Sigtuna: a cidade mais antiga da Suécia

Há mais de 10 anos o maridão teve a oportunidade de visitar a simpática cidadezinha de Sigtuna na Suécia, durante uma viagem a trabalho. Me recordo que ele a visitou bem no auge no inverno, onde tudo estava branquinho e congelado. Uma das fotografias que ele tirou na época me deixou com muita vontade de estar desse lado do oceano. Sabe aquela paisagem coberta pela neve, o céu em vários tons de cinza e de quebra nenhuma alma viva pela rua? Pois é, estava exatamente desse jeito.

Havia também um cemitério ao fundo, ruínas e algo meio sombrio no ar. Parecia cena de filme, sabe? Cena que a gente acha que só irá ver pela televisão.

Mas anos se passaram, nós mudamos para o país e eis que no verão de 2014 ele finalmente me arrastou para conhecer Sigtuna.

E o que tem de tão especial?

A simpática cidade sueca

Sigtuna é uma cidadezinha bem pequenininha com cerca de 9.000 habitantes. É tão pequena que para o Centro de Estatística da Suécia (SCB) a coitada nem é considerada cidade, justamente porque possui menos de 10.000 habitantes.

Apesar de ser apenas uma “localidade”, se assim posso chamar, ela tem um lugar importante na história do país. Sabe o motivo? Porque é a cidade mais antiga da Suécia. Ela foi fundada em 980 no que era então as margens do Lago Mälaren.

Sigtuna

Por causa da sua localização, Sigtuna foi um dos principais centros comerciais do país por nada mais que 250 anos. Ah, e isso sem contar como uma das cidades mais importantes na história da Suécia. Tanto que lá no finalzinho do século 10 e começo do século 11 as primeiras moedas utilizadas na terra dos vikings foram cunhadas nela. Olha só!

Sigtuna

Signuna floresceu como centro real, eclesiástico e comercial até o final do ano de 1200, até que outras cidades ganharam mais importância e vieram para tirar o seu trono. As vilãs? Estocolmo (sua linda) e Uppsala.

O centro de informações

O primeiro lugar que parei foi no Centro de Informações Turísticas da cidade. Queria pegar o mapa, as recomendações dos principais pontos turísticos e dicas de um lugar gostoso para comer sem gastar muito. Porque olha, vou te contar, a cidade pode ser pequena, mas é cara, viu? Não sei se mais alguém teve a oportunidade de visitá-la, mas achei tudo meio que os “olhos da cara” por lá.

Sigtuna

Enfim. Como essa visita foi meio que no supetão, eu estava meio perdida do que fazer para me divertir.

Storagatan: a antiga (e ainda atual) rua principal

Eu e maridão, munidos de mapa e todas as informações necessárias, nos colocamos a caminhar pela cidade. Logo na rua principal, a Storagatan (que é a mesma onde fica o Centro de Informações), dá para encontrar aquelas coisas que os turistas gostam de ver. Lojinhas de roupas e artesanatos, restaurantes, cafeterias e pequenos museus.

Sigtuna

Sigtuna Rådhus: a câmara municipal

Seguindo adiante, na mesma rua, a gente encontrou à direita uma casinha antiga e toda charmosa. E foi aí que a gente descobriu que não era uma casinha qualquer, mas sim a câmara municipal.

Sigtuna

Essa é a antiga prefeitura da cidade, projetada no século 18 e que está localizada bem na praça principal da cidade. Ela é tão queridinha que até foi tombada pelo patrimônio público, justamente por ser a menor prefeitura que ainda sobrevive na Suécia.

A gente teve a oportunidade de ver por dentro e sem pagar nada, já que o horário de visitação casou com o horário que estávamos passando na região. Hoje em dia apesar dela não ter mais o peso de ser a prefeitura oficial da cidade, ela ainda continua na ativa, seja através do museu quanto num local para casamentos.

Sigtuna

Mesmo sendo um ponto turístico bem conhecido, não chega a ser a cereja do bolo em termos de novidade. Mas o rapaz que estava recebendo o público era um fofo, super atencioso e disposto a responder todas as nossas curiosidades.

Strandvägen: o entretenimento na estrada da praia

De lá seguimos em direção ao final da Storagatan, até que chegamos a estrada da praia, a Strandvägen.

Sigtuna

A impressão que tive é que esse local é onde a galera vai para se divertir durante o dia. Andam de bicicleta, caminham, fazem piquenique, alimentam os pássaros, nadam e se divertem pra caramba.

Sigtuna

Eu acho que rola alguma diversão à noite também, mas como não fiquei para conferir, não tenho como afirmar isso.

Sigtuna

Mas o fato é que eu mesma aproveitei o local para me esparramar em um dos bancos e tomar um pouco de sol, porque não são todos os dias que a gente tem temperatura na casa dos 30 graus, né? Sim, nesse dia estava os maravilhosos 30 graus que não sentia há muito tempo. E temperatura como essa pelas bandas de cá é meio que uma vez na vida e outra na morte.

Sigtuna

As charmosas ruazinhas

Sempre que a gente seguia adiante, mais eu me encantava com a cidade e com suas charmosas casas coloridas de madeira originais datadas dos séculos 18 e 19. Não sei se tivemos sorte, mas o dia que fomos a cidade não estava cheia e deu para passear tranquilamente.

Sigtuna

A gente se enfiou em tantas ruas e vimos tantas coisas que não são considerados pontos turísticos, que acabei me empolgando e esquecendo de registrar todos os detalhes.

Sigtuna

De repente a gente meio que foi parar numa colina. E adivinha o que eu vejo lá de cima? As ruínas! Exatamente aquelas que mencionei no início desse texto. E finalmente partimos para o que eu queria ver. As benditas das ruínas!

Sankt Olofs kyrkoruin: as ruínas de uma igreja

Claro que a paisagem estava completamente diferente e não tinha mais aquele ar misterioso que eu tinha visto há tantos anos pela fotografia, mas mesmo assim ainda possuía os seus encantos.

As ruínas dessa igreja estão localizadas no cemitério de uma outra igreja, chamada Mariakyrkan – já falarei dela também – e é praticamente um ponto turístico obrigatório a ser visitado.

Sigtuna

Reza a lenda que a construção dessa igreja provavelmente começou na primeira metade do século 12, ainda na Idade Média, mas não se sabe ao certo o ano correto. E por que? Segundo alguns pesquisadores mais curiosos, que fizeram escavações na década de 2000, se descobriu algo totalmente novo. As ruínas dessa igreja estão sobre um edifício bem mais antigo, talvez de dois ou três séculos antes, que pode indicar que ela é a igreja de pedra mais antiga da Suécia. Bacana, não?

Sigtuna

Bom, eu me esbaldei fotografando do lado de fora, do lado de dentro e até tentei recriar a mesma foto de 2004. E é claro que não funcionou, né? Uma coisa é ir no verão e outra completamente diferente é ir no inverno. Mas eu preciso te confessar uma coisa. Eu quero muito, mas muito mesmo criar coragem para voltar no inverno e vê-la coberta de neve. Acho que a minha emoção será maior ainda.

Mariakyrkan: a igreja dos frades Dominicanos

Na mesma área das ruínas está a igreja Mariakyrkan. Dá para acreditar que ela foi a primeira igreja de tijolos construída pelos frades Dominicanos lá no século 13? Pois é, pois é, pois é! Essa igreja toda de tijolinhos é a construção mais antiga no vale do Lago Mälaren. Vai vendo que a região é toda na base da antiguidade.

Sigtuna

Bom, como ela estava aberta a gente resolveu entrar pra conferir de perto. Apesar de ser bem simples, a iluminação que entrava pelas janelas dava certa harmonia ao ambiente. Havia uma senhora tocando o órgão e a gente aproveitou para escutar um pouco e dar uma olhada na igreja como um todo.

Sigtuna

Agora, eu achei uma coisa muito esquisita. Numa área da igreja havia vários quadros pendurados. Mas não eram quaisquer quadros. Eram quadros de macacos! Eu fiquei com aquela cara de “ué, o que que é isso, senhor?”. Confesso que não entendi nada. Se bem que até agora eu continuo sem saber do que se trata. Me desculpe a ignorância. Se alguém souber, me ajude, please?!

Sigtuna

Bom, e enquanto eu estava ali com um ponto de interrogação enorme estampado na cara, me perguntando “Qual é a relação dos macacos com a igreja?”, um pastor todo simpático nos avisou que a igreja iria fechar. Na hora fiquei com aquela coceira na língua para perguntar sobre os quadros, mas no fim acabei deixando para lá, porque não sei se seria rude fazer isso. Ele nos convidou para voltarmos para assistir a missa que seria realizada mais tarde e tals, mas a gente saiu de fininho, antes que mais surpresas pudessem surgir.

Sigtuna

Aliás, só um comentário. Eita povo simpático dessa cidade, hein? Só perde mesmo para o pessoal de Gotemburgo.

As pedras rúnicas

Apesar de Sigtuna possuir mais de 150 inscrições rúnicas, mais do que qualquer outra cidade na Suécia, a gente só viu duas e que estavam ali mesmo no terreno da igreja Mariakyrkan.

Sigtuna

Com o cansaço e o calor escaldante sob nossos cocurutos, a gente não se empolgou dessa vez para ir atrás das demais. Aliás, bem diferente do que aconteceu em Norrköping quando a gente foi atrás dos petróglifos da Idade do Bronze, não é?

Mas para quem gosta de história e desafios, o Centro de Informações Turísticas disponibiliza o alfabeto rúnico. Aí você pode se esforçar em traduzir e ler as antigas mensagens. Pensou se descobre algo totalmente inédito, hein?

Parada para reabastecer as energias

A gente decidiu aproveitar a cidade primeiro para depois comer. E o que aconteceu? Os lugares ou estavam fechados – a grande maioria – ou estavam cheios, já que as opções estavam escassas.

Nem deu para escolher muito e entramos no primeiro lugar que havia poucas pessoas. Já diz um velho ditado, desconfie se um lugar para comer está vazio e os demais estão cheios. Só que como estávamos sem opção e morrendo de fome encaramos mesmo assim. E batata! Não era dos melhores.

Maridão arriscou um sanduíche meia boca de presunto e queijo brie. Bom, eu me achando a esperta teimei em comer macarrão com legumes, presunto parma e mussarela de búfala. Falando parece delícia, né? Mas o prato veio todo massarocado e os pedaços de legumes davam para contar em uma mão. Definitivamente não era um dos melhores e não valia o preço. E olha que macarrão é difícil de errar, mas o lugar conseguiu essa proeza.

Sigtuna

Então, aqui já fica a dica. Ao visitar a cidade programe seu horário de almoço e evite deixar para o final da tarde, porque pode acontecer o que aconteceu conosco.

Como chegar?

Como a cidade é próxima a Estocolmo dá pra ir tranquilamente de transporte público e o deslocamento total é de mais ou menos 1 hora até lá. Mas pode variar, dependendo se é final de semana, feriado ou se tem algum atraso.

No City Terminalen pegamos o pendeltåg, que é um trem tipo metropolitano, sentido Märsta (número 36). Chegando na estação Märsta, precisamos pegar um ônibus de linha sentido Sigtuna (número 572 ou 575) e descemos no ponto Sigtuna busstation.

Apesar de ter sido bem tranquilo pra gente, eu recomendo que você verifique também diretamente no site do transporte público de Estocolmo, que é a SL, como garantia.

A experiência

A gente conheceu tudo em umas 3 horas. Nós levamos esse tempo, porque paramos várias vezes para tirar foto e para descansar, mas quem quiser pode fazer tudo mais rapidinho ou talvez prolongar a visita e aproveitar para fazer um delicioso piquenique.

Sigtuna

Eu queria ter ido também no Castelo de Rosersberg, mas faltou coragem já que fica um pouco afastado do centro. Talvez numa próxima oportunidade, quem sabe.

A cidade é realmente uma graça, especialmente no verão. Só o fato de ter visto as ruínas e ter aproveitado o sol valeu por todo o passeio. Porém, eu estou louca pra ver as ruínas todas branquinhas por causa da neve, com aquele ar sombrio e sem nenhuma alma penada por perto. E se eu criar coragem de ir e encarar a temperatura negativa eu volto aqui para mostrar. Combinado?

Só sei que voltei para casa feliz e contente, não somente por causa desse passeio, mas também porque no meio do caminho eu descobri ao acaso um campo de canola. Claro que fui conferir de perto no dia seguinte e, inclusive, eu já contei tudinho no texto caminhada pelo campo de canola em Roserserg station.

Por fim, se você está pela Suécia e tem a oportunidade de conhecer outras regiões além de Estocolmo, tá aqui uma cidade bem charmosinha para incluir no seu roteiro.

Vi ses… hej då! 😉

12 pensamentos

  1. Vânia, vim parar aqui através do seu instagram… que cidade gracinha! E cara, também fiquei curiosa com essas fotos dos macacos, esquisito, né? Já estou adicionando seu blog no meu feedly – adoro ler sobre vida em outros países! 🙂

    1. Bárbara, seja muito bem-vinda! Eu compartilho um montão de coisas e espero que algumas delas possam te agradar.

      Pois é, essa história dos macacos é super estranha. Eu tirei foto apenas de um quadro, mas havia muitos outros por lá. Muito trash! Vou te adicionar no meu feedly. 😉

  2. Eu to me sentindo extreeeemamente culpada por ainda não ter escrito sobre os passeios que fiz nesse último verão. Desde agosto/setembro to pra escrever uns 10 posts e até agora nada. Aí vejo que você só escreveu agora sobre um passeio que fez 2 anos atrás, nossa, me encheu de alívio! Hahaha nunca me acostumo com o ritmo de escrever pro blog, não é mole 😛 Eu já tinha lido antes sobre essa cidade, agora fiquei com mais vontade ainda de visitar!!! Amo suas fotos, como sempre lindas! Beijo!

    1. Hahaha! E eu que não sinto culpa nenhuma?! 😀 E se eu te falar que eu tenho rascunhos desde 2011 quando criei o blog, você acredita? 😀 Comecei a desenterrar as coisas do computador também e descobri tanta foto, que logo mais tudo irá aparecer por aqui. Portanto, não fique com vergonha de postar coisas antigas. Se você achar que vale a pena, só te digo uma coisa: VAI FUNDO! Agora sou eu que estou curiosa para ler sobre os seus passeios.
      Muito obrigada pelo carinho, viu?! Muáh! 😉

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