O ataque terrorista em Estocolmo

Eu pensei bastante se deveria escrever ou não sobre o ataque terrorista que aconteceu em Estocolmo no dia 7 de abril às 14:53 de 2017. E cá estou eu envolvida em meus próprios pensamentos, mesmo já tendo se passado quatro anos. Sei que é notícia velha e que ninguém mais quer falar sobre isso, afinal é vida que segue, certo?

Pensamentos e sentimentos

Mas o fato é que nunca pensei que um dia isso aconteceria por essas terras, mesmo alguns amigos terem me dito que isso estava demorando – e muito – para acontecer.

Como você bem sabe eu procuro, da melhor forma possível, mostrar o lado positivo e negativo de viver na Suécia, sempre de uma forma suave e divertida. Entretanto, dessa vez estava sendo difícil encontrar a tal da suavidade e da alegria que eu procuro manter nesse blog desde 2011.

Nesse momento não vou falar o que acho certo ou errado na política de imigração e nem vou falar das vítimas ou do terrorista. Esse trabalho já foi feito por muita gente, especialistas ou não. Afinal, quem é que não gosta de dar o seu pitaco. Naquele momento eu precisava de um tempo. Tempo para refletir sobre tudo e especialmente sobre a minha vida.

Mudança de planos sem saber o motivo

Uma das razões para essa situação ter mexido tanto comigo é que eu estava próxima à região do ataque, bem pertinho de onde o caminhão começou o trajeto da morte. E como se não bastasse, eu ainda tinha planos de passar pela Drottninggatan, já que eu precisava ir à Ålhéns, a loja de departamentos onde o caminhão acabou batendo.

Por uma coisa do destino, um anjo protetor ou mesmo uma energia bem forte emanando do universo, se assim posso dizer, tocou o meu coração. E como num piscar de olhos eu mudei os planos. Clink! plic! Tipo assim, do nada mesmo. Eu simplesmente troquei a Ålhéns por uma ida ao supermercado. Até agora não sei explicar direito o motivo, pois eu não precisava comprar absolutamente nada. Coisas da vida!

Quando saí do supermercado o caos estava instaurado. Até então eu não tinha ideia do que era, mas sabia que era algo sério. Helicóptero sobrevoando a região, ambulâncias e viaturas policiais na contramão e todo mundo com aquela cara de paisagem. Afinal, ouvir sirenes numa cidade grande é completamente normal. Só que em excesso, peraí, tem algo errado, né.

Fui dar uma xeretada na internet do celular e a primeira coisa que li foi que um carro havia atropelado pessoas na Drottninggatan. Não havia caminhão, não havia pessoas mortas e muito menos um ataque terrorista. De repente, perdi a conexão da internet. Eu não conseguia pesquisar ou acessar qualquer rede social ou portal de notícias.

Enquanto eu entrava na estação de metrô, aproveitei para ligar para meu marido e perguntar se ele sabia de alguma coisa que estava acontecendo no centro de Estocolmo e a informação que ele tinha era a mesma que a minha.

O retorno para casa

Consegui pegar o metrô e cheguei a uma das estações que precisava fazer conexão, a Fridhemsplan. Ficamos muito tempo parados e sem previsão de retorno. Até que veio o pedido da polícia de que todas as estações precisavam ser evacuadas. Ninguém, absolutamente ninguém poderia ficar no local.

Foi quando o desespero começou a ser maior. Meu marido liga e a internet estava pipocando de informações sobre um suposto tiroteio, sabe exatamente onde? Na estação onde eu estava, em Fridhemsplan. Eu não sabia o que fazer. Se ficava escondida num canto, se saia na rua, se me abaixava em algum lugar. Eu só pensava, “Estocolmo está sendo atacada, Estocolmo está sendo atacada”. Felizmente, esses tiros não vieram a ser confirmados pela polícia. Ao que tudo indica alguém disparou uma arma dentro de casa. História estranha, mas enfim.

Como milhares de pessoas eu voltei para casa andando. 1 hora de caminhada. No percurso vi várias viaturas, policiais fortemente armados e cães farejadores na divisa das ilhas de Kungsholmen e Solna. Estavam num tipo de estacionamento vasculhando todos os carros. Vi vários curiosos parados tirando foto e eu só pensava em chegar em casa e ter o meu porto seguro de volta.

Quando finalmente cheguei em casa e liguei a TV para acompanhar e entender tudo o que estava acontecendo é que veio o choque das imagens.

Eu sei e acho que você talvez também saiba que o estrago poderia ter sido bem maior. Quem conhece essa rua, a Drottninggatan, sabe o quanto ela é movimentada e posso dizer que foi praticamente um milagre que o estrago não tenha sido maior como aconteceu em Nice na França e em Berlim na Alemanha.

Pela primeira vez vi Estocolmo se desligar. Ruas vazias e transporte público paralisado.

Quando vem o baque

Fiquei o final de semana inteiro chorando, sem dormir direito e com dor de cabeça.

A primeira semana foi a mais difícil para mim. Fiquei neurótica em andar de metrô e procurava evitar os vagões mais cheios. Ficava estressadíssima de ver pessoas super agasalhadas no metrô, considerando que a temperatura já estava bem mais amena, e imaginava que alguém poderia esconder algo embaixo da roupa e de repente acontecer algo novamente. Exagero da minha parte? Talvez!

Tanto tempo se passou e eu ainda continuo com um sentimento estranho com relação ao que aconteceu em Estocolmo. É um sentimento de impotência, sabe? Impotência porque nem eu, nem você e nem ninguém tem controle de ações como essa.

Estocolmo deu seu show a parte

E como era de se esperar, essa cidade histórica, turística e exótica que Estocolmo é, se recuperou da tristeza e lamentou as vítimas. A galera se reuniu no centro da cidade e mostrou ao mundo uma reação pacífica e cheia de amor em homenagem às vítimas. Foi bonito de ver!  

“Juntos nós somos fortes”

Só desejo que esse tipo de ação horrenda nunca mais volte a acontecer em nenhum lugar desse mundo afora. Claro que não tenho controle sobre isso, mas preciso acreditar que o bem sempre vencerá o mal. Sempre!

Vi ses… hej då! 😉

8 pensamentos

  1. Vivi esse acontecimento com muita ansiedade, pois o meu sobrinho vivia em Estocolmo. Ele também fez o retorno a casa a pé

    1. Nossa Cacilda, eu imagino como você deve ter ficado com o coração apertado. O retorno para a casa foi realmente caótico. 🙁

    1. Sim, foi bastante desesperador pra mim, principalmente quando a ficha caiu do que tinha acontecido. Eu mudei de ideia completamente e até hoje não sei o motivo. Era para eu estar naquele exato momento na rua onde tudo aconteceu. Só digo uma coisa: DEUS é muito bom! <3
      Um grande beijo pra ti. Muáh! 😉

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