Informações sobre trabalho e dicas para quem é recém-chegado

Vir para a Suécia com um contrato de trabalho assinado é o sonho de alguns profissionais brasileiros que se torna realidade. Oportunidades existem, mas não para todos. E isso não tem a ver com o fato de um ou outro ter nascido com o bumbum virado para a lua, mas sim porque houve dedicação da pessoa. Estudo, trabalho e constante atualização.

Porém, vamos supor que sua realidade seja outra. Suponhamos que você está se mudando para o país porque caiu de amores por um viking ou porque está acompanhando o seu parceiro brasileiro numa nova jornada. Você acha que conseguirá um trabalho num piscar de olhos assim que colocar os pés nas terras geladas? A resposta é: depende. Uma boa formação acadêmica e experiência profissional não são garantia de conseguir um emprego na área desejada. Na Suécia você é mais um competindo por uma vaga pau a pau com os suecos. Mas há exceções. Se você tem na bagagem certificados específicos, principalmente na área de tecnologia onde o país tem carência de tal profissional, pode ter certeza que sua recolocação será bem rápida.

Agora, se esse não é o seu caso, é bom que você esteja preparado para os desafios. O primeiro é que você sempre será considerado um estrangeiro. E segundo porque você é novo no país e não domina a língua. Mediante esse cenário, você vê suas oportunidades se esvaindo pela janela mais próxima. Puf! A quantidade de histórias negativas que se ouve por aí acaba ofuscando as bem-sucedidas e olha que eu conheço ambos os lados.

Então, por onde começar? Simplesmente pelo básico. Entendendo algumas questões sobre o trabalho no país e tentando manter a cabeça aberta para o que está por vir.

O que você precisa saber?   

Currículo sueco. Os suecos são humildes e modestos, especialmente quando o assunto em questão é a experiência profissional, responsabilidades e realizações em um currículo. Não cai bem você mostrar que é o “sabichão” do pedaço. Pode até ser que você seja mesmo, mas é importante ser discreto ao demonstrar isso. O currículo sueco é muito mais simples, com frases curtas para descrever cada experiência. E a coisa mais importante sobre o currículo é a carta de apresentação. Ela deve ser exclusiva para cada empresa e utilizada para qualquer vaga (engenheiros, economistas, recepcionistas, ajudantes gerais etc.).

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Dia do Pagamento. Ao invés de salários semanais ou quinzenais, na Suécia o pagamento geralmente é mensal e acontece lá pelo 25º dia.

Competência Linguística. Tornar-se fluente no idioma local é um baita desafio, especialmente quando se procura um emprego. Ter bons conhecimentos de inglês não ajuda na maioria dos casos e isso acaba deixando as pessoas preocupadas. Isso porque na Suécia as pessoas têm uma das melhores fluências em inglês da Europa e você é apenas mais um na multidão.

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Salário mínimo. Não há salário mínimo na Suécia. O que existe é um acordo entre os diferentes sindicatos, que são muito importantes e ativos no mercado de trabalho sueco. O salário é estabelecido de acordo com a faixa etária, se a pessoa é recém-formada, quantos anos de experiência possui e qual é o período a ser trabalhado (dia ou noite, dia útil ou final de semana).

Férias. Depois de ser contratado pela empresa você tem o direito a usufruir de cinco semanas de férias pagas por lei. Há algumas companhias que estendem esse benefício para seis semanas. O mês de julho é o mês mais esperado pelos suecos para colocar as pernas para o ar, já que é verão no país. Por essa razão muitas empresas fecham durante o mês.

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Licença parental remunerada. Ficar em casa com o seu filho recém-nascido por 480 dias de trabalho pagos sem se preocupar em perder o seu emprego. A licença é dividida entre o casal para uma melhor igualdade e educação dos filhos.

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Afastamento remunerado para tem quem filhos doentes. Se o seu filho é menor de 12 anos e está doente você pode sair de licença do trabalho para cuidar dele. Há também um tipo de pagamento chamado “Licença Parental Temporário” que você pode requerer e será pago pelo seu empregador e o Estado.

Arbetsförmedlingen (Centro de Emprego). Esta é uma ferramenta muito útil para alguém que é novo na Suécia e que não sabe por onde começar. Claro, desde que o indivíduo seja legalizado e possua o personnummer.  Essa entidade é considerada como um “serviço de recolocação” para ajudá-lo a encontrar um caminho para conseguir um emprego. E isso se dá através de reuniões, workshops ou aulas. Se por acaso você ainda não possui o domínio do idioma, não se preocupe, pois esse órgão oferece o agendamento de um tradutor caso seja necessário. É possível colocar seu currículo no site desse órgão, procurar empregos de acordo com a localização ou carreira, imprimir recursos úteis e formulários, participar de programas de formação profissional, receber ajuda para configurar o seu próprio negócio, ir para reuniões de recrutamento e feiras de emprego, traduzir documentos como diplomas escolares para o idioma local, encontrar informações sobre o nível de educação necessária para sua carreira. Há também um bom prognóstico da sua carreira para os próximos cinco anos na Suécia e muito mais. Lembre-se que apenas 1/3 dos postos de trabalho disponíveis estão listados no Arbetsförmelingen, então use outros meios, como distribuir currículos entre as diversas empresas presentes no país e tente diferentes sites de procura de emprego. Mas é bom que você saiba que o Arbetsförmedlingen dá suporte para os suecos também. Brasileiros e estrangeiros relatam que essa entidade não funciona tão bem assim, pois depende muito de quem será o seu tutor dentro do órgão e se ele estará disposto a te ajudar.

Praktik (semelhante a um estágio remunerado). Essa é a melhor maneira de entrar para uma empresa, pois até 80% do seu salário pode ser custeado pelo Arbetsförmedlingen ao invés da empresa arcar com o salário na totalidade. Tanto o profissional quanto a empresa saem ganhando. Porém, ele só está disponível para as pessoas que chegaram à Suécia e residem há menos de 3 anos, que não pertençam à União Europeia e estejam estudando o curso de sueco oferecido pelo governo (SFI – Svenska för Invandrare).

Ter a mente e o coração abertos

Quando você começa a olhar para o mercado de trabalho em um novo país é preciso estar aberto a experimentar novos tipos de trabalho ou planos de carreira. O que implica em dizer que, às vezes, será necessário dar alguns passos para trás para adquirir experiência no novo país. Experiência essa que envolve a adaptação a um ambiente diferente, treinamento do novo idioma, criação de network e aquisição de novas habilidades para a vida profissional. É importante lembrar que:

  • Você nunca sabe o que vai encontrar, por isso tenha a mente aberta e tente, mesmo que não seja o trabalho dos seus sonhos.
  • Não seja exigente, pois qualquer experiência é considerada uma boa experiência.
  • Não espere encontrar um trabalho no primeiro ano, porque o aprendizado da língua é prioridade e depois que você aprendê-la tudo se tornará um pouco mais fácil, mas ainda assim sem a garantia do emprego dos sonhos.
  • Não se deixe desencorajar, porque é difícil para todo mundo. Há outros estrangeiros que estão na mesma situação que você.
  • Networking é importante, especialmente quando você não tem nenhuma experiência ou referências em seu novo país. E ter referências na Suécia é algo que conta muito.
  • Seja competitivo, tome a iniciativa e jamais deixe de persistir.

Em breve irei compartilhar mais informações sobre o mercado de trabalho. Fique de olho e até lá!

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Esse texto foi publicado originalmente no site Brasileiras pelo Mundo.

Vi ses… hej då! 😉

15 thoughts

  1. Ótimo post, muito bem detalhado e tenho certeza de que vai ajudar quem tem a possibilidade de viajar pra esse país lindo. Não sei se cabe perguntar isso aqui, senão couber, me desculpe! Trabalho com tecnologia e suporte e manutenção de computadores, dou ênfase a Sistemas Operacionais de código aberto, trocando em miúdos, uso Linux como sistema operacional. Que tipo de sistemas operacionais as pessoas usam aí em seus notebooks, desktops pessoais e nas empresas. Obrigado por toda essa informação que você partilha conosco, sei bem que isso demanda tempo, empenho e muita paciência para que o conteúdo fique com essa qualidade excelente.

    1. Olá Clemilson!
      Putz, vc sabia que eu não manjo absolutamente nada da área de TI? rs. Sério, tipo não tenho ideia de sistema operacional, códigos e etc. Sou totalmente leiga, já que essa não é a minha área de atuação. Não sei se ajuda, mas a galera adora computadores da Apple :-).
      Tudo o que divulgo no blog é feito com muita dedicação. Valeu pelo carinho e por esse feedback maravilhoso. Muáh! 😉

  2. Oi Vânia! Tudo bem? Sou Viviane, moro em Sao Paulo, e meu marido foi transferido para Linkoping por aproximadamente um ano. Partiremos em agosto. Me disseram que Suecia é outro planeta, entao as duvidas e curiosidades sao diversas. A comecar pelos meus filhos de 4 patas. Andei pesquisando quanto a documentacao necessaria e é a maior burocracia, mas estou disposta. O problema é que um deles é pug e pesa mais de 10kg, entao ainda nao encontrei um jeito de leva.lo comigo. Vc sabe algo a respeito disso? Mudando de assunto, gostaria muito de aproveitar o tempo ai pra estudar ingles, é claro, o sueco, mas tbm pensei em algo em termos de graduacao ou pós.graduacao. Sou psicóloga, com mba em gestáo de pessoas e atualmente faço engenharia. Pensei em fazer umas materias como ouvinte na area de gestao. Mas ainda nao sei exatamente como conseguir isso, porque a universidade de la informou que nao tem convenio com a minha faculdade daqui. Voce teria alguma dica relacionada a insercao na universidade? Mudando novamente de assunto… aí existe Pilates? O que vc indica em termos de ter uma atividade fisica?
    Ja verifiquei que os impostos ai sao altissimos, mas as coisas como eletronicos, por exemplo, sao mais caras que aki no Brasil? Restaurantes eu sei que sao, ne?
    O que vc indicaria levar e nao levar na “mudança”? Por exemplo, fiquei sabendo que usam maquina de secar roupa, entao eh claro que muito tipo de roupa nossa daqui ira encolher, e que nem vai adiantar levar.
    Uma amiga da minha amiga que morou em Gotemburg, que me indicou o seu blog, amei, ja li varios posts.
    Abc,
    Viviane

    1. Olá Viviane, seja bem vinda!
      Como são muitas perguntas eu vou te enviar um e-mail ainda nessa semana, porque acho que aqui ficará bem extenso, tá? Tentarei ajudá-la da melhor forma possível.
      Puss! 😉

  3. Muito útil este post, show de bola. Sou formada em Ciências da Computação em uma boa faculdade e trabalho como Software Developer há 9 anos, meu marido também é da área…o agravante é o inglês que, falamos sim, já estudamos, já fiz intercâmbio e tudo mais, porém, longe de estar fluente. Voltei a fazer aulas de conversação este ano e vamos ver no que dá…tenho muita vontade de morar da Suécia principalmente pelos ‘valores humanos’ daí. Tenho um primo que foi praí fazer doutorado sanduíche há pouco tempo, quero ver o que ele vai achar ! Bjs pra vc

    1. Olá Melissa, seja bem vinda ao meu cantinho! 🙂
      Legal saber que você está se preparando e dando uma turbinada no seu inglês. Isso é super importante! Na semana que vem será publicado um texto meu falando algumas coisas sobre trabalho na Suécia. Como isso ocorrerá em outro site, estou aguardando a liberação para postar aqui também. Lá terá algumas dicas que acho que poderão ser úteis. Bom, pelo menos assim espero, né? rs
      É interessante mesmo que você tenha diversos pontos de vista sobre a vida no país, pois para cada pessoa a experiência é bem diferente. Assim, você poderá avaliar o que é melhor pra ti.
      Valeu pela visita, pelo carinho e por compartilhar um pouco da sua história. 😉
      Puss!

  4. Oi Vânia,
    Quanto ao currículo, realmente, é bem diferente do currículo que conhecemos no Brasil.
    Acho que o currículo sueco deve também seguir o modelo do currículo europeu, e que se pode encontrar modelos fazendo uma busca na net.
    Se não estou em erro, mal chega a 3 folhas. O correto são no máximo 2 folhas.
    Corrija-me, por favor, se eu estiver errada.

    Acho que os cursos ligados à tecnologia de informação e saúde são possíveis de se conseguir emprego. No entanto, já falei em outro post, os cursos que são muito específicos na sua formação como as licenciaturas de ensino, os cursos ligados à construção civil, advocacia…..é muito difícil, porque a realidade é outra. O ensino, os assuntos, os materiais de construção, as técnicas, as leis, enfim… são completamente diferentes, e depois ainda tem a questão de dominar fluentemente o idioma local.
    Bjs

    1. Oi Sil!
      O currículo é diferente mesmo e é no máximo 2 folhas (se bem que já vi com 3 por aqui também). Quando eu comecei a fazer o meu em sueco confesso que achei estranho. Eu que tenho experiência de mais de 15 anos trabalhando em multinacionais, vi meu CV bem simples pela primeira vez.

      Com relação à área de saúde sei bem pouco sobre o funcionamento do mercado para esses profissionais, mas na área de tecnologia tem bastante oportunidade sim, desde que a pessoa tenha feito uma boa graduação, já tenha experiência na área e domine o inglês como ninguém. As outras áreas é exatamente como você mencionou. Perfeito! Até para ser encanador na Suécia precisa de curso. Conheço uma única pessoa que mora na Suécia e está conseguindo atuar como advogada. Só que é assim, né?! Ela fez 85687952 cursos de especialização aqui, domina o inglês e o sueco e manja como ninguém de leis internacionais. Ela se dedicou pra caramba pra chegar onde está e isso levou anos e mais anos. Ou seja, as coisas não caíram do céu.

      Obrigada mais uma vez pelo seu comentário tão rico de informações.

      Puss!

      1. Por nada, Vânia.
        Arrisco-me a dizer que esse profissionalismo em toda Europa do Norte. Pois, na Bélgica para ser pedreiro Tb tem de ter feito curso para tal.
        Bjs

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