Caiaque em Estocolmo: uma perspectiva diferente da cidade

Esportes aquáticos nunca fizeram muito a minha cabeça. Digamos que a minha relação com a água não é das melhores. É tipo ela lá e eu cá. Apenas para deixar claro, eu ainda continuo tomando banho como uma boa brasileira que sou, ok?

Só que agora parecem que as coisas estão ficando diferentes. Eu moro numa cidade cercada pela água e de uma beleza ímpar, a tal Veneza do Norte. E como Estocolmo tem 14 ilhas que estão ligadas por 53 pontes, estar no verão por essas bandas é como se a cidade te convidasse a conhecer cada cantinho, a apreciar toda e qualquer paisagem e a entrar de cabeça na estação.

Entre tantas atividades que giram em torno dessa época do ano, uma bem divertida é alugar um caiaque. Ver a paisagem de uma perspectiva diferente, principalmente numa tarde ensolarada, faz com que a cidade fique muito mais linda do que ela já é.

O dia em que o medo e a emoção se misturaram

Foi em um desses verões supimpas, de rachar o coco, que eu quis me aventurar com um caiaque. Confesso que apesar de ter muita vontade de praticar o esporte, eu ficava apavorada só de pensar do caiaque virar. O meu medo era se de repente eu não conseguisse desvirá-lo e ficasse ali de cabeça para baixo, engolindo água e sem receber socorro.

Apesar de sentir o maior medo eu resolvi arriscar. Aliás o que é a vida sem algumas doses de emoção, né? Eu, maridão e mais um casal de amigos super queridos decidimos nos aventurar num final de semana com a temperatura lá nas alturas.

Só fazendo um parêntese. Infelizmente, não tenho registrado os melhores momentos desse dia, pois como não tenho a caixa estanque para proteger a câmera e nem o celular, por garantia resolvi deixá-los em casa. Então as fotos aqui apresentadas foram tiradas em períodos diferentes, ok?

Mas voltando. Eu e maridão nunca tínhamos feito caiaque antes e estávamos com uma mistura de empolgação e insegurança. Empolgação porque seria algo novo e divertido e insegurança porque não sabíamos como reagir caso o caiaque virasse. Acho que bem mais da minha parte do que da dele.

Enfim. Pesquisamos bastante o lugar com preço mais atrativo para alugar o equipamento e descobrimos um fora do circuito turístico, localizado em Solna. Justamente por ficar fora do centro da cidade o preço era bem mais acessível.

Ao chegarmos no local ficamos em uma lista de espera por mais ou menos uma meia hora, já que todos os equipamentos estavam alugados. Quando chegou a nossa vez pegamos tudo dentro dos conformes, caiaque, remo e colete salva-vidas e recebemos instruções do manuseio do remo de um garoto um cadinho mal-humorado, mas tudo bem.

Eu queria alugar o caiaque para duas pessoas, porque além de ser mais barato, a gente poderia trabalhar em equipe. Mas maridão não quis. Disse que eu iria cansar logo e que sobraria pra ele ficar remando sozinho. E sabe de uma coisa? Foi a melhor decisão de termos alugado caiaques separados. Explicarei mais adiante.

Para entrar no caiaque precisei de ajuda. Por sorte o tal do menininho ficou segurando pra mim e meu amigo me ajudou a entrar. Aliás, onde estava maridão a essa hora, hein? Bom, ele estava eufórico para pegar o seu caiaque e sair desbravando os sete mares.

E olha, meu início foi meio conturbado. Eu remava para um lado e o caiaque ia para o outro. Não conseguia manter o equilíbrio direito e eu mais parecia um pandeiro de escola de samba do que outra coisa. Quase fiquei encalhada e meu amigo teve de me socorrer puxando o caiaque. Olha, foi difícil, viu.

O ponto de partida foi nesse deck que agora aparece vazio na foto, mas no dia parecia uma fila indiana de tanta gente entrando e saindo da água.

Apesar dos 15 minutos iniciais estarem perto de um arrependimento brutal eu finalmente consegui me encontrar. E sabe o que aconteceu? Me apaixonei! Tanto por praticar quanto por aproveitar Estocolmo de outra forma. Depois que peguei o jeito ninguém mais me segurou.

Como a cidade é separada por ilhas dá para se ter uma visão bem legal do lago Mälaren. Você passa por canais apertadinhos, passa embaixo de pontes e até em espaços bem abertos, que te dá a impressão de estar em pleno alto mar. Fora isso, você também aprende a controlar a velocidade, a sincronizar os movimentos dos braços e a ter um gingado a mais para não virar do caiaque, além de constatar com seus próprios olhos que os barcos irão te respeitar quando estiver fazendo esse esporte.

Nesse dia a gente não conseguiu ir muito longe como eu gostaria e ficamos mais região de Hornsbergs strand, que é uma prainha bem bacana para tomar sol, mergulhar e fazer muitos hangouts.

O caldo

Dois motivos nos levaram a ficar por ali. Um deles é que o tempo de locação era curto e não daria pra gente ir tão longe. Como alugamos o equipamento no final do dia, a gente tinha horário para devolver tudo e indo mais longe, talvez, não daria tempo. Tudo bem, que a gente até poderia ter se arriscado e remado um pouco mais por Kungsholmen, que dá aí uns 9km ou termos ido pela Långholmen, que fica na casa de mais ou menos 6km.

Mas aí que esbarramos em outro problema. O segundo motivo. Lembra do maridão que comentei lá em cima que não quis alugar um caiaque duplo? Pois é, o menino virou o caiaque duas vezes. Não conseguia manter o equilíbrio de jeito nenhum. O primeiro caldo foi porque nosso amigo encostou no caiaque e ele se desequilibrou. O segundo ele virou de maduro mesmo. E quase teve o terceiro, só porque eu estava conversando e tirando a atenção dele. Olha, nunca vi o bichinho tenso, porque das vezes que ele virou, ele não conseguiu voltar para dentro do caiaque e tivemos de remar até a margem para ele se recompor. Parece fácil, mas para quem não tem prática é o uó do borogodó.

Ficamos remando pelas redondezas acho que por pouco mais de 1 hora. Não lembro direito. Depois disso, devolvemos os apetrechos e decidimos ficar por ali mesmo, já que todo mundo – menos eu – estava empolgado para nadar. A água nesse dia estava morninha e deliciosa para um mergulho, coisa rara na Suécia, então a galera queria mais é aproveitar. Eu fiquei ali só curtindo o clima e a empolgação deles com os pés na água, já que não sei nadar direito.

Bom, já comecei a batalha para tentar convencer o maridão a fazer isso novamente, mas sei que terei de usar de táticas persuasivas porque pelo jeito ele não anda muito animado. Também pudera, depois dos caldos e de ficar com a roupa toda encharcada talvez nem eu mesma estaria.

Estou doida para repetir a dose no próximo verão e dessa vez quero ir bem pertinho do City Hall, com ou sem maridão. Quem sabe até lá eu já tenha uma câmera apropriada ou consiga pegar uma emprestada para fazer o repeteco por aqui.

Dicas preciosas

  • Para quem mora em Estocolmo ou está de passagem pela cidade durante a alta temporada eu super recomendo esse passeio. Use roupas confortáveis e prefira os dias mais quentes, pois assim se você cair na água, não a sentirá tão gelada. E não esqueça do protetor solar, porque quando o verão chega por essas bandas, como em 2013 e 2014, ele costuma fritar os miolos.
  • As águas são bem calmas, você sente uma marolinha quando os barcos passam, mas é bem de boa.
  • Há também tours guiados e que são realizados pelas empresas Kajak Kompaniet e Långholmn Kajak.
  • O site oficial de turismo da cidade recomenda algumas empresas, mas se você não liga muito para tours guiados e gosta de economizar uma graninha, eu recomendo a Kanotcenter Svima Sport que é a mais barata. Apesar de não estar no centro da cidade, o preço vale a pena.

Vi ses… hej då! 😉