Flickorna Helin Voltaire: a cafeteria das meninas em Djurgården

Esse nome todo doidinho do título significa “as meninas Helin Voltaire” e é uma das cafeterias que eu frequento esporadicamente desde que me mudei para Estocolmo em 2013.

Descobri ao acaso, durante a minha primeira caminhada pela ilha de Djurgården e resolvi entrar para xeretar.

A cafeteria fica num edifício tipo um castelinho e está localizada bem no parque de Djurgården, uma área bastante arborizada, a apenas alguns metros de um portão azul bem grandão.

A história do edifício

O castelinho onde fica a cafeteria na verdade se chama Skånska gruven e foi construído em 1897 para ser um pavilhão de exposições. Mas não ache você que era qualquer exposição. Não senhor! Era especificamente uma exposição da área de mineração, onde os principais participantes eram fabricantes de tijolos, usinas de açúcar e indústrias de cimento, cal e carvão, que juntos atraíram cerca de 70 mil visitantes. Um sucesso para a época.

Depois de alguns anos o castelinho foi doado para o Skansen. Esse mesmo que você está pensando, aquele lugar que é um museu ao ar livre e zoológico e que ferve de turistas na alta temporada. Mas o tal negócio da exposição só durou mesmo até 1924, quando foi fechado de vez e o espaço acabou sendo utilizado como depósito de museu.

Mas foi aí que 1977 a coisa piorou de vez. Todo o edifício pegou fogo, restando apenas as paredes de tijolinhos para contar história.

Quase 30 anos depois os caras do Skansen tomaram vergonha na cara e finalmente resolveram dar uma renovada geral. Resultado: um castelinho bonitinho, charmosinho e com coisas gostosinhas para comer.

O ambiente

O ambiente é bem rústico como a maioria das cafeterias antigas da cidade. A combinação das paredes de tijolinho à vista com o chão em madeira e a inexistência de janelas acabam resultando num ambiente bastante escuro, mas que não chega a ser um incômodo.

Dá para sentar num tipo de saleta onde há vários quadros com fotografias de doces e pratinhos que enfeitam as paredes.

Existe também uma lareira na lateral da sala que pode ser acesa deixando o clima muito mais acolhedor nos dias friozinhos.

Além disso, pequenas luzes imitando estrelas no teto lançam uma luz bem suave sobre as mesas. A desvantagem é que em dias assim arrumar um lugar para se sentar pode ser um desafio e tanto.

Já no verão, se acomodar nessa sala é praticamente inviável, pois a sensação é de uma perfeita sauna, já que tudo é fechado. A alternativa para os dias mais quentes é o terraço do lado de fora. Tem um espaço grande, alguns guarda-sóis e é decorado com flores da estação. Dá para ficar sentado por horas e mais horas jogando conversa fora e contemplando a paisagem ao redor.

O público meio que se divide. No verão a gente vê mais a turistada por causa dos museus da região como o Vasa, ABBA, Skansen e Nordiska. Mas no inverno a cafeteria é frequentada basicamente por quem mora na cidade.

As comidinhas

O cardápio conta com as famosas sopas do dia, sanduíches, saladas, chás, cafés, bolinhos, doces e tortas. E para quem gosta ainda dá para levar um pãozinho caseiro para viagem.

As experiências

Como vou de vez em quando eu procuro comer o que mais me agrada e confesso que raramente mudo o pedido. Sou dessas!

O meu prato favorito, sem dúvida, é o Club Sandwich. Um pão bem pretinho repleto de castanhas, filé de frango, maionese com curry, bacon, tomate, cebola roxa e várias coisas verdinhas por cima. E o tamanho dele vale por uma refeição.

Mas não vou mentir, porque já arrisquei comer outras coisas. Em uma das visitas arrisquei pedir uma salada, que constava no cardápio como Caesar Salad, mas o prato veio tão diferente que fiquei na dúvida se tinha feito o pedido corretamente. Na verdade, é uma versão que a cafeteria reinventou, mas que eu achei gostosa.

Em compensação já pedi outras coisas as quais não fui muito feliz. Uma delas foi um dos sanduíches mais tradicionais na Suécia, o Klassisk Räksmörgås (sanduíche de camarão clássico). Vem um pão e por cima tem alface, camarão descascado, maionese, tomate, caviar (em alguns casos), ovo e limão siciliano para dar uma temperada no camarão já que ele vem cru. Nada contra ser cru, porque eu como comida japonesa e amo, mas esse aí não gostei muito e espero nunca mais ter de repetir nem nessa cafeteria e em nenhum lugar da Suécia.

Outra vez que fiquei meio decepcionada foi quando pedi a Citronmarängpaj (torta merengue de limão). Eu tinha em mente algo parecido com a nossa torta brasileira que é feita de leite condensado e limão de verdade. Mas isso não aconteceu, pois ela era bastante açucarada e sem gosto de limão algum. Fora isso, achei que o merengue tinha um gosto forte de ovo e sobremesa com gosto assim ninguém merece, né? Fui inventar moda e me arrependi. Entretanto, meu marido pediu a torta de maçã e disse que estava uma delícia.

Em minha opinião eu acho os pratos salgados mais gostosos que os doces. Mas já li relatos que a galera curte bastante as tortas de mirtilo, framboesa e de maçã. Talvez eu ainda não tenha tido sorte de provar algo que realmente valha a pena no quesito doce, mas não irei desistir.

Antes que eu me esqueça. Como existe apenas um banheiro a fila costuma ficar gigantesca. É bom saber que se estiver “espremido” você terá de contar com a paciência e com o cruzamento das pernas para que nada escape.

Vale a pena conferir:

Flickorna Helin Voltaire
Website: http://www.helinvoltaire.com/
Endereço: Rosendalsvägen 14
Horário de funcionamento:
2a. feira a sábado: 09.00 – 17.00
Domingo: 10.00 – 17.00
Durante o inverno o horário é diferenciado

Vi ses… hej då! 😉