Os salários e as ocupações mais comuns na Suécia

Já é sabido que a Suécia é um país que não possui salário mínimo. Os salários por essas bandas são estipulados via negociação coletiva entre os empregados e o respectivo sindicato de sua categoria. Obviamente que não é somente isso que é levado em consideração. Fatores como idade, anos de experiência, carga horária e turno também contribuem para a negociação.

Até aqui não contei nenhuma novidade, certo? Pois bem. Eu diria que a novidade na Suécia é que a disparidade salarial entre os trabalhadores é pequena, pois os salários são distribuídos mais uniformemente entre as profissões em comparação com outros países, como por exemplo, em relação aos Estados Unidos, o Reino Unido e o Brasil.

Há um grande número de postos de trabalho que os suecos podem escolher. Com uma pequena ajuda do site oficial de estatísticas do país, o Statistiska centralbyrån, eu pude identificar as 30 principais ocupações mais comuns em toda a Suécia a partir de 2013, o ano mais recente para as estatísticas. É uma lista interessante e que também fornece informações divididas por gênero.

Nessa pesquisa pude constatar que 99% dos carpinteiros e marceneiros são homens (aproximadamente 50 mil), enquanto que 93% dos auxiliares de enfermagem e assistentes da ala hospitalar são representados pelas mulheres (aproximadamente 165 mil).

Bombeiros na Suécia em horário de descanso
Bombeiros na Suécia em horário de descanso

E o que mais eu pude identificar nessa pesquisa? Que se você for uma mulher, você provavelmente não irá receber o mesmo salário que os seus colegas do sexo masculino. Dos 30 trabalhos mais comuns, as mulheres ganham mais do que os homens em apenas cinco deles. Apenas um trabalho tem um salário mensal igual para ambos os gêneros e dezesseis têm salários em que os homens recebem 1.000 coroas suecas por mês a mais do que as mulheres. Bom, mas esse não é um texto sobre a igualdade entre os gêneros no mercado de trabalho ou a diferença salarial. Isso é algo que existe. Já se sabe disso!

Professores na Suécia durante aula externa
Professores na Suécia durante aula externa

É interessante notar que entre os 30 postos de trabalho mais comuns na Suécia, o salário médio mensal para as mulheres é de 27.897 coroas. Já os homens, nesses mesmos trabalhos, acabam puxando aí 29.350 coroas por mês.

A tabela abaixo pode dar uma ideia geral sobre os salários que os trabalhadores recebem no país:Salários na Suécia

Apesar dos salários serem relativamente altos, é bom lembrar que os gastos acompanham o mesmo patamar. Então, para quem sonha com um farto salário ao final do mês e planeja deixar a poupança gordinha, já aviso que a Suécia não é o país para fazer o pé de meia. O que você ganhar, irá gastar.

Agora se você é um sortudo que veio/virá para a Suécia com um contrato de expatriado, onde a empresa paga seu aluguel, te dá carro, plano de saúde, viagem para o Brasil uma vez ao ano e entre outros benefícios, aí meu amigo, eu digo que a realidade é completamente diferente. O que você ganhar irá gastar à beça com lazer e ainda sobrará o suficiente para guardar.

Outro fator importante que deve ser levado em consideração é o imposto. Você precisa considerar que esses salários terão um abatimento em torno de 30%, que é o imposto pago (skatt) quando se tem uma fonte de renda. Quando a declaração de imposto de renda for feita anualmente uma parcela desse imposto poderá ser ressarcida. Igualzinho como acontece no Brasil.

Aqui estão alguns sites bacanas para você pesquisar a sua área de atuação, principalmente se você já estiver no meio de uma negociação salarial:

  • SCB – Statistiska centralbyrån (inglês e sueco): é o site oficial de estatísticas da Suécia.
  • Lönestatistik (em sueco): os valores são com base na apresentação do usuário no site.
  • Unionen (em sueco): é o maior sindicato do setor privado da Suécia e possui informações de faixas salariais de diferentes profissões.
  • StatsSkuld (em inglês): o site faz uma comparação do seu salário com o de outras pessoas dentro da sua profissão.

Ainda tem muita coisa que você pode pesquisar na página do SCB, embora as informações mais interessantes estejam em sueco. Deseja pesquisar por título de ocupação (em sueco)? Quer procurar por região, setor, código ocupação, sexo (em sueco)? Esse é o site!

E por último: tenha em mente que não importa o quanto você ganha, mas sim o quanto consegue economizar. Viver na Suécia como um mero mortal é assim!

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Esse texto foi publicado originalmente no site Brasileiras pelo Mundo.

Vi ses… hej då! 😉

UPDATE: Na Suécia não existe o 13° salário. Dependendo da empresa há a possibilidade de um tipo de bonificação dado ao funcionário, que varia de 2 a 5% e que pode ser pago em qualquer mês do ano. Mas isso não é regra.

11 thoughts

  1. Olá, Vânia. Estou curtiindo muito o teu blog.

    Gostaria de que me ajudasse em algumas dúvidas.

    Moro em Londres há 7 anos e meio, tenho cidadania lusitana e tenho um Certificado em Management pela Birkbeck londrina. Jamais trampei na área. Falo um pouco de espanhol ( não portunhol rs) e alemão.

    Gostaria muito de respirar novos ares (frios).

    Para conseguir o PersonNummer, estou pensando em me matricular para um curso de sueco de 1 ano e meio ou algo lecionado em inglês. Aí vão minhas perguntas:

    será que assim eu consigo o PN ?

    O PN expira ?

    Existem algumas Universidades que “têm tradição” em aceitar mais estrangeiros ?

    Minha vida inteira de Londres foi em Catering. Será que terei dificuldades em arrumar algo na Suécia ? Que tipo de emprego eu teria chance de arrumar por aí ?

    Muito obrigado pela atenção.

    1. Olá Marcelo!
      Olha, eu não conheço todas as regras de imigração, especialmente para quem tem cidadania europeia. E como não quero te atrapalhar, caso eu te passe alguma informação errada e sua vida vire um bololô, eu sugiro que você dê uma lida no site oficial de Migração na Suécia para sanar essas dúvidas. Até onde eu sei ter cidadania europeia te ajuda em algumas questões burocráticas para entrar no país, mas não te torna diferente de ninguém. Saca? O link é esse aqui: http://www.migrationsverket.se/English/Private-individuals.html

      As universidades no geral aceitam estrangeiros, desde que você esteja qualificado para a vaga de estudante, pois seu currículo será analisado. No site Study in Sweden tem mais informações: https://studyinsweden.se/.

      Com relação ao mercado de trabalho eu confesso que não conheço como é a demanda pela sua área de atuação. Eu “acho” que a demanda é baixa. Mas é achismo mesmo, tá? Por acaso, você leu meu texto sobre a questão do emprego na Suécia? Se ainda não, dá uma lida, pois pode te ajudar a entender como é que a banda toca no país. http://diariodeumateimosa.com/2015/02/18/emprego-na-suecia-voce-quer-um/

      Obrigada pela visita! Puss! 😉

  2. Oi Vânia,
    Você voltou, menina. Que bom! 🙂
    A igualdade de géneros não existe, uma utopia. Nenhum país conseguiu cumprir todas as normas para q se possa receber o título “igualdade”, mas a Suécia está bem classificada no ranking.
    Outro dia, eu estava num grupo entre belgas e estrangeiros e o tema era discriminação. Daí, perguntaram-me como é no Brasil esta questão da igualdade de géneros e respondi q o Brasil está muito longe, ainda mais se compararmos com países do norte da Europa. Mais, eis q alguém lembrou-me q o Brasil tem um presidente do sexo feminino. E, eu para piorar a contradição da coisa respondi q temos na América do Sul, 3 mulheres presidentes!
    Queria dizer mais, mas o meu neerlandês é limitado, pois ainda queria dizer que as excepções confirmam a regra.:-)
    Bom retorno!
    Abraços do Miau do Leão.[ ]

    1. Voltei! Estava com saudades desse cantinho. 🙂
      Hahaha… menina que papos de aranha você se meteu. Mas nós sabemos que nesse caso não foi o gênero que fez com que ela ganhasse a eleição, mas sim o partido o qual ela faz parte. Isso no Brasil tem um peso enorme. Enfim. Acho que a gente nunca conseguirá se expressar tão bem em outro idioma como fazemos com o nosso, né? Valeu pelo carinho. Puss! 😉

  3. Nossa, fiquei triste quando vim aqui e o blog trancado a sete chaves! Agora descobri o motivo: repaginada no visual! Muito lindo, limpo e convidativo.
    Sabe, Vânia, eu passei a ver com outros olhos esta questão da desigualdade salarial na maioria das profissões. Por um lado eu entendo a dinâmica, por outro, em muitas situações não se justifica tanta disparidade entre os salário já que uma mulher é tão capaz quanto um homem em determinados setores. E até que por aí, a diferença não é tão absurda.
    Sobre o quanto ganhar, uma vez um amigo queria saber qual seria o salário ideal pra se viver na Holanda. Eu apenas respondi que dependeria de quanto ele gastasse. Se você não souber usar o seu dinheiro, você pode ganhar uma fortuna e o dinheiro nunca será suficiente! Bjs e boa semana!

    1. Oi Eli, seja bem vinda novamente!
      Pois é, ele ficou fechado por um tempo por questões pessoais. E aí quando fui reabri-lo tive problemas com o layout antigo e precisei de ajuda técnica. Mas agora já está resolvido. Ainda quero fazer algumas mudanças, mas acho que vai levar um tempinho. 🙂

      Concordo contigo. Todos nós somos capazes de exercer qualquer profissão e eu vejo isso na Suécia. Muitas mulheres por aqui exercem a mesma atividade que os homens, mas aí olhando a tabela é que a gente percebe que o país da igualdade não é tão certinho assim. As obrigações são iguais para ambos, mas quando o assunto é grana, aí as coisas mudam um pouco. Na média geral essa diferença não destoa tanto, mas se pegar, por exemplo, a área de vendas técnicas dá pra sentir certo preconceito no ar. Mas me diga, e aí na Holanda, há muita diferença? Fiquei curiosa!

      Olha, é preciso ter um planejamento financeiro mesmo. Conheço gente por aqui que tem um bom salário, mas não consegue controlar o consumo desnecessário. Cada um é cada um.

      Puss! 😉

  4. Primeiro, o novo layout está a coisa mais linda. Segundo, o conteúdo do blog, como sempre, de primeiríssima qualidade. Que interessante que até na Suécia, país modelo pra mim, a desigualdade de gêneros é tão visível.
    Mas eu fiquei com uma dúvida: quanto por mês ou semana você diria que dá pra viver na Suécia?
    Xxxx

    1. Obrigada Paulinha. Então, o layout ainda não está do jeito que eu quero, mas com o tempo vou dando uma ajeitada aqui no blog. Eu estou procurando diversificar o conteúdo e fico feliz que você tenha gostado. Talvez eu abra um novo blog para colocar as coisas mais pessoais. Ainda não sei direito, mas vamos ver.

      Aí é que está uma boa pergunta. É difícil respondê-la, porque depende muito do perfil de cada pessoa. Se vem para cá solteira ou acompanhada. Se gosta de badalação ou se é mais caseiro. Se irá trabalhar ou apenas estudar. Se tem filhos ou não. Se terá ajuda do governo (no caso de filhos) e por aí vai. Até mesmo em que cidade e bairro irá morar influenciam nesse cálculo. Acho bem complicado passar um valor e as pessoas criarem expectativas que não podem ser atendidas. Por essa razão, eu sempre indico alguns sites para que cada pessoa faça o seu próprio cálculo e avalie melhor o que a espera desse lado do oceano. 😉

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