Snowboard em Romme Alpin na Suécia

Quantas e quantas vezes eu mencionei que durante o inverno na Suécia não dá pra ficar enfurnado dentro de casa, em estado de hibernação, esperando pelos gloriosos dias de verão, não é mesmo? Ou você se vira nos trinta para aproveitar o que cada estação tem de bom ou você começa a entrar em depressão. E de verdade? Isso não é legal. Por essa razão estou procurando fazer como os suecos, aproveitar cada estação de um jeito diferente.

E foi assim que eu e maridão pegamos um fim de semana qualquer e fomos nos aventurar numa estação de esqui chamada Romme Alpin. A modalidade da vez? O snowboard! E de cara não nos decepcionamos.

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Os tickets da felicidade

Um amigo nos passou todas as dicas e compramos os tickets com antecedência no site da própria estação Romme Alpin para evitar as danadas das filas. Valeu MM!

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Além do SkiBus para um dia (que inclui o traslado + o SkiPass), aproveitamos também para alugar os equipamentos, tais como capacete, as botas para a prática do esporte e o próprio snowboard. Claro, que quem tem todo o equipamento ou pelo menos parte dele não precisa alugar, né? Basta leva-los e pagar somente pela utilização das pistas.

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O site mostra também a previsão do tempo nas montanhas para os próximos 5 dias, o que é ótimo, pois ajuda a gente a se planejar melhor. Mas como o próprio nome diz é uma previsão e tudo pode acontecer. Quando comprei os tickets a previsão era de que o tempo estaria relativamente bom, mas no dia D, adivinha o que aconteceu? Pegamos um vento, mas um vento tão frio e forte que foi difícil ficar sem os óculos de proteção. Aliás, item esse que não está incluso no aluguel do equipamento. E vou te falar uma coisa, fez uma baaaaaaita falta!

Partindo de Estocolmo

Nós pegamos o ônibus no City Terminalen em Estocolmo. Como eu não sabia direito o local de embarque, cheguei a ir um dia antes pra buscar mais detalhes. Fui até o centro de informações e me apontaram o local de onde os ônibus sairiam. Entretanto, me disseram pra eu ficar atenta e verificar novamente no dia da ida, pois o portão poderia mudar.

E aí que no dia da nossa aventura, chegamos um pouco mais cedo ao terminal só pra garantir que o embarque ocorreria dentro dos conformes. O lugar que a mocinha-loirinha-bonitinha-simpatiquinha tinha me indicado estava totalmente furado. Por sorte, o terminal é bem sinalizado e as informações para o embarque já estavam na tela.

Ao chegarmos na plataforma indicada encontramos ali uns 5 ônibus rumo à estação Romme Alpin. Putz, e como saber qual era o nosso ônibus? Pois é, não tinha como. Marinheiros de primeira viagem sempre ficam meio perdidos, né? Até que encontramos um rapaz com “cara crachá” que nos orientou a entrar no ônibus que estivesse menos cheio.

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Partimos do terminal lá pelas 6h50 na manhã de um sábado bem gelado. E é tipo uma excursão mesmo. Todo mundo cheio de apetrechos, um barulhão de sacolas e gente falando alto. Parece até que o pessoal estava voltando do Paraguai, sabe? Isso sem dizer que rola a maior farofada, já que cada um leva a sua lancheirinha para o café da manhã. Inclusive a gente!

A conferência dos tickets acontece dentro do próprio ônibus. Você recebe um cartão que deve ser mantido contigo durante o período que estiver na estação.

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Agora, o comprovante do aluguel do equipamento o cara nem olhou e a gente só o apresentou na hora de pegá-los mesmo.

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O percurso demora umas duas horas e meia e assim que está para chegar um filminho de apresentação sobre a estação e algumas instruções são exibidos.

A estação

A estação de esqui Romme Alpin fica no sul de uma cidadezinha chamada Dalarna e que é relativamente perto de Estocolmo. Ela é uma das seis estações de esqui mais visitadas em toda a Suécia. Tem uma grande variedade de pistas e um super entretenimento pra galera.

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Bom, a gente resolveu passar apenas o dia, mas quem quiser pode estender a estadia por lá, pois há hotéis para ficar.

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E olha só que interessante, todo ano no mês de março essa estação é palco da maratona de esqui mais antiga do mundo, a Vasaloppet. Por acaso você lembra dela? Eu já a mencionei nas curiosidades do mês de março na Suécia, hein?

Tá, e o que mais tem no Romme Alpin? Bom, o local tem um total de 28 pistas e 13 elevadores numa estrutura pra lá de organizadinha. Tem toda aquela divisão das pistas por cor, justamente para separar os gralhas, dos iniciantes, dos que já sabem se virar e dos que realmente manjam da arte de esquiar e “snowbordear”.

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E pra variar tem aula particular, justamente para quem quer aprender as tais das técnicas e não passar vergonha. Mas eu sou daquelas que vou pela diversão e também para passar vergonha, fazer o que.

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Tanto que eu e as criancinhas de 3 anos piramos no carpete mágico que tinha na montanha de crianças. É tipo uma esteira que te leva tranquilamente lá para cima sem esforço algum e numa altura bem de gente que nunca esquiou na vida. Cara, eu fiquei nessa montanha, se é assim que eu posso chamar, por um tempão e vou te falar, as crianças me deram um banho. Tenho um vídeo guardado da minha performance, mas e a coragem para divulgar, hein?

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Além disso, há boas opções de restaurantes e cafeterias para comer e tomar um café bem quentinho. Mas é necessário ter paciência, muita paciência. O atendimento é devagar quase parando e as filas no horário do almoço são enormes.

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Mas para quem não quer gastar muito, há lugares para comer o seu próprio lanchinho. Tá aí uma das coisas que eu gostei de ver. Apesar dos restaurantes estarem fervendo no horário de pico, eu vi muita gente levando os seus próprios comes e bebes e ninguém ficou reparando nisso.

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Esquema de guardar os pertences

Assim que comprei os tickets eu fiquei curiosa para saber se na estação havia algum tipo de armário com cadeado para deixar as coisas pessoais. Como não encontrei essa informação no site, resolvi ligar na estação para tirar isso a limpo. E pimba! Descobri que não havia nenhum tipo de armário nessas condições.

Pô, confesso que fiquei meio atordoada com isso, afinal onde eu deixaria minha mochila? E né, apesar de na Suécia os furtos acontecerem numa proporção menor, as coisas continuam acontecendo desse lado do oceano, afinal pessoas continuam sendo pessoas em qualquer parte do mundo, né?

Pois bem. A orientação que tive ao telefone foi a de que não levasse coisas de valor. E objetos como carteira, dinheiro, celular, relógio e etc. deveriam ser mantidos comigo, pois a sala para deixar os pertences havia apenas prateleiras sem qualquer tipo de proteção.

Num primeiro momento pensei em deixar as coisas dentro do ônibus e se eu precisasse de algo era só voltar. Mas aí que durante as instruções foi dito que o ônibus ficaria fechado e que a gente deveria levar os pertences, pois não haveria ninguém ali de plantão para abrir.

E foi exatamente o que fiz. Peguei a minha mochila e a deixei nas prateleiras somente com coisas sem valor e a minha bota de inverno em cima dela.

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Mas o pessoal me pareceu bem desprendido, porque vi bastante gente fazendo isso, bem como deixando os pertences do lado de fora, num tipo de… vou chamar de galinheiro de coisas de inverno, ok?

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Roupa adequada faz a diferença

E como faz, viu?

Eu vi uma galera de calça jeans esquiando. Mas cara, de verdade? É terrível! Primeiro que prende os seus movimentos e eu acho que te deixa meio desconfortável. Segundo que se você não tem prática, provavelmente irá cair e levantar muitas vezes. Só nesse processo a sua calça vai começar a molhar e é exatamente aí onde mora o perigo. Ficar com o corpo molhado em pleno inverno é perigoso e pode fazer com que você adoeça.

Como na estação de esqui não existe a possibilidade de alugar roupas para esquiar – pelo menos não nessa – eu tive de comprar uma calça apropriada. Os preços variam bastante. Desde aquelas que de longe a gente vê que é um tecido bem vagabundo até aquelas que você precisa vender um rim para comprar.

Eu e maridão pesquisamos bastante e conseguimos comprar uma de boa qualidade numa mega promoção. A gente sabia que não queria o conjunto completo, tipo calça e jaqueta, pois já tínhamos a parte de cima. E só compramos a calça porque moramos na Suécia e com certeza iríamos utilizá-las em outras oportunidades, como já o fizemos.

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Então, sempre dê preferência para roupas a prova d’água e que não segurem o suor. Mesmo tendo a calça de esqui é bom ter outra calça por baixo, desde que não seja jeans.

Claro que para quem visita o país por um período curto de tempo, devido a uma viagem de trabalho ou a turismo, eu acho que nem vale a pena comprar. Nesse caso, a melhor oportunidade é tentar pegar emprestado. Foi isso que eu fiz quando esquiei pela primeira vez e valeu a pena.

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 Voltando pra casa

O tiozinho responsável pelo ônibus já havia dado o recado de que ele sairia as 16h15. Portanto, a gente tinha de se organizar para estar no ônibus antes desse horário, pois eles não iriam esperar.

Pra gente não correr o risco de perdê-lo, devolvemos os equipamentos uma meia hora antes do horário combinado. Achamos que seria melhor para evitar filas e sem ficarmos preocupados em perder o ônibus. E posso falar uma coisa? Foi a decisão certa. Perto das 16 horas a montanha parecia um formigueiro, a galera descendo a milhão, devido ao horário de partida dos ônibus e as filas para devolver os equipamentos estavam gigantes.

Saíamos pontualmente no horário marcado e a galera voltou no maior silêncio. Graças a Deus! Pode não parecer, mas esportes de inverno cansam pra caramba.

A estrada estava abarrotada e o retorno para a capital demorou mais de 3 horas. Apesar do cansaço e a vontade de chegar logo em casa, deu tempo suficiente para tirar um cochilo maroto.

Quem avisa amigo é

Numeração das botas. Na Europa se usa um número de calçado maior e no ato do aluguel no site você precisa indicar a numeração. Como se trata de uma bota especial, eu peguei dois números acima do meu (considerando a minha numeração no Brasil) e ficou perfeita. Já meu marido fez isso e ficou meio grande. Ele decidiu ficar com ela, mas acabou ficando um pouco incomodado.

Apesar dele ter sido meio cabeção, não seja você. Se por acaso você experimentar a bota e notar que está muito apertada ou muito folgada, fale com a atendente para efetuar a troca, mas tenha em mente que poderá pegar uma filinha aí para fazer isso.

Se for fazer snowboard é preciso identificar no site se você é Goofy (pé direito) ou Regular (pé esquerdo), porque isso indicará para o pessoal que monta os equipamentos qual é o pé que ficará na frente do snowboard. Como eu andava de skate na época em que Adão era menino, eu sabia qual era o meu pé predominante. Se você não sabe qual é o seu, eu sugiro dar uma pesquisada na internet para pegar dicas e assistir a alguns vídeos no youtube.

Snowboard. No ato da reserva do equipamento também é preciso colocar a altura, pois o tamanho da prancha é escolhido de acordo com essa medida.

Segurança. Qualquer esporte existe a possibilidade de se machucar. Então, nada de bancar o sabichão e ir de cara na pista preta. Pegue leve, pratique o esporte com cuidado e sem exageros.

A experiência e a sensação de “snowbordear”

De cara eu falo: foi sofrida, mas ao mesmo tempo excitante.

Digo sofrida porque nunca fui uma pessoa muito adepta à prática de esportes e isso transpareceu na minha total falta de coordenação motora. E excitante porque estava decidida a experimentar algo novo, até mesmo para ajudar a passar pelo inverno de uma maneira mais rápida.

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Eu levei um tempão pra me acostumar, mais até do que eu esperava. Como no passado eu andava de skate, achei que seria bem sossegado. Mas não foi. A diferença é que no snowboard seus pés ficam presos no shape, enquanto que no skate não. E o que aconteceu? Caí até dizer chega. Chegou um determinado momento que eu não tinha mais força nas pernas para levantar do chão.

Mas se você pensa que eu desisti, engano seu. Continuei tentando, tentando, tentei mais algumas vezes e consegui. No final acabei achando mais fácil do que esquiar.

Apesar de ficar bem dolorida no dia seguinte eu preciso te contar uma coisa. Cara, eu amei ao cubo fazer esse esporte e gostaria de ir todo o final de semana. Na verdade, eu acho que passaria a semana toda nessa estação só praticando. Mas né, esportes de inverno, como esquiar e “snowbordear” podem sair caros e eu ainda não estou nadando em dinheiro para fazer isso.

Foi uma experiência bastante divertida e não vejo a hora de repetir… isso se o orçamento permitir, né?

Vi ses… hej då! 😉

10 thoughts

  1. Oi Vânia!
    Estou acompanhando o seu blog e fico maravilhada com os seus textos. Estou indo fazer meu mestrado na Suécia agora em agosto em Uppsala. Estou devorando tudo que eu consigo na internet e o seu blog está me deixando muito mais preparada para o que eu vou encontrar.
    Gosto muito de esquiar e estou feliz em saber que existem lugares legais para esquiar por aí. Como sou estudante meu orçamento é um pouco baixo e queria saber mais ou menos quanto custou essa sua viagem. Você sabe se tem algum tipo de passe de temporada?
    Se der, pode escrever um texto sobre Uppsala?
    Obrigada pelo site. Estou amando. Parabéns pelo ótimo trabalho.

    1. Oi Valquiria! Ai que carinho mais lindo esse. Ganhei o dia, sabia? 😀 Fico mega feliz quando as pessoas curtem o conteúdo que eu produzo e me sinto mega energizada para não desistir nunca!
      E parabéns por essa conquista. Agarre essa oportunidade e aproveite bastante seu mestrado na terra dos vikings. Tenho certeza que ele te trará bons frutos, não somente na sua carreira, mas também na sua vida pessoal.

      Putz, essa viagem eu fiz há algum tempo e infelizmente não me recordo dos valores :(. Lembro que precisei pagar pelo traslado, aluguel dos equipamentos e a diária na estação e não foi algo barato. Esses esportes de inverno no geral são meio salgadinhos, mas acho que fazer de vez em quando ou pelo menos uma vez na vida não há mal algum. Dá uma olhadinha no site da Romme Alpin nesse link http://www.rommealpin.se/index.asp?lang=1033. Com certeza os valores estão mais atualizados e você poderá se planejar melhor. Se precisar de mais alguma informação é só avisar, tá?

      Valeu pelo carinho e incentivo. Parabéns para ti mais uma vez.

      Grande beijo! Muáh! 😉

  2. Ohhh Vânia, maior poderosa em cima deste skate, hein! Parece que frequenta assiduamente estas estações! hahahaha Se vc não conta, ninguém iria imaginar que “tomou uns caldos”na neve hahahaha
    Que bom que se divertiram! Bjs

    1. Amilde, olha você me arrancando mais um sorriso enorme. Tô parecendo um pavão aqui com o peito estufado de tanto orgulho e alegria. Repito o que eu escrevi ao Carlos: esse espaço só é especial por causa de pessoas como VOCÊ, que fazem dele um lugar agradável para se estar e me incentivam a compartilhar coisas sempre positivas. E pode deixar que continuarei assim para todo o sempre. Prometo!!! E que você seja assim tão querida para mim.
      Um beijinho bem geladinho… Muáh! 😉

  3. Olá Vânia

    Já acompanho sua página há algum tempo, e não consigo ficar sem ler 1 único artigo que você posta.
    Moro no Brasil, mas sou um fã declarado da Suécia. Como meu bolso e meu tempo não me permitem conhecer um pouco desse pais maravilhoso, acompanho um pouco por aqui.

    Te confesso que a distancia diminui e a vontade de conhecer aumenta. Poderia escrever um artigo de agradecimento a você pela iniciativa, mas como passarei a comentar suas postagens, aos poucos vou demostrando minha imensa gratidão por dividir todas as suas experiencias por ai.

    Falando em esportes … muito show praticar snowboard né. Já tentei algumas vezes e foi catastrófico, mas valeu pela diversão e por mexer o corpo hehehe

    Só para finalizar a “rasgação” de elogios … que fotosss
    Ótimos ângulos e apesar de uma fotografia não captar o que os olhos vêem, cada foto tirada por você nós da uma pequena dimensão dos lugares que você descreve.

    Muitoooo obrigado por dividir tudo conosco e parabéns pelo belíssimo trabalho com esse blog.

    Grande abraço

    1. Uau Carlos!
      Que comentário mais tudo de bom esse, hein?! Eu tô com um sorriso bobo na cara agora, sabia? Não consigo traduzir em palavras o que estou sentindo para agradecer tamanho carinho. Acho que nem em um bilhão de anos conseguiria fazer isso. Eu gosto muito de compartilhar os lugares que vou, as curiosidades desse país e mais um montão de coisas que me fazem bem. Mas eu juro, com todo o meu coração, que nunca pensei que ele fosse ser acessado por tantas pessoas queridas e do bem. Mas eu quero te contar uma coisa. Esse cantinho é tão especial pra mim, não somente por causa das coisas que divulgo, mas principalmente por causa de vocês leitores, por causa de pessoas como você que tratam dele tão bem. Isso não preço que pague! Sempre que me sinto meio pra baixo e penso em abandonar as postagens eu lembro de todos esses comentários. E acredite… eu sempre os releio.

      Obrigada por curtir o blog e gostar do que eu compartilho por aqui. Muito, muito, um montão de muito obrigada.

      Um forte abraço pra você bem geladinho da terra dos vikings. Espero que um dia você tenha a oportunidade de visitar o país e quem sabe tomar uma xícara de café comigo. 😉

Faça a teimosa feliz. Comente!