fazia tempo e que queria ir para casa. Bom, e aí antes que ele se enfezasse comigo, tratei de concordar de que iríamos direto e reto para nossa “home sweet home”.

Só que eu sou assim, quando invoco com alguma coisa… vixi… me segura porque eu vou até o fim, mesmo que isso implique também em cair do cavalo.

Então, tratei de buzinar na orelha do maridão para ele ser meu parceiro em mais essa andança, afinal eu queria fazer as benditas fotos. Buzinei tanto que ele acabou se dando por vencido. Mas não pense você que foi uma tarefa fácil. Pelo contrário! Tive que usar de armas poderosíssimas para persuadi-lo e até chantagem de massagem nos pés rolou.

Bom, e no dia seguinte lá fomos nós. Logo após o almoço pegamos o trem na estação T-Centralen e nos dirigimos ao encontro do nosso destino. O campo de canola.

Esse campo fica na Rosersberg Station e da estação central até lá são apenas 35 minutos. Utilizamos o cartão do transporte público e não pagamos nenhum adicional. “Nadica” de nada, o que é ótimo, não é mesmo?

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Chegamos à plataforma e tudo estava quieto. Nem parecia uma estação de trem de verdade. Diria que estava calma demais para o meu gosto. A caminho do campo tudo ao redor era esquisito e deserto. O lugar é quase que no meio do nada, sabe?

Foram 10 minutos de caminhada, mas o suficiente para a imaginação viajar na batatinha como nunca. Por ali havia uma área de reciclagem que estava bagunçada e suja. Um quiosque com comidinhas de rua que por sinal estava fechado. Um restaurante típico de cidadezinha do interior que estava fechado. Um motel tipo o do Norman Bates do filme Psicose, que não havia ninguém e parecia que estava fechado. Um posto de gasolina que acho que só está ali de enfeite mesmo porque estava fechado. Uma loja de conveniência que não funcionava e adivinha o por quê? Porque estava fechada. Ou seja, o cenário perfeito para um legítimo filme de suspense.

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Quando finalmente estava cara a cara com o campo a minha reação foi tipo assim: fué fué fuéééé. Ele já não me parecia mais tão encantador. Mas eu sei a razão. Esses campos são lindos de morrer durante a primavera, quando as flores são mais novas e as cores estão bem vibrantes. Nesse período do verão eu até acho que os campos continuam bonitinhos, mas já não possuem mais aquela magia como três meses atrás.

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Tentei fazer um milagre daqueles para a fotografia sair decente, mas a área escolhida por mim não foi uma das melhores. Havia postes e fiações ao fundo e trabalhar com o zoom da câmera acabou não funcionando. Juro que me esforcei! Para fazer valer a pena a ida até lá cheguei até a sensualizar um espantalho em meio ao campo de canola. Me diga, onde é que eu estava com a cabeça em deixar os braços abertos desse jeito e com as pelanquinhas à mostra, hein? É isso que dá querer imitar foto de gente profissional. Um desastre!

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Mas de todas as fotos que tirei apenas uma se salvou e foi a minha preferida do dia. Foto essa que compartilhei nas redes sociais com muito orgulho. Uma simples margarida solitária!

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Depois de quase uma hora tentando captar algo interessante, comecei a ficar incomodada. Tanto pelo sol escaldante que batia direto no cocuruto como na coceira que estava subindo pelas pernas. Então o jeito foi me contentar com que tinha fotografado e partir para casa.

Mas sabe de uma coisa? Sempre aprendo com tudo que faço, mesmo nos momentos mais simples da vida. E dessa experiência eu aprendi que quando quiser fotografar novamente um campo de canola irei durante a primavera. E melhor ainda. Será lá na região de Skåne, onde tem os campos mais lindos, charmosos e exuberantes que eu já vi virtualmente. Pelo menos na Suécia, né?

Vi ses… hej då! 😉

10 pensamentos

    1. Mas não é verdade que eu estava parecendo mesmo?! Acredite, só me dei conta disso quando estava fazendo esse post. Ri de mim mesma :D.
      E meu cabelo tá enorme e tô morrendo de vontade de passar a tesoura, mas vou deixar para fazer isso quando for ao Brasil. Só espero que até lá eu não mude de ideia rs.
      Puss!

  1. As fotos estão lindas, inclusive a de braços abertos! 🙂
    Mas a da flor, essa é realmente especial! Você comprou a 50mm? O desfoque do fundo é bem típico dela!
    um beijo, linda!

    1. Oi Aninha!
      Gostaria de me dedicar mais a fotografia, mas nos últimos tempos não tenho conseguido. Ainda estou com aquele desejo de aprender a editar as fotos para torná-las mais bonitas. Edição salva qualquer fotografia rs. Essa foto da flor eu tirei com uma 18-200, dá para acreditar? Meu desejo é comprar uma cinquentinha, mas vou deixar para investir um pouquinho mais para a frente, já que quero comprar a de 1.4.
      Muito obrigada pelo carinho… mas as suas fotos são as mais lindas!
      Puss!

  2. hahaha 😀 gente, eu ri demais aqui. Inclusive queria ter visto você sensualizar um espantalho hehe. Eu sou mestre nessas aventuras desastradas, sabe? Me empolgo toda, e na hora H é uma decepção. Mas como você diz a gente sempre aprende alguma coisa 😉

    beijo

  3. Oi Vânia!
    Acho q eu pensaria ainda em mais terror.:-) 🙂 Tipo um dia para ensaio de bomba nuclear, como no último Indiana Jones, então por isso não se via viva alma.:-P
    Bjs

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