Gräfsnäs: um vilarejo situado na cidade de Alingsås

Já faz um tempão que queria escrever sobre esse vilarejo chamado Gräfsnäs para incluir na categoria Viagens pela Suécia do blog. E como estou novamente naquela fase de organização dos arquivos no computador, acho que é um bom momento para botar a mão na massa.

Tive a oportunidade de visitar esse charmoso lugar por duas vezes. Como ambas aconteceram em épocas ainda meio geladinhas, nem preciso dizer que o passeio foi um pouco desafiador, né? A primeira vez aconteceu em dezembro de 2011 e a outra no início da primavera de 2013.

Nas duas visitas eu e maridão pegamos o trem até a cidade de Alingsås e de lá mesmo da estação um amigo nos pegou de carro. A gente preferia ter ido de ônibus, tanto pela facilidade de chegar ao local, quanto para não darmos aquele trabalhão para ninguém.

Só que como os horários estavam meio restritos, esse nosso amigo insistiu em nos pegar, porque seria mais rápido e confortável.

E aí está o motivo das nossas visitas: o nosso amigo Börje. Um senhorzinho sueco, de uma gentileza ímpar, que após se aposentar resolveu mudar para esse lugar.

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O charmoso vilarejo

Gräfsnäs é um desses vilarejos bem piquititos na Suécia. Tem somente 402 habitantes e está localizado a uns 17 km da cidade de Alingsås. O lugar é tipo uma comunidade, sabe? Todo mundo fala com todo mundo, todo mundo sabe da vida de todo mundo, não tem badalação e é uma vida pra lá de pacata.

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O nosso amigo nos contou que a maioria das pessoas que moram nesse vilarejo é formada por artistas. Pintores, escritores, músicos e poetas. Parece que entre eles há sempre encontros animados, regados a taças de vinho e muito bate-papo sobre arte.

Mesmo a região não tendo grandes atrações turísticas como as cidades de Estocolmo e Gotemburgo, por exemplo, uma pequena caminhada tem seus encantos.

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Basicamente o que fizemos por lá em uma de nossas visitas – além de comer e conversar bastante – foi andar pelos arredores da residência dele, ir nas ruínas do castelo de Gräfsnäs, no parque e na estação ferroviária.

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Gräfsnäs slottsruin: as ruínas do castelo

Depois de ficarmos babando nas casas da vizinhança, uma de nossas primeiras paradas foi nas ruínas do castelo, que estão localizadas ao lado de uma pequena península num lago chamado Anten.

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O castelo foi construído em meados da década de 1500 e serviu como substituto de outro castelo localizado ali nas redondezas. Mas as partes mais antigas datam lááááá de 1100. O castelo que nem é tão casteludo assim tem três quartos, dois tetos e um salão.

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Ele chegou a ser a propriedade de uma família bem conhecida da época e reza a lenda que no castelo aconteceu o nascimento de uma menininha bem importante na história da Suécia, a Margareta Eriksdotter. Assim que ela desabrochou para a vida e se casou com o Gustav Vasa, se tornou a rainha da Suécia.

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Na verdade são apenas boatos, porque como o pessoal da época não documentou corretamente onde foi que a dita cuja nasceu, não se sabe ao certo se essa informação é verídica.

Pois bem. Esse castelo foi queimado por 3 vezes com um intervalo entre uma queimada e outra de exatos 100 anos: 1634, 1734 e 1834. Parece até maldição, né? E é mesmo! A culpada por rogar a tal maldição foi uma das mulheres que trabalhou no local da construção. O que faz a gente se perguntar é “por que raios ela fez isso?“. Bom, se nem o nascimento de uma das rainhas da Suécia foi documentado direito, imagina a praga de uma simples trabalhadora.

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Aí que depois do último incêndio o pessoal desistiu de vez em reconstruí-lo.

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De acordo com arqueólogos que escavaram o local na década de 1930 foram encontrados no subsolo vestígios de um edifício medieval, ou seja, muito antes do castelo existir. Pelo jeito esse lugar é no mesmo naipe das ruínas da igreja de Sigtuna, lembra?

Eu tenho pra mim que esses lugares bem antigos estão cheios de fantasmas e sempre fico com uma sensação esquisita quando os visito, principalmente quando não tem muita gente no local.

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Sabe quando você está andando e tem aquela sensação que tem alguém caminhando atrás de você? Ou quando você sente alguém mexendo no seu cabelo e olha pra trás e não tem absolutamente ninguém? Pois é, foi assim que me senti nesse lugar.

Fora isso, achei o ambiente super gelado. Tudo bem que o visitei em épocas frias mesmo, mas não fiquei muito confortável. Talvez fosse apenas fruto da minha imaginação, sei lá, mas que tinha algo esquisito no ar, ah isso tinha.

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Histórias e maldições à parte, o espaço hoje em dia é usado para coisas mais festivas, como eventos, casamentos, exposições de arte e festivais medievais.

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Gräfsnäs parken: o parque

Saindo do castelo a gente se dirigiu ao parque, que está ali bem coladinho dele.

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Ao que tudo indica parece que esse parque é um dos destinos mais visitados da comuna de Alingsås. Os moradores se dirigem pra lá, principalmente, quando as temperaturas estão mais amenas.

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Ele é tão queridinho que desde 2010 é considerado uma reserva natural, pois possui várias árvores antigas e de elevado valor natural. Portanto, cometer qualquer vandalismo no parque é penalidade na certa.

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Como comentei no texto 17 fatos sobre a teimosa, eu adoro árvores, independente do estado delas. Novas, antigas, pequenas ou grandes, mas aquelas raizudas e galhudas são as que mais me atraem. E esse parque é cheio delas.

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Fora isso, num determinado momento fiquei olhando aquelas casinhas em madeira e meio que me teletransportei para as histórias infantis que lia quando criança.

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Por mais que a paisagem não estivesse tão bonita assim, parecia que tudo ao meu redor transmitia algo que eu imaginei ao ler um livro ou vi em algum filme. A sensação foi meio que de sonhar acordada, sabe?

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Quando voltei à realidade e continuei a caminhada pude notar que o parque tem outras coisas, como um restaurante – pequeno por sinal –, uma piscina e um playground.

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Anten Gräfsnäs Järnväg: a estação ferroviária

Do parque seguimos para uma antiga linha de trem. Apesar da linha de ferro estar praticamente abandonada para a finalidade com que ela foi construída, esse nosso amigo nos contou que rola altos passeios durante o verão para as famílias locais e da região.

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O passeio é todo personalizado, com direito a andar de trenzinho e tudo. Bom, nem preciso dizer que ficamos na vontade, né? Mas no fundo eu sei que é bem feito pra nós, afinal quem mandou visitar o lugar em plena friaca.

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Tudo bem que até poderíamos ter voltado no verão, mas como ele é tão curtinho por essas bandas, a gente acaba priorizando outros passeios e viagens. Então, quem sabe um dia eu volte e mate a minha vontade, né?

Como chegar?

Como esse vilarejo fica mais para o lado de Gotemburgo, dá pra pegar tranquilamente o pendeltåg – um tipo de trem metropolitano – que sai da Centralstationen Göteborg até a cidade de Alingsås. O deslocamento dá uns 40 minutinhos. Chegando na estação é necessário pegar um ônibus até Gräfsnäs, que vai dar mais 30 minutos. Para maiores detalhes acesse a página de transporte público Västtrafik.

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Para quem quer ir de Estocolmo também dá, mas como o deslocamento é maior – cerca de 4 horas e meia – aí aconselho planejar melhor a viagem e quem sabe reservar um hotel em Gotemburgo para conhecer melhor a região. Mais informações no site da SJ, a maior operadora de trens da Suécia.

Bom saber

O castelo só fica aberto no período de maio a setembro, se não me falhe a memória. Portanto, se visitar o vilarejo em outros meses, não conseguirá ver o interior do castelo.

Nem preciso dizer que o parque está disponível durante todo o ano, né? Mas acho que os meses entre junho e agosto devem ser os mais interessantes. Além de você poder dar uma boa caminhada, o clima estará melhor e ainda te dará a possiblidade de se jogar na grama e fazer um delicioso piquenique. Agora, se nem o frio te espanta, meu amigo, vai fundo, porque o vilarejo é bem charmosinho.

O passeio de trenzinho também tem a bendita data no calendário e os passeios estão disponíveis somente entre junho e agosto.

Vi ses… hej då! 😉

14 thoughts

  1. Que lugar mais delícia, Vânia! Amei! Eu também fico meio assim quando visito lugares antigos, com histórias de maldição e tal, mas no fim das contas, acho que vale a experiência. Eu amei essa estação ferroviária, tudo muito gracinha, parece de mentira!

    1. Muito gostosinho esse vilarejo, né? Eu acho que se não fosse por esse nosso amigo, acredito que nem teria ido até esse vilarejo. Fiquei com o maior medaço visitando esse castelo, mas valeu muito a pena a experiência.

  2. Nossa, que lindo e quanta peculiaridades! Cada pedacinho de chão aí e aqui no Brasil também nos reserva surpresas e belezas né? O que você sentiu no castelo eu senti no subsolo de uma das igrejas de Salvador – BA. :@
    Beijos! Bom trabalho!!

    1. Eu amei visitar esse vilarejo e descobri coisinhas bem interessantes, né? É até uma vergonha dizer isso, mas conheço bem pouco do Brasil. A nossa flora e fauna são únicas! Espero muito um dia ter a oportunidade de explorar nosso país.
      Puss! 😉

      1. Estamos cogitando fazer isso na Suécia. Deixa os meninos crescerem um pouco. 🙂 A Suécia é um dos poucos países europeus que permite. Há mesmo trilhas para isso. Há uma muito divulgada no Norte. Mais esse local que você apresentou encaixa-se bem no perfil de um campismo selvagem. rsrsrs

        1. Quando você e sua família fizerem esse passeio, vou querer ler tudinho a respeito.
          A propósito, visitei o seu país esse final de semana (as cidades de Bruxelas e Bruges) e adorei. Só fiquei com uma sensação esquisita na capital, pois parece que o país está em guerra depois dos atentados de março.

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