A igualdade entre os gêneros

Quando escrevi as 10 razões para morar na Suécia eu mencionei que o país é um bom lugar para ser mulher. E de verdade? É mesmo! A Suécia é classificada como um dos países mais igualitários do mundo.

Tanto homens quanto mulheres devem ter igualdade de direitos e oportunidades em todos os âmbitos do país, onde cada um deve fazer disso uma influência em suas vidas pessoais e na sociedade em que vive. Somado a isso as políticas de bem-estar tornam a vida de ambos bem mais fácil, proporcionando um equilíbrio entre o trabalho e a vida familiar.

Mas não pense você que foi sempre assim.

Igualdade e história

Lá na primeira década do século 20 havia uma grande diferença entre os gêneros, onde as mulheres casadas tinham o papel exclusivo de cuidar da casa e dos filhos, enquanto que os homens eram os figurões do pedaço por levar o sustento para dentro de casa. Foi somente na década de 1970 é que realmente a mulher pode se jogar, sem medo de ser feliz, no mercado de trabalho e assim passar a ajudar com as despesas de casa. O motivo? Graças a uma alavancada na construção de escolas e centros de recreação para as crianças. E com a mulher fora de casa, instalava-se um novo conceito na sociedade sueca: homens e mulheres finalmente compartilhando a responsabilidade pelo lar e pelos filhos.

Professores em atividades externas
Professores em atividades externas

Lar, doce lar

Desde então, homens e mulheres têm suas responsabilidades no lar, doce lar. E não existe essa história de que “esse trabalho é de mulher”. Os homens, em sua grande maioria, cooperam com tudo. Lavam, passam, cozinham, limpam a casa, pegam as crianças na creche/escola, cuidam do jardim e entre tantas outras atividades. Pois é, não é à toa que muita gente se apaixona por eles.

Pai e filhos levando o lixo reciclável para descarte
Pai e filhos levando o lixo reciclável para descarte

Bônus na licença parental

Mesmo com a licença parental de 480 dias, que pode ser dividida entre o casal quando do nascimento do filho ou adoção, geralmente quem acaba usufruindo mais desse benefício é a mãe. Isso acontece, na maioria das vezes, porque o salário do homem ainda é maior que o da mulher e qualquer redução na renda mensal impacta diretamente nos gastos da família. Para incentivar que os pais compartilhem a licença equilibradamente, o governo decidiu que deveria haver um bônus diário para que os homens também usufruíssem desse benefício de forma mais igualitária.

Mãe passeando com o filho durante o inverno
Mãe passeando com o filho durante o inverno

Trabalho e salário

Contudo, apesar de o país promover toda essa equidade, as mulheres ainda tendem a ter salários mais baixos que os dos homens. Alguns dizem que essa diferença pode ser explicada por diferenças na profissão, no setor em que se trabalha, na posição ocupada, na experiência que cada um possui ou a faixa etária. Porém, alguns casos não podem ser explicados desse jeito, o que leva a acreditar que pode estar relacionado com o fato de ser mulher, mesmo.

Outro ponto interessante é que as empresas no país, principalmente as de tecnologia, estão empenhadas em contratar mais mulheres para atuar nessa área e assim, criar possibilidades de desenvolvimento e igualdade no ambiente de trabalho. Porém, não basta ser mulher e ter um rostinho bonito. Ela precisa ter competências iguais ou superiores às de um homem para conquistar a vaga.

Educação

Atualmente a proporção de mulheres que terminam o ensino secundário é maior que a de homens, e isso se reflete no ensino superior também. Só para se ter uma ideia, cerca de 60% dos alunos da faculdade são representados pelas mulheres e cada vez mais estão ocupando seu lugar em pós-graduações e doutorados também.

Lei da igualdade de gênero

A igualdade está incluída na maioria das leis suecas. Uma lei importante é a lei sobre o aborto, que foi instituída no país em 1975. Isso significa dizer que se uma mulher ficar grávida, ela tem o direito de decidir se ela quer ter o bebê ou não.

Outra lei que foi instituída é sobre a violência contra a mulher. A lei diz que a violência contra as mulheres é considerada crime e o agressor pode ser punido com pena de prisão. Algumas mudanças na legislação no início da década de 80 afastou a possibilidade da mulher retirar uma acusação de violência, ou seja, uma vez feita não tem como voltar atrás.

Tanto que em 2012 cerca de 28.000 casos de violência contra a mulher foram registrados na Suécia. E acredite ou não, esse número vem aumentando cada vez mais na medida em que a mulherada deixa o medo de lado e coloca a boca no trombone. O país da igualdade também sofre com esse mal.

Melhorias ainda precisam ser feitas em muitas áreas na Suécia e isso leva tempo. Mas o mais importante é que os direitos das mulheres continuem progredindo cada vez mais e a cada vitória conquistada sirva de trampolim para o próximo passo. Só assim poderemos ter uma sociedade mais justa e igualitária de verdade.

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Esse texto foi publicado originalmente no site Brasileiras pelo Mundo.

Vi ses… hej då! 😉

8 pensamentos

  1. Muito interessante, Vânia!
    Principalmente observar o último item e poder comparar com a situação brasileira tão diferente, principalmente na questão do aborto.
    Mas é bom notar que algumas dessas mudanças já estão ocorrendo em muitos lugares e levando a algo pelo menos mais próximo da igualdade.

    Beijos!

    1. Tomara que essas mudanças venham mais rapidamente e se firmem de vez em todas as partes do mundo. Mas a gente sabe que em alguns países isso ainda é algo (ou um sonho) bem distante, principalmente quando a religião está envolvida.
      Beijos e obrigada pela visitinha. 😉

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