5 mitos sobre viver na Suécia

Com a enxurrada de informações que recebemos todos os dias, a gente lê coisas bastante curiosas sobre como é viver num determinado país, mas também temos acesso a um monte de baboseiras espalhadas na internet que fica difícil saber o que é verdade e o que é mito.

E para provar isso aqui estão 5 mitos sobre como é viver na Suécia. Afinal nada melhor do que estar de carne e osso no país para comprovar como é que realmente as coisas funcionam, certo?

1. Não existe pessoas pedindo esmola nas ruas. É comum as pessoas acharem que por se viver num país de primeiro mundo não há diferenças sociais. Na Suécia as pessoas até que possuem mais ou menos o mesmo padrão de vida. É verdade! Porém, com tanta gente vindo para cá, tanto da Europa como de outros países o cenário já começa a mudar.

Foi-se a época que se via somente uns drogados ali, outros alcoólatras acolá vendendo revistinhas para conseguir alguns trocados pelas ruas da Suécia, especialmente em Estocolmo. Hoje em dia eles disputam espaço, por exemplo, com várias pessoas vindas da Romênia e Bulgária. Esses pedintes estão espalhados em várias cidades do país e em praticamente todos os bairros de Estocolmo. Os chiques, os bem centralizados e até os bem afastados.

Mitos sobre viver na Suecia

2. Não precisa aprender sueco já que todo mundo fala inglês. Outro dia vi um vídeo no youtube de um estudante entrevistando um professor que dizia que o inglês era suficiente para se viver na Suécia. O que eu pensei na hora? Bow shit! Se você é estudante, está fazendo turismo ou é um super engenheiro na área de TI, claro que isso é o suficiente. Agora, para arrumar um emprego a coisa muda de figura.

Mitos sobre viver na Suecia

A língua inglesa é bem falada pela grande maioria das pessoas, mas o idioma sueco ainda continua sendo o oficial. E como comentei dezenas de milhares de vezes, vir com um emprego garantido é totalmente diferente daquele que vem para tentar entrar no mercado de trabalho. Saiba disso!

3. O país tem a maior taxa de suicídio do mundo. A Suécia já foi classificada com um alto índice de suicídio, há mais ou menos uns 50 anos. Mas isso não é mais verdade. Segundo a Eurostat (Gabinete de Estatísticas da União Europeia) a Suécia está abaixo da média europeia com 12 suicídios a cada 100 mil habitantes.

Já na pesquisa da World Health Organization, realizada em 2012, a Suécia ocupa a 65a posição mundial para os suicídios cometidos pelos homens e a 49a posição para as mulheres.

E curiosamente os suicídios na Suécia são mais comuns no verão do que durante os invernos frios, escuros e congelantes.

Mitos sobre viver na Suecia

4. Todos os suecos são loiros e de olhos azuis. Claro que tem uma quantidade enorme de pessoas loiras e de olhos azuis pelas ruas do país, mas a imigração do Oriente Médio, África, América Latina e Ásia está mudando a cara da nação. A gente já começa a perceber uma misturinha entre as raças e isso é fruto de que a Suécia tem 41% a mais de imigrantes hoje em dia do que tinha na última década.

Mitos sobre viver na Suecia

5. Nas empresas só se trabalha 6 horas por dia. Apesar de ter circulado em vários jornais ao redor do mundo que a Suécia estava reduzindo a carga de trabalho de 8 para 6 horas diárias, isso não é verdade absoluta. Poucos lugares adotaram essa redução, como foram os casos:

  • da casa de repouso Svartedalen em Gotemburgo que implementou um dia de trabalho de 6 horas para seus enfermeiros;
  • do hospital universitário Sahlgrenska em Gotemburgo que mudou também um dia de trabalho para 6 horas, mas somente na área de cirurgia ortopédica;
  • de dois departamentos de um hospital em Umeå reduzindo a carga horária de um dia de trabalho para médicos e enfermeiros;
  • da fábrica da Toyota em Mölndal (que já pratica isso desde 2002)
  • de uma pequena empresa que desenvolve aplicativos no centro de Estocolmo

Mitos sobre viver na Suecia

Tirando esses casos existe mais algumas poucas empresas que introduziram a nova carga horária, mas as demais continuam firmes e fortes com suas 8 horas de trabalho diárias. E digo mais. Isso também é relativo, pois há empresas, principalmente as multinacionais, em que os funcionários têm trabalhado mais de 12 horas por dia, seja fisicamente na empresa ou em casa resolvendo os pepinos depois do horário de expediente.

Viu só como você não pode acreditar em tudo o que lê por aí? Fica a dica!

Vi ses… hej då! 😉

28 pensamentos

  1. Oi Vânia!
    Você disse que para conseguir trabalho é preciso saber falar sueco. No site de uma agência de intercâmbio eu li que o pré-requisito para fazer intercâmbio na Suécia era apenas ter um nível avançado de inglês, é isso mesmo ou para estudar também preciso do sueco?
    Bj

    1. Amanda!
      Se você quer estudar (mestrado, doutorado ou algum curso de especialização), trabalhar como au pair ou na área de TI o inglês é suficiente. Porém, se você vem para o país, acompanhando o seu parceiro ou quem sabe tentar a “sorte grande” o inglês de nada te ajudará e nesse caso o sueco é imprescindível. Falar inglês na Suécia não é um diferencial. Eu escrevi um post falando sobre o mercado de trabalho e acho que seria bacana você dar uma olhada (se ainda não o viu). O link é esse aqui: https://diariodeumateimosa.com/2015/02/18/emprego-na-suecia-voce-quer-um/. Agora, se o seu foco é apenas fazer intercâmbio ter inglês fluente é um dos requisitos e nesse caso não precisa de sueco.
      Puss! 😉

  2. ” Não existe pessoas pedindo esmola nas ruas”
    Muitos tem essa mesma visão dos EUA. A verdade é que temos mendigos por aqui sim. Mendigos nos sinais, no centro da cidade.Os daqui são tão criativos que fazem apresentações estilo “circense” com animais para ganhar uns trocados. Hahahaha!

  3. Sobre pedintes de dinheiro, infelizmente é uma realidade em muitas metrópoles. Quando fui na famosa Avenida Champs-Élysées, em Paris, fiquei impressionado ao ver a quantidade de mendigos na calçada em pleno inverno. Claro, é um contraste gigantesco com o “glamour” desse ponto turístico, e fugiu completamente de tudo o que eu pensava sobre a cidade. Eles não fazem nada além de pedir esmola, mas me deu aquele “aperto no coração” ao vê-los na rua naquele frio congelante. Se não quer gastar dinheiro em lojas de luxo, nem vale a pena visitar a avenida. Existem lugares mais interessantes. Mas é bom passar essa impressão verdadeira para as pessoas que nunca foram para a Europa, para não ficarem tão chocados com essa realidade. Mas o que você acha sobre a ida de romenos e búlgaros para países do oeste europeu? Na minha opinião, se for para imigrar em um país “melhor” para passar dificuldades, prefiro viver no meu país de origem. Tack så mycket, Vânia! 🙂

    1. Olá Elias!
      Sim, é super importante compartilhar como é a realidade nos países em que vivemos. Faço isso, porque às vezes, eu tenho a impressão que quem vê os países ricos em notícias e programas de viagem acha que tudo é perfeitinho. Já se foi a época que tudo era cor de rosa. Mas foi como comentei antes, país perfeito não existe.

      E como dá um aperto no coração de ver essas pessoas em tal situação. Quando fui a Paris, há muitos anos atrás, você não via mendigos nas ruas, muito menos em bairros considerados chiques. Porém, hoje em dia esse cenário está mudando e enquanto existir governos corruptos ou fazendo guerras será assim… infelizmente. 🙁

      Pois é, a situação de romenos e búlgaros é complicada. Alguns fazem isso por falta de opção em seus países na busca de melhores condições de vida. Pedir esmola na Suécia é mais lucrativo do que em seus países origem, segundo uma matéria que saiu há uns 2 anos no jornal local. Mas há também aqueles que fazem por estilo de vida. Já presenciei muita coisa na cidade e penso bastante se devo compartilhar, mas acho que muita gente não vai entender o texto. Quem sabe um dia! Outra coisa é que tenho visto muita briga nas redes sociais por causa da vinda deles para a Suécia, especialmente em Estocolmo. Coisas que antes não aconteciam, começaram a acontecer com mais frequência. É o mundo se internacionalizando.

      Valeu pelo teu comentário! Muáh! 😉

  4. Mais um post maravilhoso, Vania! Adorei (e que bom que você está de volta <3)
    Essa dos pedintes eu fiquei bem surpresa quando estive em Lund, achei que se veria esses casos assim mais em cidades maiores da Suécia e fiquei surpresa de ver um pedinte a cada esquina que passava em Lund.

    Beijo :*

    1. Taís!
      Ai quanto carinho que recebo de ti :-). Fico até sem jeito!
      Demorei para blogar, pois estava de férias no Brasil e lá eu realmente não consegui manter a atualização rs. Entre compromissos e comilanças esse cantinho acabou ficando para segundo plano. Mas aos pouquinhos estou voltando rs.

      Os pedintes estão na Suécia toda e apesar dos suecos terem a fama de serem solidários, grande parte da população já anda bem incomodada. Tenho ouvido cada história cabeluda! Se eu dia eu estiver virada no Jiraiya vou compartilhar tudo no blog.

      Puss! 😉

  5. Quanto à violência, assaltos, batedores… já chegaram por aí? Fale um pouco sobre isso. Essa miscigenação e esse tantão de gente vindo de fora e de tantos lugares diferentes deve ter trazido junto alguns meliantes.

    1. Oi Camylle!
      Eu não sei como são essas questões que você levantou em outras cidades da Suécia, mas digo que em Estocolmo há tudo isso. Os bairros mais afastados, formados basicamente só por imigrantes, acabam tendo um índice maior de ocorrências. Entretanto, eu ainda não me sinto ameaçada. Pelo menos não por enquanto! Eu ainda continuo me sentindo super segura aqui, bem mais que no Brasil. Eu fiz um texto há um tempinho que eu dou dicas de segurança em Estocolmo e nele eu mostro um pouco mais da realidade da cidade. Dá uma olhadinha, tá? O link é esse aqui: https://diariodeumateimosa.com/2016/02/23/5-dicas-de-seguranca-para-o-turista-em-estocolmo/ 🙂
      Puss!

  6. Oi Vânia,
    É uma realidade de muitas capitais pelo mundo. Infelizmente.
    Parece q na capital da Hungria é q andam a fazer limpezas de mendigo, se pegá-los é multa. Para algum lado devem fugir.
    Alguma informações que andam na net a cerca de mitos, tb é fruto de dados desatualizados. A taxa de suicídio é uma delas. Hoje pode ser a Suécia, mas outro dia pode ser outro páis.
    Os problemas sociais atuais penso que são comuns a todos os país do Norte da Europa, devido a fatores cumuns.
    De qualquer forma entendo que mesmo assim seja a Suécia melhor de se viver do q muitos países abaixo da linha do equador, e mesmo do Sul da Europa. Trabalha-se, paga-se muito imposto, mas a gente vê o dinheiro sendo empregado, e para o futuro tb. Em países do Sul da Europa o drama é bem maior, já nem falo do Brasil.
    Bjs

    1. Oi Sil! Sim, sem dúvida que as grandes capitais sofrem mais com os problemas sociais. Vamos torcer para que um dia essas questões sociais sejam amenizadas – se bem que lá no fundo eu já desacredito nisso :-(.

      Com relação ao suicídio quis reforçar no texto porque ainda continuo recebendo mensagens privadas de pessoas que juram de pés juntos que a Suécia ainda possui a maior taxa. Vai saber a fonte que essas pessoas estão se baseando, né?

      Bom, mas eu continuo gostando muito de morar na Suécia, caso contrário acho que esse blog já nem existiria mais. 🙂

      Beijos.

  7. Pois é…olha só, pelo visto há mais pedintes nas ruas por aí do que aqui na Holanda. Meu marido trabalha 9 horas por dia “oficialmente” mas tem um dia livre na semana, bem como os fins de semana. Porém horário de trabalho é muito relativo. Depende da profissão, da empresa, do setor…tem gente que trabalha 24 horas na semana.
    Tá tudo muito diferente. E claro, falar o idioma oficial é indispensável se você realmente quer se integrar. Inglês é importante sim se vc vier pra trabalhar numa empresa que usa o inglês, numa multinacional…mas de resto…é bom se virar no idioma do país. Bjs

    1. Você sabia que há um tempo passou uma reportagem na TV sueca entrevistando uma pessoa do governo da Holanda. Esse cara mencionou que a Holanda não queria essas pessoas pelas ruas do país e que estavam fazendo marcação serrada sobre isso. Aí a repórter sueca perguntou “se essas pessoas não podem ficar na Holanda você imagina onde elas estejam agora?”. O político holandês respondeu “provavelmente na Suécia, não?”.

      Então, os suecos em geral não trabalham tantas horas assim (depende do cargo, é claro), mas converse com algum expatriado e a resposta será quase que unânime… “estamos fazendo o trabalho por eles, por isso as muitas horas trabalhadas”.

      Valeu por compartilhar sua experiência aí na Holanda. 😉 Puss!

  8. Primeira vez que fui a Göteborg em 2009, amigos de lá já me alertavam naquela época a não marcar bobeira à noite numa praça perto do Heden.
    E quando eu quis ir ao bairro de um time de imigrantes que ganhou a Gothia Cup, também fui desaconselhado.
    Contudo, amei aquela cidade. Se precisasse sair daqui, era lá que eu iria morar.
    Também preciso dizer, Vânia, que teu blog é uma droga. A gente lê uma vez e fica viciado para sempre… hahahahaha
    Beijo!

    1. David, foi como escrevi para a Bárbara, o mundo em que vivemos hoje é muito diferente e perfeição realmente não existe. Mas mesmo assim não vou negar, amo muito morar na Suécia e não trocaria o país por outro. Pelo menos não nesse momento. Entendo perfeitamente quando você menciona que moraria em Göteborg. Você não irá acreditar, mas sinto muitas saudades dessa cidade.

      Rindo litros com esse seu carinho direto hahaha… que bom que te viciei… Iupiiiii! 😀

  9. Adorei esse post, Vânia. Eu acho que esse tipo de mito é perpetuado porque nós temos uma visão muito romântica não só da Europa, mas principalmente dos países nórdicos. Não tem jeito, a gente cresce vendo reportagem que sempre fala coisas maravilhosas da qualidade de vida da Suécia, Noruega e etc. De fato, os movimentos imigratórios estão mudando a cara da Europa. A Irlanda também, era essencialmente irlandesa, branca e católica até uns 20 anos atrás e hoje já é bem diferente.

    1. Com certeza Babi. As coisas mudaram e há muito tempo, né? O mundo fala muito sobre os benefícios sociais que existem na Suécia, o que não deixa de ser verdade. Isso sem contar que o país todo ano aparece na lista de melhores países para se viver. Se eu que estou morando na Suécia há 5 anos já vejo hoje diferenças gritantes quando comparo com o ano que cheguei, imagina quem chegou há 20, 30 anos? Espero que as pessoas se conscientizem que não somente a Europa mudou, mas que o mundo agora é outro. Valeu pelo carinho minha! Puss! 😉

  10. Adorei!!!!
    É isso aí, lindona! Verdade seja dita também para as bandas de cá! 🙂
    Você está corretissima em divulgar isso tudo, põe a galera na real mesmo!
    Parabéns mais uma vez!
    Super beijo e vamos que vamos! 😀

    1. Oi Chris, minha linda!
      Apesar de ter muita coisa bacana por aqui e que eu amo de paixão, acho importante falar sobre outras questões para tirar um pouco daquela imagem de Suécia imaculada.
      Valeu pelo carinho! Puss, puss! 😉

      1. Concordo total com vc! Nenhum lugar é o País das Maravilhas!
        E acabei de passar por mais uma tentativa de gritar no momento… kkkkkkkkk
        Vendo vaga de emprego e… ops! Vou arriscar nessa aqui mesmo, com esse nivel de m* de inglês e sueco… Respirei fundo, criei coragem… Fui enviada para a página do Arbetsförmedlingen e… precisa ter CARTA e… CARRO!!!
        Aí fudeu! Inglês + Sueco + Carta de motorista + Carro.
        E aí, como faz? 🙁
        TENSO!!!!
        Puss, puss!

  11. Bom dia Vânia

    Estive uma semana em Estocolmo, e vi muita gente a pedir, mas as romenas sentadas à porta dos supermercados e junto às caixas multibanco, parecia-me que estava em Portugal.

    Deixe já agora dizer-lhe que adorei Estocolmo.

    Bj

    1. Olá Cacilda!
      Para quem não vive na Europa acha que tudo desse lado do oceano é perfeito. Claro, que a Suécia funciona bem, mas há problemas sociais também.

      E que bom que gostou de Estocolmo. Espero que você tenha a oportunidade de visitá-la novamente e quem sabe a gente não marca um café, hein? 😉

      Muáh!

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